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Capixaba fisga no litoral do Espírito Santo o maior marlim-azul do mundo, um colosso de 636 quilos e 4,62 metros rebocado por mais de 4 horas e erguido por 28 homens, no recorde mundial que resiste desde 1992

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 02/09/2026 às 11:29 Atualizado em 02/09/2026 às 11:30
Paulo Roberto Almeida Amorim fisgou em 29 de fevereiro de 1992, no ES, o maior marlim-azul do mundo: 636 kg e 4,62 m. Foram 28 homens para tirar o peixe da água.
Paulo Roberto Almeida Amorim fisgou em 29 de fevereiro de 1992, no ES, o maior marlim-azul do mundo: 636 kg e 4,62 m. Foram 28 homens para tirar o peixe da água.
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Paulo Roberto Almeida Amorim fisgou o exemplar em 29 de fevereiro de 1992, e a International Game Fish Association certificou a captura como a mais pesada da categoria. O peixe foi rebocado com o bico apoiado na Duda Mares, e a aferição coube a Otacílio Coser Filho, representante da IGFA

O maior marlim-azul já fisgado no mundo foi capturado em águas capixabas em 29 de fevereiro de 1992, com 636 quilos e 4,62 metros de comprimento. O autor do feito foi Paulo Roberto Almeida Amorim, e o recorde tem registro oficial: a International Game Fish Association (IGFA) o certificou pela pesca do peixe mais pesado na categoria.

A história foi recontada pelo A Gazeta, na seção Capixapédia, em 10 de janeiro de 2025, às 19h31, em reportagem assinada por Alberto Borém, a partir do documento da IGFA guardado pela família, de imagens do arquivo do jornal e de entrevistas com o filho do recordista e com o comodoro do Iate Clube.

Peixe era grande demais para caber na embarcação

Paulo Roberto Almeida Amorim fisgou em 29 de fevereiro de 1992, no ES, o maior marlim-azul do mundo: 636 kg e 4,62 m. Foram 28 homens para tirar o peixe da água.
Paulo Roberto Almeida Amorim fisgou em 29 de fevereiro de 1992, no ES, o maior marlim-azul do mundo: 636 kg e 4,62 m. Foram 28 homens para tirar o peixe da água.

O tamanho do animal inviabilizou o procedimento normal de içar a captura para dentro do barco. Com 4,62 metros e mais de meia tonelada, o marlim-azul teria de ser puxado por guincho ou por força de vários homens ainda em alto-mar, o que a estrutura de uma lancha de pesca esportiva não comporta.

A solução foi rebocar o peixe, que ficou apenas com o bico apoiado na embarcação batizada de “Duda Mares”. O corpo seguiu na água durante todo o percurso de volta.

Foram mais de quatro horas de navegação lenta até o píer

Com o animal atracado pelo bico e o restante submerso, a embarcação precisou reduzir drasticamente a velocidade para não perder a captura no caminho.

Após mais de quatro horas de navegação lenta, Paulo Roberto atracou no píer. O tempo gasto no retorno é o que dimensiona o esforço da operação: um trajeto que uma lancha faria em fração desse período virou uma travessia arrastada com 636 quilos rebocados atrás.

28 homens foram necessários para tirar o animal da água

O trabalho de pesca e transporte fez jus à ideia de um esforço coletivo, registra a reportagem.

Paulo Roberto contou com a ajuda de 28 homens para retirar o animal da água. O número explica por que o feito virou acontecimento público na orla: não se tratava de um pescador exibindo a captura, e sim de quase três dezenas de pessoas manobrando um peixe mais pesado que uma motocicleta grande.

IGFA certificou Paulo Roberto Almeida Amorim como recordista mundial

A pesca realizada há mais de três décadas está longe de ser considerada história de pescador, aponta a publicação, porque existe registro oficial do recorde.

O documento mostra que a International Game Fish Association certificou Paulo Roberto Almeida Amorim pela pesca do peixe mais pesado na categoria. A IGFA é a entidade que homologa marcas mundiais de pesca esportiva, o que transforma o episódio de 1992 em dado catalogado, e não em relato de memória.

Aferição foi feita por Otacílio Coser Filho, então representante da IGFA em Vitória

Impactadas pela imponência do peixe, as pessoas que estavam no dia da captura trataram de agilizar a documentação para validar o recorde.

A aferição foi realizada por Otacílio Coser Filho, na época o representante da IGFA em Vitória. A presença de um representante credenciado da entidade no próprio Espírito Santo foi o que permitiu registrar peso e medidas dentro do padrão exigido, sem depender do envio do animal para outro estado ou país.

Barbatanas, bico e cauda viraram réplica nos Estados Unidos

Paulo Roberto Almeida Amorim fisgou em 29 de fevereiro de 1992, no ES, o maior marlim-azul do mundo: 636 kg e 4,62 m. Foram 28 homens para tirar o peixe da água.
Paulo Roberto Almeida Amorim fisgou em 29 de fevereiro de 1992, no ES, o maior marlim-azul do mundo: 636 kg e 4,62 m. Foram 28 homens para tirar o peixe da água.

Depois da pesagem, as barbatanas, o bico e a cauda do marlim-azul foram enviados para os Estados Unidos, onde foi confeccionada uma réplica.

Outras partes do animal foram doadas para entidades filantrópicas de Vitória, segundo a reportagem. O destino das peças mostra o padrão da época: a captura era simultaneamente troféu, peça de taxidermia e alimento distribuído.

Filho diz que cresceu ouvindo o relato da luta de horas

Em 2019, o repórter de A Gazeta Murilo Cuzzuol conversou com o filho de Paulo Roberto, o empresário Raphael Amorim, que trabalha no ramo logístico.

