1. Início
  2. / Curiosidades
  3. / Lei transforma obsolescência programada em crime, impõe teto de 300 mil ou 5% do faturamento e ainda cria nota obrigatória de 0 a 10 para medir reparabilidade
Tempo de leitura 3 min de leitura Comentários 1 comentário

Lei transforma obsolescência programada em crime, impõe teto de 300 mil ou 5% do faturamento e ainda cria nota obrigatória de 0 a 10 para medir reparabilidade

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 19/02/2026 às 07:21
Atualizado em 19/02/2026 às 07:23
Entenda a obsolescência programada e como a França a penaliza com multas de até € 300 mil desde 2015.
Entenda a obsolescência programada e como a França a penaliza com multas de até € 300 mil desde 2015.
  • Reação
1 pessoa reagiu a isso.
Reagir ao artigo

Legislação em vigor desde 2015 prevê multas de até €300 mil ou 5% do faturamento anual para empresas que reduzirem deliberadamente a vida útil de produtos, inclui sanções penais, registrou multa de €25 milhões em 2020 e implantou, em 2021, índice obrigatório de reparabilidade com nota de 0 a 10 para eletrônicos

Desde 2015, a França considera crime reduzir intencionalmente a vida útil de um produto, a obsolescência programada, prevendo multas de até € 300 mil ou 5% do faturamento anual. Em 2020, a Apple foi multada em € 25 milhões. Em 2021, o país criou o Índice de Reparabilidade.

Criminalização da redução intencional da vida útil

A legislação francesa estabelece que empresas que comprovadamente encurtem de forma deliberada a durabilidade de seus produtos podem enfrentar multas que chegam a €300 mil ou até 5% do faturamento anual, além de possíveis sanções penais.

A norma entrou em vigor em 2015 e passou a enquadrar como crime práticas destinadas a reduzir propositalmente a vida útil de bens de consumo, inserindo o tema no centro da política pública do país.

A medida representou uma mudança estrutural na forma como o Estado francês passou a tratar a relação entre fabricantes, consumidores e ciclo de vida dos produtos.

Mobilização liderada por Laetitia Vasseur e HOP

A mudança ganhou força após anos de mobilização liderada pela ativista Laetitia Vasseur e pela organização Halte à l’Obsolescence Programmée, conhecida como HOP.

A entidade pressionou autoridades a investigar práticas abusivas da indústria e apresentou denúncias relacionadas à durabilidade de produtos, ampliando o debate público sobre obsolescência programada.

A atuação do grupo contribuiu para que o tema fosse incorporado de forma definitiva à agenda legislativa francesa.

Multa de €25 milhões à Apple em 2020

O tema ganhou repercussão internacional quando a Apple foi multada em 25 milhões de euros, em 2020, por não informar adequadamente consumidores sobre a desaceleração de modelos antigos de iPhone.

A penalidade foi aplicada após investigação conduzida por autoridades francesas, que concluíram que os consumidores não haviam sido devidamente informados sobre o impacto das atualizações no desempenho dos aparelhos.

O caso ampliou a visibilidade internacional da política francesa de combate à obsolescência programada e reforçou a aplicação prática da legislação.

Índice de Reparabilidade com nota de 0 a 10

Em 2021, a França lançou o Índice de Reparabilidade, obrigando fabricantes de eletrônicos como smartphones e notebooks a exibirem uma nota de 0 a 10 indicando o quão fácil é consertar o produto.

A exigência busca permitir que consumidores comparem dispositivos também com base na facilidade de reparo, incentivando escolhas mais sustentáveis no momento da compra.

A medida integra a estratégia do país de estimular produtos mais duráveis e reparáveis como parte essencial da economia do futuro.

Fundo nacional para subsidiar reparos

Além das sanções e da transparência obrigatória, foi criado um fundo nacional para subsidiar reparos, tornando o conserto financeiramente mais vantajoso do que a substituição.

A iniciativa pretende reduzir o descarte precoce de eletrônicos e enfrentar o aumento global no consumo de matérias-primas e na geração de lixo eletrônico.

Ao combinar criminalização, informação ao consumidor e incentivo financeiro ao reparo, a França estruturou uma política pública voltada à ampliação da durabilidade dos produtos e à redução do impacto ambiental associado ao consumo acelerado.

Com essas medidas, o país consolidou um modelo regulatório que associa responsabilização empresarial, direito à informação e estímulo à reparabilidade como pilares centrais da economia circular.

A estratégia francesa reforça a ideia de que produtos mais duráveis e reparáveis são elemento essencial para enfrentar o crescimento do lixo eletrônico e os desafios da produção industrial contemorânea.

Inscreva-se
Notificar de
guest
1 Comentário
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Francisco E S Morás
Francisco E S Morás
19/02/2026 12:34

Como provar?
Davi contra Golias, só sendo ungido de Deus…

Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
1
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x