Aos 41 anos, o italiano relata à BBC que entrou no seminário aos 25, fundou uma organização de caridade em Nápoles e recebeu a ligação sobre a menina quando ela tinha 13 dias. Em novembro, lançou o livro Nata per te, com Luca Mercadante, sobre a sua experiência como pai
Luca Trapanese é solteiro, gay e, em julho de 2017, adotou Alba, uma bebê com síndrome de Down que, segundo ele, já havia sido rejeitada por 20 famílias. A menina tinha apenas 13 dias de idade quando ele recebeu a ligação sobre o caso.
O depoimento foi concedido ao programa de rádio Outlook, da BBC, e publicado em 28 de dezembro de 2018. Em novembro, o italiano de 41 anos lançou o livro Nata per te (Nascida para Você, em tradução literal), escrito em parceria com Luca Mercadante, sobre sua experiência como pai.
Morte do amigo Diego, aos 14 anos, mudou o rumo dele

Quando Luca Trapanese tinha 14 anos, seu melhor amigo, Diego, descobriu que tinha câncer terminal. Ele conta que decidiu nunca se separar do amigo, acompanhou-o no hospital e esteve presente sempre que foi necessário, até o fim.
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A morte de Diego, segundo Luca, deixou nele uma profunda consciência do que significa viver com uma doença.
Ele virou voluntário em uma igreja de Nápoles
Depois dessa experiência, Luca Trapanese se tornou voluntário em uma igreja em Nápoles para ajudar pessoas com doenças críticas e crianças com deficiências.
Ele descreve o período como uma experiência maravilhosa, que lhe permitiu conhecer muita gente que se tornou amiga para a vida inteira.
Aos 25 anos, entrou no seminário e ficou dois anos
Luca entrou no seminário aos 25 anos e passou dois anos lá dentro, até conhecer um homem e se apaixonar.
“Deixar o seminário não foi difícil para mim. Meus amigos e familiares foram muito compreensivos”, relatou.
Relação de 11 anos deu origem a uma ONG em Nápoles

Luca e o parceiro passaram 11 anos juntos, período que ele descreve como a história de amor mais bonita da sua vida.
Juntos, os dois fundaram uma organização de caridade em Nápoles para pessoas com deficiências.
Professora aposentada o adotou para dar um irmão a Francesco
Por meio da fundação, Luca criou vínculos com muitas pessoas, que ele chama de sua “família estendida”. Uma delas é Francesco, filho da professora aposentada Florinda, dois anos mais novo que Luca e com deficiência intelectual.
Florinda estava preocupada com o que aconteceria com Francesco depois que ela morresse, já que não havia outros parentes para cuidar dele, e perguntou se poderia adotar Luca para que Francesco tivesse um irmão.
Pais biológicos deram permissão e ele passou a ter duas mães
No começo, Luca hesitou, temendo que seus pais biológicos achassem que ele os estava traindo. Quando falou com eles, porém, a permissão veio imediatamente.
“Nós fomos ao tribunal e agora eu tenho duas mães”, contou. Segundo ele, Francesco entendeu o que estava acontecendo e passou a tratá-lo como família, a ponto de aparecer no apartamento dele sem avisar, para conversar.
Fim do relacionamento adiou o plano de ser pai
Luca e o parceiro sempre falavam sobre adotar, e ambos concordavam que seria uma criança com deficiência.
O relacionamento terminou há alguns anos, e ele passou a morar sozinho. “Foi muito difícil porque eu ainda queria ser pai, mas na Itália pais solteiros ainda não podiam adotar”, disse.
No início de 2017, ele conseguiu se candidatar como adotante
Depois de mudanças nas regras, Luca conseguiu se candidatar como adotante no início de 2017.
Disseram a ele que só apresentariam crianças com doenças, deficiências graves ou problemas comportamentais, uma criança que tivesse sido rejeitada por todas as famílias tradicionais. Ele afirma que estava completamente de acordo e que, graças à sua experiência pessoal, sabia ter os recursos necessários para lidar com os problemas que a criança tivesse.
Ligação em julho de 2017 falava de uma bebê de 13 dias
Em julho de 2017, Luca recebeu a ligação informando que tinham uma menina para ele, chamada Alba, com apenas 13 dias de idade.
Ela tinha síndrome de Down, foi abandonada pela mãe quando nasceu e havia sido rejeitada por mais de 20 famílias, conforme o relato dele.
Ele disse sim na hora e correu ao hospital
“Foi difícil conter minha alegria. Eu disse sim na mesma hora”, contou Luca Trapanese, que correu ao hospital para buscar a menina.
“Ela estava em um bercinho pequeno, sozinha”, relatou. “Quando a segurei em meus braços, me enchi de alegria. Senti nesse instante que ela era minha filha. Que eu estava pronto para ser o pai dela.”
Primeiros dias foram na casa de campo da família
Nos primeiros dias, Luca quis ficar sozinho com Alba, sem que suas mães estivessem por perto dizendo o que ele deveria ou não fazer.
Ele levou a menina para a casa de campo da família para criar vínculos, período que descreve como os momentos mais doces dos dois. Depois, organizou uma festa para apresentá-la à família estendida, com parentes e amigos do trabalho de caridade.
Aos 18 meses, Alba gosta de brincar, dançar e sair com o pai
Alba tem 18 meses, tem uma personalidade muito forte e às vezes é muito teimosa, segundo o pai. Ela gosta de brincar e dançar o dia inteiro.
Como adora estar com outras pessoas, Luca a leva para passear no parque, em museus ou para trabalhar com ele, o que, diz o pai, a menina ama.
Situação atual: “Ela nunca foi minha segunda opção”, diz Luca Trapanese
“Alba revolucionou completamente a minha vida. Agora tudo gira em torno dela”, afirmou Luca Trapanese, que diz ter encontrado felicidade e uma sensação de plenitude. “Tenho orgulho de ser o pai dela. Ela nunca foi minha segunda opção. Eu a quis de verdade.”
Ele afirma ver um futuro em que passará o resto da vida com uma garota que ama. “Nossa história destrói muitos estereótipos sobre a paternidade, a religião e a família. Não foi intencional. É simplesmente a nossa história”, concluiu.
Na sua opinião, o fato de a adoção de crianças com deficiência depender de casos como o de Luca Trapanese mostra falha na preparação das famílias na fila, ou a mudança que permitiu solteiros adotarem já é a resposta certa? Deixe sua opinião nos comentários.
