Nascida em 2023, a lince Ursa foi confiscada após ser encontrada em cativeiro doméstico ilegal, sofreu com má nutrição e infecções intestinais e, depois de ser retirada da Ucrânia em guerra, chegou ao santuário britânico que assumiu seus cuidados pelo resto da vida em um habitat seguro especializado em Kent.
A lince Ursa, uma fêmea de lince-euroasiático nascida em 2023 na Ucrânia, chegou em segurança ao The Big Cat Sanctuary, no condado de Kent, na Inglaterra, em 13 de fevereiro de 2026, depois de uma operação internacional para retirá-la de um país ainda afetado pela guerra. Quatro dias depois, em 17 de fevereiro, ela começou a explorar seu recinto externo sob acompanhamento dos tratadores.
A chegada encerrou apenas uma parte de uma história iniciada quando Ursa ainda era filhote. Mantida ilegalmente como animal de estimação em uma residência particular, ela acabou retirada do local após intervenção policial e encaminhada ao Wild Animal Rescue Center, nos arredores de Kyiv. O que deveria ter sido o início de uma vida selvagem havia se transformado em dependência de cuidados humanos e problemas graves de saúde.
Lince foi encontrada ainda filhote vivendo ilegalmente em uma residência
Ursa foi descoberta quando ainda era jovem pela organização URSA, da qual posteriormente recebeu o nome. Segundo informações divulgadas pelo The Big Cat Sanctuary, a felina era mantida de forma ilegal por uma pessoa dentro de uma residência na Ucrânia. Depois da atuação das autoridades, a lince foi confiscada e transferida para o centro de resgate próximo de Kyiv.
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A avaliação veterinária mostrou que as consequências daquele começo de vida iam além do confinamento. Ursa apresentava infecções intestinais graves e desenvolvimento comprometido pela desnutrição, permanecendo significativamente menor do que seria esperado para um animal de sua idade.
Criada pelas mãos de seres humanos durante uma fase decisiva do desenvolvimento, Ursa também não adquiriu as habilidades necessárias para sobreviver sozinha. Os responsáveis por seu acompanhamento concluíram que a devolução à natureza não seria uma alternativa segura.
Isso transformou o resgate em uma missão com objetivo diferente da reintrodução: encontrar um local capaz de manter a felina protegida e sob cuidados especializados durante toda a vida.
Guerra tornou a permanência perto de Kyiv um risco adicional

Mesmo depois de deixar o cativeiro doméstico, o problema estava longe de ser resolvido. Ursa permanecia no Wild Animal Rescue Center, perto de Kyiv, enquanto o conflito continuava em território ucraniano. Para o The Big Cat Sanctuary, retirar a lince daquela situação exigiria planejamento veterinário, transporte especializado, documentação internacional e coordenação para atravessar fronteiras.
A operação ficou sob a liderança de Cam Whitnall, diretor-geral do The Big Cat Sanctuary, em parceria com profissionais da Crossborder Animal Services. A instituição descreveu o transporte como complexo justamente porque envolvia animais selvagens vulneráveis saindo de uma zona de conflito e seguindo por diferentes etapas até seus destinos.
Ursa não foi o único animal retirado da Ucrânia durante a missão. A equipe também transportou Mir, um tigre-de-amur, que seguiu para o Natuurhulpcentrum, na Bélgica, enquanto a lince continuou sua jornada até o Reino Unido.
Depois da longa travessia pela Europa, Ursa finalmente chegou a Kent, onde passou a ser acompanhada por uma equipe especializada em felinos selvagens.
Campanha ultrapassou £134 mil antes da conclusão do resgate
Transportar Ursa e preparar uma estrutura adequada para recebê-la exigia também uma operação financeira. A meta inicial estabelecida pelo The Big Cat Sanctuary era de £100 mil, valor destinado ao resgate, transporte, preparação do recinto e cuidados relacionados à chegada da felina.
Em 4 de fevereiro de 2026, antes da viagem ser concluída, a instituição anunciou que a arrecadação havia superado o objetivo. Uma contribuição de £50 mil feita pela empresa Premier Coatings ajudou a elevar o total para exatamente £134.152,80.
