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Irmãos Batista avançam sobre 100% da Avibras após empresa enfrentar recuperação judicial, greve de mais de 3 anos e receber R$ 300 milhões para retomar operações, e usam fabricante de foguetes e mísseis para entrar de vez nos setores de defesa e aeroespacial

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Escrito por Carla Teles Publicado em 22/08/2026 às 15:12 Atualizado em 22/08/2026 às 16:01
Irmãos Batista avançam sobre 100% da Avibras após empresa enfrentar recuperação judicial, greve de mais de 3 anos e receber R$ 300 milhões para retomar operações, e usam
Irmãos Batista avançam sobre a Avibras em operação no Cade para entrar nos setores de defesa e aeroespacial após reestruturação. Imagem: Reprodução/TV Vanguarda
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Os Irmãos Batista acertaram, por meio da Globe Investimentos, a compra de 100% da Nova AVB, controladora da Avibras Aeroco, operação ainda sujeita ao Cade. A empresa saiu de anos de crise, retomou a fábrica de Jacareí em maio e concentra tecnologias ligadas a foguetes, mísseis e sistemas militares brasileiros.

Os Irmãos Batista, Joesley e Wesley, avançaram sobre a indústria brasileira de defesa ao acertar a aquisição de 100% das ações da Nova AVB, estrutura que controla a Avibras Aeroco. O negócio leva o grupo empresarial, já presente em alimentos, energia, mineração e serviços financeiros, para setores em que ainda não possuía atuação direta: defesa nacional e aeroespacial.

A aquisição foi anunciada em 21 de agosto de 2026, e novos detalhes do processo submetido ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, foram divulgados pelo g1 em 22 de agosto de 2026. O documento informa que a transferência de controle ainda não foi concluída e depende da aprovação do órgão concorrencial.

Compra envolve 100% da estrutura criada durante a recuperação da Avibras

A operação não foi estruturada como uma compra simples da antiga companhia com todos os seus passivos. Durante a reorganização financeira da Avibras, foi criada a Nova AVB, que passou a concentrar os ativos industriais e tecnológicos ligados à operação.

A estrutura empresarial anterior permaneceu com os passivos submetidos à recuperação judicial. É a integralidade das ações da Nova AVB que a Globe Investimentos pretende adquirir, operação classificada no processo apresentado ao Cade como aquisição de controle.

Negócio ainda depende da aprovação do Cade

Apesar do anúncio da aquisição, os Irmãos Batista ainda não concluíram formalmente a transferência de controle. A operação foi notificada ao Cade e precisa passar pela análise da autoridade brasileira de defesa da concorrência.

O valor pago pela participação também não foi informado. A Avibras afirmou que comunicará novos desdobramentos, enquanto o processo concorrencial avança e os demais procedimentos necessários ao fechamento permanecem pendentes.

Entrada na Avibras abre setores de defesa e aeroespacial ao grupo

Irmãos Batista avançam sobre a Avibras em operação no Cade para entrar nos setores de defesa e aeroespacial após reestruturação.
Imagem: Reprodução/TV Vanguarda

No formulário enviado ao Cade, a Globe Investimentos afirmou que enxerga a aquisição como uma oportunidade de ingressar nos setores de defesa nacional e aeroespacial. Esse é um dos pontos estratégicos mais relevantes da operação.

Os Irmãos Batista já controlam ou participam de negócios em diferentes áreas econômicas, mas a Avibras acrescenta uma frente diretamente ligada a tecnologias militares, sistemas de lançamento, propulsão e programas associados às Forças Armadas. A compra amplia a diversificação do grupo para uma indústria de elevada intensidade tecnológica.

Recuperação judicial começou em 2022 e crise zerou faturamento em 2025

A aquisição acontece depois de um período crítico para a fabricante brasileira. A Avibras entrou em recuperação judicial em 2022, enfrentando dificuldades financeiras e uma paralisação prolongada.

O documento submetido ao Cade acrescentou um dado relevante sobre a dimensão dessa crise: a indústria não registrou faturamento em 2025. O período também foi marcado por uma greve de trabalhadores que ultrapassou três anos.

Greve de mais de três anos acompanhou paralisação da companhia

Os problemas financeiros tiveram reflexos diretos na operação industrial. A paralisação foi acompanhada por um longo conflito trabalhista, enquanto a empresa buscava uma solução para reorganizar seus ativos e voltar a produzir.

