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‘Lego da construção’ Brasil ao Cubo quer dominar o Minha Casa Minha Vida com prédios de oito andares montados em seis meses, cortar terço dos custos e usar Gerdau e Dexco para fabricar muitos apartamentos

Publicado em 22/12/2025 às 11:33
Brasil ao Cubo aposta na construção modular para dominar o Minha Casa Minha Vida com apoio da Gerdau e Dexco, reduzindo custos e tempo das obras.
Brasil ao Cubo aposta na construção modular para dominar o Minha Casa Minha Vida com apoio da Gerdau e Dexco, reduzindo custos e tempo das obras.
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Startup Brasil ao Cubo, apoiada por Gerdau e Dexco, aposta na construção modular volumétrica para disputar o Minha Casa Minha Vida com prédios de até dez andares, erguidos em seis meses, reduzindo um terço dos custos e prometendo milhares de apartamentos populares a partir de 2025 em todo o país

Em 2025, a Brasil ao Cubo, construtech sediada em Tubarão em Santa Catarina, vai erguer um prédio de oito andares enquadrado na faixa 3 do Minha Casa Minha Vida, apostando na construção modular volumétrica para montar apartamentos como se fossem blocos de Lego em tempo recorde. A maior parte da obra será feita em fábrica, com módulos quase prontos chegando ao canteiro apenas para encaixe.

O projeto, com Valor Geral de Vendas estimado em 39 milhões de reais, marca a entrada mais agressiva da empresa no programa habitacional e antecipa um plano de expansão que inclui nova fábrica no Sudeste até 2028 e torres populares de mais de oito pavimentos lançadas a partir de 2027. A ambição é transformar o Minha Casa Minha Vida em um dos principais motores de crescimento da construtech.

Lego da construção entra na briga do Minha Casa Minha Vida

A Brasil ao Cubo é uma das pioneiras da chamada construção modular no país e ficou conhecida como o “Lego da construção”, porque boa parte da obra acontece em ambiente industrial e só depois segue para o terreno.

Os módulos chegam quase prontos, o que reduz a necessidade de profissionais no canteiro e encurta prazos. Até agora, a empresa atuava no Minha Casa Minha Vida apenas em empreendimentos menores, de dois andares.

Com o prédio de oito pavimentos em Tubarão, a companhia decide disputar de igual para igual com as grandes construtoras num dos segmentos mais concorridos do mercado popular.

A estratégia é fazer do Minha Casa Minha Vida um divisor de águas no faturamento, aumentando de forma significativa o peso do programa na receita total nos próximos anos.

Como funciona a construção modular volumétrica da Brasil ao Cubo

O novo empreendimento do Minha Casa Minha Vida em Tubarão será erguido com construção modular volumétrica. Nesse modelo, os prédios são montados a partir de módulos produzidos em uma planta industrial, transportados por carretas e posicionados no terreno como grandes blocos tridimensionais.

Cada módulo tem estrutura metálica, formato de paralelepípedo e cerca de 50 metros quadrados, funcionando como chassi dos cômodos do apartamento.

Esses módulos saem da fábrica com grande parte do acabamento já instalada, incluindo revestimentos, esquadrias e boa parte das instalações internas.

No canteiro, os blocos são encaixados e interligados, o que permite ajustar a metragem dos ambientes com relativa flexibilidade.

A promessa é que essa industrialização torne os projetos do Minha Casa Minha Vida mais previsíveis, com menor desperdício, menos retrabalho e cronogramas mais fáceis de cumprir.

Custos caem um terço e prazos encurtam para seis meses

Segundo o fundador e CEO Ricardo Mateus, ex-soldador que se tornou engenheiro e criou a Brasil ao Cubo em 2016, a virada aconteceu há cerca de dois anos, quando a empresa decidiu investir em uma linha de montagem com produtos 100% padronizados.

A padronização, afirma o executivo, permitiu reduzir os custos médios das obras em aproximadamente um terço em relação aos primeiros contratos da construtech.

Hoje, o custo médio declarado pela Brasil ao Cubo é de 2,9 mil reais por metro quadrado, nível que a empresa considera equivalente ao da construção civil tradicional. A diferença, sustenta Mateus, está na produtividade.

A meta é erguer uma obra de dez andares em seis meses, o que representa algo próximo de um quarto do tempo gasto em métodos convencionais, usando cerca de metade do número de profissionais, somando a equipe da fábrica e do canteiro.

A mão de obra no terreno também pode ser menos especializada, já que o foco passa a ser montagem e não construção peça a peça.

