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Lava de vulcão se transforma em fios tão finos quanto cabelo humano que viajam mais de 30 quilômetros pelo vento e caem como chuva cortante sobre telhados e quintais no Havaí e na Islândia

Publicado em 28/03/2026 às 12:43
Atualizado em 28/03/2026 às 12:45
Lava de vulcão vira fios de vidro chamados cabelos de Pele que viajam 30 km pelo vento e caem sobre o Havaí como chuva cortante. Entenda.
Lava de vulcão vira fios de vidro chamados cabelos de Pele que viajam 30 km pelo vento e caem sobre o Havaí como chuva cortante. Entenda.
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Quando a lava de um vulcão é lançada ao ar durante uma erupção, ela pode se transformar em fios de vidro tão finos quanto cabelo humano. Chamados de cabelos de Pele, esses filamentos viajam mais de 30 quilômetros pelo vento e caem como chuva cortante sobre comunidades no Havaí e na Islândia.

A lava de um vulcão pode fazer algo que parece improvável: se transformar em fios de vidro tão finos que lembram cabelo humano. Essas estruturas, conhecidas como cabelos de Pele nome que homenageia a deusa da mitologia havaiana associada aos vulcões, se formam quando o magma ainda líquido é lançado ao ar e esticado rapidamente por jatos de gases liberados durante a erupção. Ao esfriar em frações de segundo, o material derretido se solidifica em filamentos de vidro vulcânico extremamente delgados.

O fenômeno não é apenas uma curiosidade geológica. Esses fios produzidos pelo vulcão são leves o suficiente para serem carregados pelo vento por dezenas de quilômetros, caindo como uma espécie de chuva fina sobre telhados, quintais e calhas de residências em regiões vulcanicamente ativas. Em um episódio recente no Havaí, fragmentos gerados pelo vulcão Kilauea foram encontrados a cerca de 32 quilômetros de distância do local da erupção e, apesar da aparência delicada, o material é cortante como fibra de vidro e pode causar irritações na pele e nos olhos.

Como a lava de um vulcão se transforma em fios de vidro

Fios de pele percorrem quilômetros — Foto: Serviço Nacional de Parques USA

O processo que converte lava em filamentos de vidro começa no exato momento da erupção. Segundo um estudo recente publicado na revista Geology, quando a lava borbulhante é puxada por jatos de gases vulcânicos, o material derretido se alonga em fios extremamente finos alguns com espessura comparável à de um fio de cabelo humano.

A rapidez do resfriamento ao ar é o que impede a formação de cristais e resulta em vidro vulcânico em vez de rocha convencional.

O que diferencia os cabelos de Pele de outros produtos de erupção é justamente essa combinação de estiramento e resfriamento instantâneo. A lava precisa estar em estado líquido suficientemente fluido para ser puxada em filamentos antes de solidificar, e a velocidade dos gases precisa ser alta o bastante para produzir o alongamento.

Quando essas condições se alinham, o vulcão gera não apenas cinzas e fragmentos rochosos, mas também esses fios de vidro que podem se acumular em grande quantidade ao redor do local da erupção.

Por que os fios aparecem agrupados em feixes

O fenômeno dos cabelos de Pele já era conhecido pela ciência, mas uma dúvida persistia: por que, em alguns casos, esses fios produzidos pelo vulcão aparecem agrupados em feixes com centenas ou até milhares de filamentos alinhados? A nova pesquisa publicada na Geology oferece uma explicação.

Os cientistas sugerem que a formação de feixes acontece quando o magma não apenas se estica individualmente, mas passa por um processo mais organizado de alongamento coletivo como se vários fios fossem puxados ao mesmo tempo na mesma direção pelos gases do vulcão.

Esse mecanismo produz estruturas que se assemelham a cabelos agrupados, e que podem ser encontradas depositadas em superfícies a quilômetros de distância da cratera. A descoberta ajuda a entender por que algumas erupções geram quantidades muito maiores desses filamentos do que outras.

Chuva de vidro sobre telhados no Havaí e na Islândia

Na prática, os cabelos de Pele representam um incômodo real para comunidades que vivem próximas a vulcões ativos. No Havaí, onde o vulcão Kilauea é uma das fontes mais conhecidas desse fenômeno, os fios de vidro se acumulam sobre telhados, quintais, veículos e vegetação, e podem entupir calhas e sistemas de drenagem. A Islândia, outro país com intensa atividade vulcânica, enfrenta situações semelhantes durante erupções.

O problema vai além da sujeira. Como os filamentos são feitos de vidro vulcânico, eles são cortantes e podem causar irritações na pele e nos olhos quando manuseados sem proteção. Em regiões onde a chuva de cabelos de Pele é frequente, moradores aprendem a evitar o contato direto e a limpar superfícies com cuidado.

Para animais domésticos e gado, os fios também representam risco, especialmente se ingeridos junto com a pastagem.

O que o vulcão Kilauea ensina sobre o alcance dos fios

O caso do vulcão Kilauea no Havaí é emblemático para entender o alcance dos cabelos de Pele. Fragmentos de vidro vulcânico produzidos durante erupções recentes foram encontrados a cerca de 32 quilômetros de distância do ponto de origem, o que demonstra que os fios são leves o suficiente para percorrer distâncias consideráveis transportados pelo vento antes de se depositarem.

Essa capacidade de dispersão é o que torna o fenômeno relevante para comunidades que não estão imediatamente ao lado do vulcão. Mesmo áreas consideradas relativamente distantes da cratera podem receber depósitos significativos de fios de vidro, dependendo da intensidade da erupção, da fluidez da lava e da direção e velocidade dos ventos.

O Kilauea, por ser um dos vulcões mais ativos do planeta, oferece aos cientistas um laboratório natural contínuo para estudar a formação, dispersão e impacto desses filamentos sobre o ambiente e as populações locais.

Um fenômeno que conecta mitologia e ciência moderna

O nome cabelos de Pele conecta o fenômeno à tradição cultural havaiana. Pele é a deusa dos vulcões na mitologia do Havaí, e a denominação reflete a observação ancestral dos moradores da ilha de que a lava do vulcão podia se transformar em fios semelhantes a cabelo durante erupções.

O que gerações de havaianos observaram empiricamente, a ciência moderna agora explica com modelos de dinâmica de fluidos e análises de resfriamento de vidro vulcânico.

A pesquisa publicada na Geology avança nessa compreensão ao detalhar o mecanismo de formação dos feixes, mas os próprios autores reconhecem que há mais a entender.

Cada erupção de vulcão produz condições ligeiramente diferentes de temperatura, viscosidade e velocidade dos gases, o que significa que a quantidade e o tipo de cabelos de Pele variam de evento para evento. Para as comunidades que convivem com vulcões ativos, essa variabilidade é justamente o que torna difícil prever quando a próxima chuva de vidro vai chegar.

Com informações do portal da G1.

Você conhecia os cabelos de Pele? O que achou de saber que lava de vulcão pode virar fios de vidro que viajam dezenas de quilômetros pelo ar? Deixe sua opinião nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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