A retomada passou por uma estrutura diferente daquela existente antes da recuperação judicial. A concentração dos ativos industriais e tecnológicos na Nova AVB permitiu separar a operação produtiva dos passivos que permaneceram na estrutura anterior.

Captação de R$ 300 milhões ajudou a financiar a retomada

Antes da atual aquisição, Joesley Batista já havia participado de uma captação de R$ 300 milhões destinada à retomada das atividades da Avibras. O financiamento foi coordenado pelo Fundo Brasil Crédito e reuniu investidores privados.

O valor individual aportado por Joesley não foi divulgado. Por isso, não é correto afirmar que os R$ 300 milhões tenham sido investidos integralmente pelos Irmãos Batista. A cifra corresponde à captação total organizada para apoiar a recuperação operacional.

Fábrica de Jacareí voltou a operar em maio de 2026

Após anos de dificuldades, a unidade da Avibras Aeroco em Jacareí, no Vale do Paraíba, retomou as atividades em maio de 2026. A fábrica é parte central da estrutura industrial ligada à companhia.

A reabertura ocorreu antes da aquisição anunciada pela Globe Investimentos e marcou uma etapa da tentativa de reconstrução da empresa. O negócio com os Irmãos Batista chega, portanto, quando a atividade industrial já havia começado a ser retomada, mas ainda dependia de fortalecimento financeiro e comercial.

Sistema ASTROS está entre as principais tecnologias da Avibras

A Avibras ocupa posição relevante na indústria nacional de defesa principalmente pelo domínio de sistemas de foguetes, mísseis e tecnologias associadas. Entre seus produtos mais conhecidos está o ASTROS, utilizado pelo Exército Brasileiro.

A companhia também desenvolve o Míssil Tático de Cruzeiro, o MTC, sistemas de defesa antiaérea e o Skyfire. Esse conjunto ajuda a explicar por que a aquisição oferece aos Irmãos Batista uma entrada imediata em uma indústria que exige conhecimento tecnológico acumulado e capacidade industrial especializada.

Empresa também desenvolve motores-foguete e sistemas para o setor espacial

A atuação da Avibras não está restrita a equipamentos militares terrestres. A empresa também trabalha com motores-foguete, sistemas de propulsão e componentes relacionados ao setor espacial.

Entre as atividades citadas pela fonte está o fornecimento de foguetes de treinamento utilizados nos centros de lançamento de Alcântara, no Maranhão, e da Barreira do Inferno, no Rio Grande do Norte. Isso aproxima a operação também da cadeia aeroespacial brasileira.

Avibras voltou a ser credenciada como Empresa Estratégica de Defesa

Depois da retomada das atividades, a Avibras Aeroco recebeu do Ministério da Defesa o credenciamento como Empresa Estratégica de Defesa. A classificação reforça a importância da companhia dentro da base industrial ligada ao setor militar brasileiro.

Em julho de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a fábrica de Jacareí e afirmou que o governo pretendia ampliar encomendas destinadas à companhia. O movimento ocorre em um momento no qual a recuperação da empresa também depende da retomada de contratos e de demanda industrial.

Aquisição combina recuperação industrial e diversificação dos Irmãos Batista

Para a Globe Investimentos, a aquisição representa simultaneamente uma entrada em novos mercados e uma oportunidade de participar da reconstrução de uma companhia com ativos tecnológicos já desenvolvidos. A própria empresa informou ao Cade que pretende contribuir para a reestruturação e o fortalecimento das atividades de defesa e aeroespacial no Brasil.

A operação também amplia a presença dos Irmãos Batista para além dos setores tradicionalmente associados ao grupo. Em vez de construir uma empresa de defesa do zero, o negócio oferece acesso a uma fabricante com sistemas militares, engenharia de foguetes, estrutura industrial e histórico de fornecimento às Forças Armadas.

Futuro da Avibras agora passa pelo Cade, novos contratos e retomada industrial

O acordo coloca a Avibras diante de uma nova etapa depois da recuperação judicial, da paralisação, da greve prolongada, da ausência de faturamento em 2025 e da captação de R$ 300 milhões que ajudou na retomada.

O resultado, porém, ainda depende da conclusão do negócio e da capacidade de transformar a recuperação da fábrica em contratos e produção sustentáveis. Na sua opinião, a entrada de um grupo privado do porte dos Irmãos Batista pode fortalecer uma empresa estratégica de defesa como a Avibras ou esse tipo de ativo deveria permanecer sob maior controle estatal? Deixe sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

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