Lucas Amstalden, sócio da Pizza67, diz que a dificuldade não é a carga horária semanal, que cairia de 44 para 40 horas, e sim perder um dia. Ele projeta reajuste de 15% a 20% nos preços, e Edilson da Silva, de Viçosa (MG), também prevê o repasse ao consumidor final
Lucas Amstalden, sócio da pizzaria Pizza67, em Campo Grande (MS), afirma que o fim da escala 6×1 o obrigaria a contratar mais dois funcionários, além dos cinco que já emprega. Com uma folha mensal de cerca de R$ 15 mil, ele estima que o custo subiria para pelo menos R$ 25 mil.
As informações foram publicadas em 4 de maio de 2026, em reportagem assinada por Lucas Machado, sobre o impacto da proposta em pequenos empreendedores do setor de alimentação fora do lar.
Proposta em discussão reduz a jornada de 44 para 40 horas

A proposta em discussão no Congresso Nacional prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas.
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Proprietários de estabelecimentos com poucos funcionários apontam possível aumento de custos, necessidade de novas contratações e impacto direto nos preços ao consumidor, segundo a reportagem.
Para o dono da Pizza67, o problema é perder um dia, não as horas
Para Lucas Amstalden, a principal dificuldade não está na carga horária semanal, mas na redução dos dias trabalhados.
“A mudança de escala não é viável, porque eu vou perder 1 dia. Por mais que eu esteja adequado a quantidade de horas semanais, eu vou ter a redução na quantidade de dias. Como a gente trabalha 30 dias por mês, eu preciso contratar pessoas para repor essa folga extra, então querendo ou não, eu vou ter que colocar mais 2 funcionários”, afirma o empresário.
Folha sairia de R$ 15 mil para pelo menos R$ 25 mil
A pizzaria conta atualmente com cinco funcionários e uma folha mensal de cerca de R$ 15 mil, segundo o sócio.
“Meu custo vai sair de R$15 para, pelo menos, R$25 mil, e para cobrir esse custo, eu vou ter que vender de R$35 a R$40 mil a mais por mês”, revela Lucas Amstalden.
Reajuste projetado é de 15% a 20% nos preços
O aumento das despesas operacionais deve refletir no valor cobrado pelos produtos, aponta a reportagem.
Segundo Lucas Amstalden, será difícil absorver os custos sem repasse ao consumidor: “Num primeiro momento a gente precisa ter o repasse, não tem jeito, mesmo porque não tem como crescer o número de venda do dia pra noite”, afirma. A projeção é de reajuste entre 15% e 20% nos preços para equilibrar as contas.
Em Viçosa, dono de lanchonete diz que a dificuldade do pequeno é a escala
Edilson da Silva, sócio da Lanchonete do Dênis, em Viçosa (MG), também avalia que o impacto será inevitável.
“Se o Governo acha que a pessoas tem que descansar mais, e eu também acho que elas têm, por que não mexe só nas horas trabalhadas? A grande dificuldade do pequeno é a escala. Vai ter aumento de preço. Se aumenta o meu custo, se dificulta a minha operação, eu vou ter que repassar”, afirma ele.
Inflação elevada e endividamento já pressionam o consumo
Edilson da Silva ressalta que o cenário econômico já pressiona o consumo, com inflação elevada e consumidores mais endividados.
O ponto entra na conta dos empresários que avaliam a viabilidade de repassar custos em um momento de demanda mais fraca.
Concorrência informal é apontada como desafio adicional
Outro ponto de atenção levantado na reportagem é o risco de aumento da informalidade no setor.
Para Lucas Amstalden, a concorrência com negócios que operam fora da formalidade já é um desafio: “O nosso segmento tem uma concorrência muito grande, uma concorrência muitas vezes desleal. Um exemplo, em volta da minha pizzaria tem outras 4 pizzarias. Eu sou o único que tem CNPJ, sou o único que registra funcionário, o único que tira Nota Fiscal e o único que paga imposto. As outras 3, os caras trabalham em casa, estão com a família, então como eu vou concorrer em termos de preço com esse cara?”, desabafa.
Falta de debate pode empurrar negócios para a irregularidade, diz empresário
Na avaliação de Edilson da Silva, a falta de debate mais aprofundado sobre a proposta pode ampliar esse cenário.
“O maior problema é quando a legislação vem engessada, ela acaba te jogando para trabalhar de forma irregular”, afirma o sócio da Lanchonete do Dênis.
Situação atual: proposta segue em discussão e empresários calculam a adaptação
A possível mudança na escala de trabalho reacende discussões sobre custos, competitividade e sustentabilidade dos pequenos negócios, conforme a reportagem.
Para empresários do setor de alimentação fora do lar, o desafio será equilibrar a adaptação às novas regras com a manutenção da operação e dos preços, em um ambiente já marcado por margens reduzidas e forte concorrência. Enquanto isso, o dono da Pizza67 mantém a conta de que precisaria vender de R$ 35 mil a R$ 40 mil a mais por mês para cobrir o novo custo.
Na sua opinião, o fim da escala 6×1 deveria valer igualmente para negócios com cinco funcionários, ou pequenos estabelecimentos precisariam de regras e prazos próprios de adaptação? Deixe sua opinião nos comentários.
