Lília Fernanda Sousa Costa, estudante de escola pública e aluna do NES/Ufal, virou a primeira alagoana classificada para a PAGMO, olimpíada internacional de matemática que reúne talentos das Américas e leva o Brasil à Colômbia.
Alagoas acaba de colocar um nome novo no mapa das grandes competições de exatas. Aos 14 anos, Lília Fernanda Sousa Costa garantiu uma vaga inédita para o estado na Pan-American Girls’ Mathematical Olympiad, a PAGMO 2026, e vai representar o Brasil na Colômbia depois de entrar para a equipe nacional feminina de matemática. Estudante de escola pública, ela virou a primeira alagoana a alcançar esse patamar internacional.
3º lugar no processo seletivo nacional colocou Alagoas no time do Brasil
A vaga de Lília não veio por acaso nem por convite simbólico. Ela terminou em 3º lugar no processo seletivo nacional para a equipe brasileira da PAGMO 2026, disputa que reuniu as 40 melhores estudantes do país com base, principalmente, nos resultados mais recentes da Olimpíada Brasileira de Matemática, além de outros desempenhos de peso, como OBMEP e Jacob Palis.
Os testes foram aplicados entre fevereiro e março, e só quatro nomes saíram dessa seleção para representar o Brasil na Colômbia.
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Dois ouros seguidos transformaram a estudante em referência no estado
A classificação internacional veio no embalo de uma sequência que já tinha colocado o nome dela entre os maiores destaques da matemática escolar em Alagoas.
Em 2025, Lília se tornou a primeira estudante alagoana a conquistar dois ouros consecutivos na OBMEP.
No mesmo ano, também faturou o segundo ouro seguido na Olimpíada Alagoana de Matemática, com a maior nota do nível correspondente ao 8º e 9º anos do Ensino Fundamental.
Esse histórico ganha ainda mais peso quando se olha o tamanho da competição. Na edição de 2024 da OBMEP, Alagoas bateu recorde com nove ouros, e Lília apareceu entre os nomes centrais desse resultado.
Ela também virou apenas a terceira estudante da rede estadual alagoana a conquistar um ouro nacional na história da olimpíada.
Escola pública, interior de Alagoas e rotina puxada de preparação
Com 14 anos, Lília cursa o 9º ano, em Arapiraca, e mora em Limoeiro de Anadia, no Agreste alagoano.
Filha de servidores públicos, ela foi cercada cedo por incentivo dentro de casa e por uma rede de professores que ajudou a empurrar seu desempenho para outro patamar.
O professor Messias Silva contou que o atendimento passou a ser individualizado nos últimos dois anos, com listas semanais, motivação constante e acesso à biblioteca particular dele, abastecida com livros da SBM e do IMPA.
O NES/Ufal entrou na rota e acelerou ainda mais a subida
A trajetória de Lília também se cruza com um projeto que vem mudando o jogo das exatas em Alagoas.
Ela integra o NES/Ufal, programa vinculado ao Instituto de Matemática da universidade que trabalha com formação avançada em matemática, programação, ciência de dados e áreas afins.
A própria estudante disse que o NES foi fundamental para o desenvolvimento dela e destacou a qualidade das aulas e da didática.
O peso desse projeto aparece no que ele construiu ao longo dos últimos anos. O NES é gratuito, tem duração de três anos e nasceu para formar talentos em ciências exatas, com atuação em mais de 20 cidades alagoanas e apoio também a estudantes de baixa renda, inclusive com previsão de bolsas para permanência.
Em 2025, o programa ainda conquistou o 2º lugar no Prêmio USP de Impacto Social na categoria Educação de Qualidade, reforçando a força da iniciativa no estado.
O Nordeste dominou a equipe e deixou a seleção brasileira com outra cara
A equipe brasileira da PAGMO 2026 também trouxe um detalhe que pesa. Das quatro estudantes escolhidas para defender o país, três são do Nordeste: Lília, de Alagoas; Letícia Dias Damasceno, do Ceará; e Júlia Barros Soares, do Piauí. A quarta integrante é Marina Nogueira D’Emidio, de São Paulo.
O recorte joga luz sobre uma região que vem empilhando talento e resultado em olimpíadas científicas.
Agora, o que começou em sala de aula, listas de exercícios e treinamento pesado vai ganhar escala continental.
Lília chega à PAGMO 2026 carregando uma marca inédita para Alagoas, o peso de representar o Brasil e a força de uma trajetória que nasceu na escola pública e atravessou fronteiras pela matemática.
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