Carga de 155 toneladas percorreu 430 quilômetros sobre trilhos antes de ser transferida para uma carreta especial, em operação que exigiu reforço de pontes, bloqueios temporários e dezenas de profissionais no Japão durante o trajeto.
O equipamento foi levado em um vagão especial até a estação mais próxima do destino; etapa final exigiu carreta de múltiplos eixos, reforço de pontes, bloqueios temporários e dezenas de profissionais.
Um transformador de 155 toneladas percorreu 430 quilômetros de trem no Japão em uma operação que combinou transporte ferroviário e rodoviário.
No mês de agosto de 2026, a carga viajou no vagão especial Shiki 801 e, perto do destino, foi transferida para uma carreta do tipo Schnabel, preparada para distribuir o enorme peso sobre pontes e estradas.
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O transporte foi realizado pela NX Engineering, empresa japonesa especializada na movimentação de equipamentos de grandes dimensões.
O trem cobriu a maior parte do percurso, enquanto a etapa rodoviária ficou limitada ao trecho entre a estação mais próxima e o local onde o transformador seria instalado.

Transformador de 155 toneladas viajou 430 quilômetros sobre trilhos
De acordo com a descrição publicada pela própria NX Engineering, o transformador foi acomodado no Shiki 801, vagão desenvolvido especificamente para transportar cargas que não poderiam seguir em composições convencionais.
Nesse tipo de veículo, o equipamento não é simplesmente colocado sobre uma plataforma. O transformador fica sustentado por estruturas posicionadas nas duas extremidades do vagão, solução que permite acomodar peças muito grandes e distribuir o peso por vários pontos sobre os trilhos.
A empresa informa que possui dois vagões ferroviários destinados a cargas excepcionais, um com capacidade de 240 toneladas e outro de 160 toneladas. No projeto apresentado, o Shiki 801 levou o transformador durante os 430 quilômetros da etapa ferroviária.
A opção pelo trem reduziu a distância percorrida em vias públicas. Isso evitou que uma carga de 155 toneladas tivesse de enfrentar durante todo o trajeto limitações relacionadas a curvas, altura de estruturas, capacidade de pontes e interferências no trânsito.
Viagem continuou em carreta especial
Após chegar à estação mais próxima da subestação, o transformador foi transferido para uma carreta Schnabel do tipo 240. Seu nome deriva da palavra alemã para “bico”, referência ao formato das estruturas que seguram a carga pelas extremidades.
O conjunto possui grande comprimento e numerosos eixos. Essa configuração distribui o peso sobre uma área maior, reduzindo a pressão concentrada no pavimento e nas estruturas atravessadas durante o percurso.
Mesmo com o equipamento especial, duas pontes precisaram receber intervenções temporárias. Em uma delas, a equipe construiu uma passagem provisória sobre a estrutura existente. Na outra, foram instalados reforços inferiores para sustentar o peso durante a travessia.
Mais de 30 profissionais participaram do trabalho de reforço. A montagem, a passagem da carreta e a retirada das estruturas ocorreram entre as 17h de um dia e as 6h da manhã seguinte.
A operação também exigiu interrupções temporárias no trânsito. Avisos foram colocados antecipadamente nas vias, organizações locais receberam informações sobre as restrições e motoristas foram orientados a utilizar desvios.
No dia do transporte rodoviário, 45 profissionais trabalharam na orientação do trânsito e no direcionamento dos veículos para rotas alternativas.
Vagões japoneses chegam a ter 24 eixos
Outro modelo usado no Japão para cargas extremamente pesadas é o Shiki 611. Ele possui 24 eixos, organizados em oito truques de três eixos, e capacidade máxima de 240 toneladas quando equipado com as vigas B1.
O grande número de eixos não está ligado apenas à capacidade de sustentar a carga. Ele serve principalmente para distribuir o peso do vagão e do transformador ao longo da ferrovia, diminuindo a carga exercida individualmente sobre cada eixo e ponto dos trilhos.
Em agosto de 2022, uma composição com o Shiki 611 transportou um transformador de 165 toneladas entre a estação de cargas de Kawasaki e Minami-Matsumoto. Segundo a revista ferroviária japonesa Rail Magazine, o trem foi puxado pela locomotiva EF65 2086 até Hachioji e, posteriormente, pela EH200-7 no trecho seguinte.
A operação ocorreu entre os dias 5 e 7 de agosto daquele ano. O vagão permaneceu durante parte do percurso em Hachioji, onde suas dimensões chamaram a atenção de passageiros, moradores e entusiastas ferroviários.
Transporte lento atrai fotógrafos de trens
Carregado, o Shiki 611 tem velocidade máxima limitada a 45 km/h. Por interferir na circulação de trens regulares, esse tipo de transporte costuma percorrer as linhas principais durante a madrugada.
A raridade das operações também desperta interesse entre fotógrafos e admiradores de ferrovias. Durante o transporte de 2022, pessoas pararam para registrar o vagão enquanto ele estava estacionado em Hachioji, conforme relatou o portal japonês Clicccar.
Embora os dois casos envolvam transformadores gigantes, eles correspondem a operações distintas. O equipamento de 155 toneladas percorreu 430 quilômetros no Shiki 801. Já o vagão de 24 eixos Shiki 611 aparece no transporte documentado de 165 toneladas realizado em agosto de 2022.
