Projeto Sucuriú, em construção em Inocência (MS), prevê investimento de US$ 4,6 bilhões, capacidade anual de 3,5 milhões de toneladas de celulose e uma estrutura logística que combinará tritrens no transporte de madeira com ferrovia para o escoamento da produção até Santos.
A Arauco começou a receber os equipamentos que formarão a estrutura logística do Projeto Sucuriú, fábrica de celulose em construção em Inocência, Mato Grosso do Sul. A operação terá 721 vagões ferroviários para o produto acabado e 350 conjuntos tritrem destinados ao transporte de madeira.
A Randoncorp informou em agosto deste ano que entregou o primeiro lote, formado por 40 vagões de um contrato de 721 unidades. Produzidos em Araraquara (SP), eles serão utilizados no transporte da celulose entre Inocência e o Porto de Santos.
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O Projeto Sucuriú envolve investimento estimado em US$ 4,6 bilhões e tem início das operações previsto para o fim de 2027. A capacidade projetada é de 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, e a Arauco apresenta a unidade como a maior fábrica do mundo em linha única.
As projeções divulgadas para diferentes fases do empreendimento somam 20 mil oportunidades de trabalho: até 14 mil no pico da construção e cerca de 6 mil postos ligados às áreas industrial, florestal e logística durante a operação. Os dois contingentes correspondem a etapas distintas e não representam 20 mil pessoas empregadas simultaneamente.
Ramal de 47 quilômetros ligará fábrica à Malha Norte

O sistema de escoamento inclui um ramal ferroviário próprio de 47 quilômetros entre o complexo industrial e a malha nacional. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informa que a conexão será feita com a Malha Norte, permitindo o transporte da carga até Santos.
Além do trecho de ligação, o projeto prevê cerca de 9 quilômetros de trilhos dentro da área da fábrica. A celulose poderá sair diretamente do complexo por ferrovia e seguir pela rede existente até o porto paulista, de onde será encaminhada para exportação.
A Arauco estima que o uso dos trilhos no escoamento do produto acabado poderá retirar cerca de 190 viagens diárias de caminhões das rodovias. A companhia também projeta redução de até 94% nas emissões de dióxido de carbono relacionadas a essa etapa do transporte.
Os 721 vagões serão dedicados ao frete de celulose, com conclusão das entregas prevista para novembro de 2027. A fabricação no Brasil ficará a cargo da Randon, que desenvolveu os equipamentos de forma personalizada para a operação sul-mato-grossense.
Cada vagão possui capacidade bruta total de 130 toneladas e carga líquida útil de 98 toneladas. Os modelos têm 23 metros de comprimento, 3,3 metros de largura e 4,28 metros de altura, além de abertura lateral dupla para as operações de carga e descarga.
A proteção do material transportado inclui lonas com tramas de aço antivandalismo. O sistema de estanqueidade foi projetado para impedir a entrada da umidade da chuva durante o deslocamento da celulose.
Tritrens atenderão ao transporte de madeira
Os 350 conjuntos tritrem terão função diferente da frota ferroviária: levar a madeira das florestas plantadas até a fábrica. A previsão apresentada para o projeto é que a entrega desse conjunto de veículos seja concluída em janeiro de 2027.
Cerca de 55 tritrens ficarão diretamente na frota da Arauco. Os demais serão cedidos em regime de comodato a empresas parceiras, que ficarão responsáveis pelos cavalos mecânicos empregados na operação.
A frota utilizará diferentes configurações de suspensão, com sistemas pneumático e mecânico. A empresa pretende comparar o desempenho das soluções nas estradas de terra e nas rodovias da região de Inocência, onde ocorrerá o transporte da matéria-prima até a unidade industrial.
“Ao optar por vagões e tritrens modernos e customizados para as necessidades da Arauco, nós asseguramos a previsibilidade da movimentação de cargas e ampliamos o potencial de produtividade e sustentabilidade das operações”, afirma Alberto Pagano, diretor de Logística e Suprimentos da Arauco.
Na estrutura planejada, os tritrens ficarão concentrados no fluxo entre as áreas florestais e a indústria, enquanto os vagões atenderão ao escoamento do produto acabado. Assim, o transporte rodoviário continuará presente no abastecimento de madeira, mas não será o principal modal utilizado para levar a celulose ao porto.
Fábrica tem operação prevista para o fim de 2027
A unidade está sendo implantada em uma área de aproximadamente 3.500 hectares, localizada a cerca de 50 quilômetros do centro urbano de Inocência e próxima ao Rio Sucuriú. A fase de terraplanagem do empreendimento começou em 2024.
O cronograma informado pela companhia mantém o início da produção industrial no fim de 2027. Para acompanhar esse calendário, a ANTT prevê a conclusão das obras do ramal ferroviário no segundo semestre do mesmo ano.
A capacidade projetada de 3,5 milhões de toneladas anuais colocará a operação de Inocência como a maior unidade de celulose em linha única do portfólio apresentado pela Arauco. O projeto também marca a estreia da companhia no setor de celulose no Brasil.
A Arauco atua no país desde 2002 em negócios ligados a madeira, resinas e painéis, com operações no Paraná e no Rio Grande do Sul. Com o Projeto Sucuriú, a empresa passará a reunir também produção de celulose e uma estrutura logística própria associada à nova fábrica em Mato Grosso do Sul.