O dinheiro que ultrapassou a meta inicial permitiu ampliar o projeto preparado para a lince. Entre as melhorias anunciadas estavam caminhos destinados ao trabalho dos tratadores, estruturas elevadas para estimular o comportamento natural de escalada e novas áreas de vegetação ao redor do espaço.
A campanha, portanto, deixou de financiar apenas a retirada de Ursa da Ucrânia e passou a permitir uma estrutura mais ampla para sua adaptação e para futuros animais resgatados.
Novo centro terá estruturas pensadas para pequenos felinos selvagens
O futuro espaço de Ursa fará parte do Small Cat Rescue Centre, que recebeu oficialmente o nome de Premier Coatings Small Cat Rescue Centre em reconhecimento ao apoio financeiro da empresa. A proposta é criar uma instalação voltada a pequenos felinos que não possam retornar à natureza.
Ursa será uma das residentes do local. O projeto também foi desenvolvido para receber outros animais resgatados, incluindo Blob, um bobcat, e Rhys, outro lince-euroasiático que já havia chegado ao santuário em 2025.
Para a lince, o recinto permanente deverá incluir estruturas de escalada e elementos de enriquecimento ambiental capazes de incentivar movimentos e comportamentos próprios da espécie. Enquanto a construção não estiver concluída, ela permanecerá em uma instalação temporária acompanhada pelos tratadores.
O compromisso anunciado pelo santuário é fornecer a Ursa alimentação especializada, acompanhamento veterinário e cuidados durante toda a vida, já que a própria condição física e o histórico de criação impedem uma futura soltura.
Resgate aproveitou experiência adquirida com cinco leões retirados da Ucrânia
A operação com Ursa não foi a primeira realizada pelo The Big Cat Sanctuary em território ucraniano. Antes dela, a organização havia participado do resgate de cinco leões, Rori, Amani, Lira, Vanda e Yuna, retirados da Ucrânia e posteriormente levados ao Reino Unido.
Naquela campanha, denominada Big Cats in Crisis, aproximadamente £500 mil foram arrecadados para construir um centro destinado aos leões, estrutura que serviu de experiência para novas operações envolvendo animais atingidos pelas consequências do conflito.
O caso de Ursa apresentou outro desafio. Embora menor que os leões e o tigre transportado durante a mesma missão, a felina chegou ao projeto com consequências do período em que havia sido mantida ilegalmente como pet e com necessidade permanente de assistência humana.
Para a equipe responsável pelo resgate, retirar o animal da zona de conflito representava apenas o primeiro estágio; seria necessário criar condições para que sua vida continuasse de maneira estável depois da viagem.
De um cativeiro ilegal na Ucrânia a cuidados permanentes em Kent
Quando colocou as patas em território britânico em fevereiro de 2026, Ursa acumulava uma trajetória incomum para uma lince de apenas três anos: nascimento durante a guerra, cativeiro doméstico ilegal, problemas provocados pela alimentação inadequada, passagem por um centro de resgate próximo de Kyiv e uma operação internacional até o Reino Unido.
Agora, a felina permanece sob responsabilidade do The Big Cat Sanctuary enquanto seu espaço definitivo é preparado. O fato de não poder retornar à natureza significa que a chegada a Kent não representa uma reintrodução, mas o início de uma rotina permanente de manejo, acompanhamento veterinário, alimentação adequada e enriquecimento ambiental.
A história também coloca em evidência os efeitos que o comércio e a manutenção ilegal de animais selvagens podem produzir mesmo depois de um resgate: no caso de Ursa, as consequências dos primeiros anos foram consideradas suficientes para impedir que ela desenvolvesse condições de viver de forma independente.
E você, o que mais chama sua atenção nessa história: a operação necessária para retirar Ursa de uma zona de guerra, a mobilização que arrecadou mais de £134 mil ou o fato de uma lince selvagem ter sido criada ilegalmente como animal de estimação? Deixe sua opinião nos comentários.

