A antiga fazenda isolada da Ilha Campbell acumulou milhares de ovelhas sem manejo, degradou a vegetação nativa e exigiu décadas de ações para recuperar o ecossistema
A trajetória agrícola da Ilha Campbell começou em 1895 e avançou por décadas até ser totalmente abandonada em 1931, porque o transporte marítimo instável e a recessão global inviabilizaram a continuidade da atividade. A concessão de pastagem passou pelas mãos de vários arrendatários e enfrentou sucessivas dificuldades.
Além disso, a ilha já era usada desde 1894 para cultivo, caça de focas e baleias, além de servir como ponto estratégico para defesa costeira e observações meteorológicas. Esse conjunto de atividades moldou o primeiro ciclo humano no território.
Em 1895, cerca de 400 ovelhas foram introduzidas na paisagem remota. O isolamento era extremo e tornou complicado encontrar trabalhadores dispostos a permanecer ali por longos períodos.
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Poucos anos depois, pastores oriundos das Ilhas Shetland, no norte da Escócia, foram contratados para assegurar o funcionamento da fazenda.
A operação, porém, começou a perder fôlego na década de 1920. O número de navios que chegavam à Ilha Campbell caiu, portanto ficou mais difícil receber mantimentos básicos.
Essa limitação afetou o cotidiano dos trabalhadores e reduziu as perspectivas de continuidade da produção.
Em 1927, aproximadamente 5.000 ovelhas foram soltas no território. A medida tinha como objetivo expandir o rebanho e manter a viabilidade da criação.
Mas os preços da carne e dos ovinos despencaram logo depois. A crise atingiu em cheio o arrendatário John Warren, que desistiu da ilha em 1931 e a deixou em situação de miséria, junto com um enorme contingente de ovelhas já sem manejo humano.
O histórico completo das operações agrícolas nunca foi totalmente documentado. Porém, o diário de Alfred Austin, escrito diariamente entre novembro de 1919 e novembro de 1921, oferece uma visão rara da rotina de criação em um ambiente oceânico isolado da colonização contínua.
As ovelhas selvagens e o impacto ambiental crescente
Com a saída dos últimos trabalhadores, as ovelhas permaneceram na ilha e passaram a viver de forma totalmente selvagem.
Estimativas indicam que a população pode ter alcançado entre 7.000 e 8.000 animais por volta de 1913, o que pressionou fortemente a vegetação nativa ao longo dos anos seguintes.
A intensidade do pastejo acelerou a degradação ambiental porque a flora local não estava adaptada ao impacto de mamíferos exóticos. A perda de cobertura vegetal tornou a área sensível e mais propensa a danos duradouros.
Em 1954, a Ilha Campbell foi oficialmente declarada reserva natural. O status marcou uma virada de proteção ambiental.
A partir de 1970, iniciou-se um programa de erradicação das ovelhas selvagens. Cercas foram erguidas em 1970 e 1984 para dividir o território e organizar a remoção de forma gradual.
Aproximadamente 7.000 animais foram abatidos ao longo das etapas, até a conclusão definitiva em 1992.
O objetivo era restaurar o ecossistema subantártico da ilha. Portanto, a retirada dos ovinos buscou proteger flora, fauna e habitats altamente frágeis.
A recuperação começou a aparecer com o aumento de plantas nativas, como macroforbas e gramíneas.
A saga das ovelhas da Ilha Campbell mostra como práticas agrícolas em ambientes remotos podem provocar impactos amplos e prolongados.
Além disso, evidencia o desafio de reconstruir um ecossistema após décadas de pressão ambiental intensa.
Com informações de Doc.govt.nz, Wikipedia e outras fontes.