“Eu tenho muito orgulho desse feito conseguido por meu pai. Cresci ouvindo ele dizer como foi aquele dia, da luta de horas com o peixe, o cansaço pelo corpo, o susto ao ver o tamanho do animal fisgado”, contou. “No mundo da pesca, onde meu pai ia, ele era reconhecido e exaltado. Ter essa conquista ainda com minha família é algo especial”, completou Raphael Amorim.

Pesca do marlim-azul está proibida em toda a costa brasileira

Dificilmente o feito de Paulo Roberto Amorim será batido, muito por conta da diminuição da quantidade de marlins existentes, como explica Raphael Amorim. À situação da espécie soma-se um impedimento legal: a pesca do marlim-azul é proibida.

“Felizmente, hoje o marlim está protegido e a captura dessa espécie está proibida em todo a costa do território brasileiro”, afirmou o empresário. “Com o passar das gerações, percebeu-se que não havia a necessidade de tirar a vida do animal, mas naquela época não existia essa consciência coletiva”, acrescentou. É esse conjunto, espécie mais escassa e captura vedada por lei, que sustenta a permanência da marca de 1992.

Espécie virou peixe-símbolo do Espírito Santo em 2015

Em 2015, o marlim-azul passou a ser considerado peixe-símbolo do Espírito Santo.

A espécie é um peixe de grande porte encontrado em águas tropicais dos oceanos Atlântico e Pacífico, pode superar os quatro metros de comprimento e também aparece em águas profundas, o que ajuda a explicar por que capturas desse porte são raras e exigem operações longe da costa.

Monumento na Praia do Morro homenageia o feito desde 1998

Guarapari tem um monumento turístico na Praia do Morro que faz referência à espécie, ponto muito visitado por turistas que registram o passeio pela Cidade Saúde.

A estátua foi criada pelo artista plástico Juliano Fillippi em 1998, para homenagear o feito histórico do empresário Paulo Amorim. Levantada seis anos após a pesca, ela transformou o recorde em marco físico da cidade.

Paulo Amorim morreu em 2006, aos 55 anos, após 67 dias internado

Em dezembro de 2006, o jornal A Gazeta noticiou a morte de Paulo Amorim.

O recordista faleceu aos 55 anos em um hospital de Vitória, após 67 dias internado em decorrência de um acidente na Rodovia do Sol, em Vila Velha. A morte não encerrou a marca: o título permaneceu com a família, que guarda as fotos e o certificado.

Meca de 328 quilos em Guarapari trouxe o caso de volta ao noticiário

O recorde de 1992 voltou a ser lembrado depois que um peixe meca de 328 quilos foi pescado em Guarapari na segunda-feira (6), em janeiro de 2025. O registro oficial do exemplar aponta 328,6 kg, e vídeos mostram que foi preciso um guindaste para tirá-lo da embarcação.

O peixe foi capturado a aproximadamente 45 km da costa e levado para o píer de Guarapari, no Centro da cidade, com cerca de quatro metros de extensão. O meca, conhecido como espadarte, tem o maxilar superior prolongado em forma de espada e carne macia chamada de “picanha do mar”, que foi distribuída após os registros fotográficos e a pesagem.

Dentista relata mais de quatro horas para tirar o meca do mar

Igor Dorea, cirurgião-dentista que estava na embarcação, contou ao g1 que integra uma equipe em uma competição nacional, e que a pesca do meca rendeu grande pontuação.

“Saímos cedo de Vitória e pouco mais de uma hora já avistamos ele. O difícil foi conseguir colocá-lo em cima da lancha. Por ser muito pesado, foram mais de quatro horas para conseguir tirá-lo do mar”, relatou. “Foram momentos de muita tensão, um trabalho em equipe. Sem todo mundo ajudando, a gente não ia conseguir”, completou. Segundo o dentista, o último meca pescado na competição nacional pesava 282 quilos.

Iate Clube afirma que a pesca hoje é esportiva, não predatória

O comodoro do Iate Clube, Fabiano Pereira, ressalta que houve uma mudança no comportamento dos pescadores: atualmente, a pesca esportiva preconiza que a maioria dos peixes capturados seja liberada de volta ao mar, sem ferimentos que impeçam a continuidade da vida do animal.

“Vitória é a capital mundial da pesca. E o Iate Clube, com 79 anos de existência, mantém a tradição da pesca, que é esportiva, não predatória”, explicou. “A gente cuida do mar, se preocupa com a pesca e incentiva. Atualmente, vários Estados vêm pescar no Espírito Santo, como Rio de Janeiro e Bahia”, acrescentou o comodoro.

Situação atual: recorde de 636 quilos seguia de pé e o estado acumula outra marca

Quando a reportagem foi publicada, em 10 de janeiro de 2025, o marlim-azul de 636 quilos e 4,62 metros fisgado por Paulo Roberto Almeida Amorim em 29 de fevereiro de 1992 continuava como o maior já registrado no mundo, com a captura da espécie proibida em toda a costa brasileira e o certificado da IGFA guardado pela família em Vitória.

O Espírito Santo é também detentor do maior exemplar já fisgado de marlim-branco, um animal de 82,5 quilos, pescado em dezembro de 1979. As duas marcas, somadas ao meca de 328 quilos de 2025, sustentam a posição do estado como referência nacional na pesca em alto-mar, conforme aponta a publicação.

Na sua opinião, recordes de pesca baseados no peso do animal capturado ainda fazem sentido, ou o modelo esportivo de fisgar e soltar, defendido hoje pelo Iate Clube, deveria substituir de vez esse tipo de marca? Deixe sua opinião nos comentários.

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Bruno Teles

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