Fábricas, capacidade e próximos lançamentos populares

Atualmente, a Brasil ao Cubo opera uma única fábrica em Tubarão, responsável por uma capacidade anual equivalente a 1.056 apartamentos.

Para transformar o Minha Casa Minha Vida em um eixo central do negócio, a companhia planeja abrir uma nova planta industrial na região Sudeste do país, ainda sem localização revelada ao mercado.

Com as duas fábricas em operação, a construtech projeta chegar a 4.032 unidades por ano em 2028. Já em 2027, o plano é lançar pelo menos oito torres com mais de oito pavimentos enquadradas no Minha Casa Minha Vida, replicando em larga escala o modelo que começa a ser testado no edifício de oito andares em Tubarão.

A ideia é que o programa habitacional funcione como vitrine para o potencial da construção modular em projetos residenciais de grande porte.

Portfólio bilionário e investidores de peso no negócio

Mesmo com o foco crescente no Minha Casa Minha Vida, a maior fatia do faturamento ainda vem de instalações industriais. Em 2025, a Brasil ao Cubo soma cerca de 1,1 bilhão de reais em projetos, incluindo a participação no desenvolvimento de uma megaplanta da Arauco no Mato Grosso do Sul e obras para gigantes como Suzano, Ambev e Vale.

Esse portfólio serve de base para a expansão rumo ao mercado de habitação popular.

O avanço é reforçado por sócios corporativos relevantes. A siderúrgica Gerdau começou a investir na construtech em 2020 e hoje detém aproximadamente 44% do capital.

Já a Dexco, dona de marcas como Deca e Hydra, aportou 89 milhões de reais por meio do fundo de corporate venture capital DX Ventures e passou a controlar 19,9% da Brasil ao Cubo.

Para a Dexco, apoiar a construção modular é também uma forma de acelerar soluções para o déficit habitacional e para os gargalos de mão de obra no setor.

Déficit de moradia, falta de mão de obra e disputa com rivais

Do ponto de vista dos investidores, a Brasil ao Cubo ajuda a atacar um problema crescente: a escassez de trabalhadores na construção civil.

A idade média do profissional de obra está em torno de 39 anos, enquanto muitos jovens preferem atuar em atividades ligadas à nova economia, como serviços em plataformas digitais.

Ao transferir parte do Minha Casa Minha Vida para dentro de uma fábrica climatizada e com plano de carreira, a expectativa é atrair novos perfis de trabalhadores e diminuir o desperdício de materiais no processo produtivo.

A empresa, porém, não está sozinha.

Outras construtoras apostam em soluções de construção modular no Brasil, cada uma com seu desenho, entre elas a Tecverde em parceria com a Arauco, a Alea, ligada à Tenda, e a SteelCorp, de Roberto Justus, que conta com investimentos de Reag e Banco Master.

Ao mesmo tempo, quase toda a cadeia de fornecedores ainda funciona com base na construção tradicional, o que torna a mudança de modelo mais lenta.

Mesmo assim, empresas convencionais do setor já têm procurado a Brasil ao Cubo em busca de produtividade para projetos que também podem ser enquadrados no Minha Casa Minha Vida.

Quando a construção modular deixa de ser nicho

No cenário internacional, soluções de construção modular existem há pelo menos dois séculos e são usadas há décadas em países desenvolvidos.

A diferença é que, segundo relatórios recentes de consultorias como a McKinsey, a combinação de dados, tecnologia e automação vem permitindo que esse modelo finalmente alcance escala e competitividade frente à construção convencional.

Esses estudos indicam que a construção modular pode enfrentar alguns dos desafios mais urgentes do setor, como o baixo crescimento de produtividade, a escassez global de mão de obra, o déficit habitacional e as emissões de dióxido de carbono.

Ao levar essa lógica para os empreendimentos do Minha Casa Minha Vida, a Brasil ao Cubo aposta que as peças do seu próprio Lego de aço e concreto estão se encaixando no momento certo, conectando demanda social, tecnologia e indústria pesada.

E você, aceitaria morar em um apartamento do Minha Casa Minha Vida montado em seis meses como um Lego da construção ou ainda confia mais nas obras tradicionais levantadas tijolo por tijolo?

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Celio Queiroz Junior
Celio Queiroz Junior
23/12/2025 08:43

Não

Lucas
Lucas
Em resposta a  Celio Queiroz Junior
26/12/2025 13:14

Sim

Fonte
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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