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Após anos em jaulas de concreto de zoológico fechado na Argentina, 30 leões e tigres começaram uma operação internacional de resgate com aviões e caixas especiais para viajar até santuários na África do Sul e nos Estados Unidos, enquanto outros grandes felinos ainda aguardam destino definitivo em Luján

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Escrito por Carla Teles Publicado em 20/08/2026 às 16:06 Atualizado em 20/08/2026 às 16:07
Após anos em jaulas de concreto de zoológico fechado na Argentina, 30 leões e tigres começaram uma operação internacional de resgate com aviões e caixas especiais para viajar (3)
Leões e tigres do Zoológico de Luján são transferidos pela Four Paws para santuários na África do Sul e Estados Unidos.
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Leões e tigres do antigo Zoológico de Luján começaram a ser transferidos para santuários na África do Sul e nos Estados Unidos após anos em cativeiro. A operação envolve 30 grandes felinos, caixas especiais, sedação em alguns casos e voos internacionais, enquanto mais de 20 animais permanecem aguardando lares definitivos.

Trinta leões e tigres mantidos durante anos no antigo Zoológico de Luján, na Argentina, começaram em 14 de agosto de 2026 uma operação internacional de transferência para santuários na África do Sul e nos Estados Unidos. Os animais deixariam o local em caixas específicas para transporte, com deslocamentos terrestres e longos trajetos aéreos até os novos destinos.

Segundo reportagem da Associated Press publicada em 14 de agosto de 2026, a operação é conduzida pela organização internacional de bem-estar animal Four Paws. O zoológico, situado cerca de 70 quilômetros a noroeste de Buenos Aires, está fechado desde 2020, e mais de 20 grandes felinos ainda permaneceriam em Luján após a saída desse grupo de 30 animais.

Operação retira 30 leões e tigres do antigo zoológico

Leões e tigres do Zoológico de Luján são transferidos pela Four Paws para santuários na África do Sul e Estados Unidos.
Imagem: Wikimedia.

A transferência envolve exatamente 17 tigres e 13 leões, divididos entre dois destinos internacionais. O deslocamento exige preparação individual dos animais, entrada nas caixas, transporte até aeroportos, voos internacionais e novas etapas por terra.

A Four Paws classificou a ação como uma das maiores realocações de grandes felinos mantidos em cativeiro já realizadas. A complexidade não está apenas na quantidade de animais, mas também nas distâncias e nos diferentes procedimentos necessários para levá-los em segurança.

Quinze animais seguirão para a África do Sul

Um dos grupos é formado por nove tigres e seis leões, que têm como destino o Lionsrock, santuário administrado pela Four Paws na África do Sul.

O local abriga mais de 80 grandes felinos e possui recintos naturais distribuídos por aproximadamente 60 hectares. Após o voo internacional, os animais ainda precisam enfrentar uma etapa terrestre de cerca de quatro horas para chegar ao santuário.

Outros 15 viajarão para um santuário no Colorado

O segundo grupo reúne oito tigres e sete leões e será levado ao The Wild Animal Sanctuary, localizado no estado americano do Colorado, a nordeste de Denver.

O refúgio possui grandes habitats onde vivem leões, tigres e outros animais resgatados. A viagem dos felinos destinados aos Estados Unidos inclui uma rota aérea passando pelo Chile antes da chegada ao território americano.

Viagem para a África envolve conexão na Europa

Os leões e tigres destinados ao Lionsrock enfrentarão uma rota ainda mais extensa. De acordo com a AP, eles viajarão para Joanesburgo com conexão em Frankfurt ou Amsterdã.

Depois de desembarcarem na África do Sul, será necessário completar o trajeto por terra. A operação combina, portanto, preparação veterinária, transporte rodoviário, logística aeroportuária e viagens intercontinentais.

Caixas especiais foram preparadas para cada etapa

Antes do início das viagens, tratadores trabalharam para acostumar muitos dos animais às caixas usadas no transporte. O processo buscava fazer com que os felinos entrassem voluntariamente nas estruturas.

Essa preparação é particularmente importante porque reduz a necessidade de intervenções adicionais durante a remoção. Movimentar grandes felinos adultos exige controlar simultaneamente segurança, comportamento e condições físicas dos animais.

Alguns tigres precisaram ser sedados

Leões e tigres do Zoológico de Luján são transferidos pela Four Paws para santuários na África do Sul e Estados Unidos.
Imagem: Argentina.gob.ar/Subsecretaría de Ambiente

Nem todos os animais responderam da mesma forma ao treinamento. Alguns precisaram receber sedação para que pudessem ser colocados nas caixas com segurança.

A AP relatou que dois tigres sedados foram içados em estruturas de lona e levados manualmente até as caixas de transporte. O procedimento ocorreu com acompanhamento de veterinários e integrantes da equipe responsável pela transferência.

Zoológico de Luján foi fechado em 2020

O antigo Zoológico de Luján ficou conhecido por permitir aproximação incomum entre visitantes e grandes felinos, inclusive interações e fotografias próximas a tigres e leões.

As autoridades argentinas determinaram o fechamento em 2020, diante de preocupações relacionadas à segurança e ao bem-estar dos animais. A partir daquele momento, surgiu outra questão: definir o que aconteceria com a grande população de felinos mantida no espaço.

Cerca de 200 grandes felinos viviam no local

Segundo a Four Paws, aproximadamente 200 grandes felinos estavam no zoológico quando ele foi fechado. O número ajuda a dimensionar a quantidade de animais concentrada na propriedade.

Quando a organização chegou ao local em 2023 para trabalhar em uma solução, restavam 112. Dois anos depois, quando conseguiu assumir o controle das operações, o total havia diminuído para 62 animais.

Alguns animais apresentavam problemas de saúde

As condições identificadas não eram apenas uma questão de espaço. Segundo as informações divulgadas pela organização, alguns animais apresentavam obesidade, perda muscular e problemas relacionados à nutrição.

Também foram relatadas doenças dentárias e renais, consequências da retirada de garras e ferimentos que não haviam cicatrizado adequadamente. O quadro exigiu que alimentação, acompanhamento veterinário e manejo fossem revistos antes das grandes transferências.

Funcionários receberam novo treinamento de manejo

A Four Paws também passou a trabalhar com funcionários veteranos do antigo zoológico, oferecendo treinamento voltado a práticas modernas de bem-estar animal.

Foram realizadas mudanças na alimentação e nos cuidados médicos. Essa etapa tornou-se relevante porque os leões e tigres continuaram vivendo no local durante o período necessário para organizar destinos e autorizações internacionais.

Nem todos os grandes felinos deixarão Luján agora

A saída dos 30 animais não encerra a operação no antigo zoológico. Depois dessa transferência, mais de 20 leões e tigres ainda permanecerão em Luján, segundo a Associated Press.

A Four Paws continua procurando locais permanentes capazes de receber esses animais. Encontrar um destino envolve disponibilidade em santuários, avaliação das condições individuais e toda a logística necessária para uma nova transferência.

Realocação envolve mais do que colocar animais em um avião

Transportar dezenas de grandes felinos entre continentes exige uma cadeia logística extensa. Cada etapa precisa considerar comportamento, saúde, caixa de transporte, equipes veterinárias, deslocamento terrestre, aeroportos e conexões internacionais.

Além disso, os animais chegam a ambientes completamente diferentes daqueles em que permaneceram durante anos. A transferência física é apenas uma parte do processo, porque a adaptação aos novos recintos continuará depois da chegada.

Santuários oferecem espaços diferentes das antigas jaulas

No Lionsrock, os animais serão instalados em recintos naturais dentro de uma área destinada especificamente a grandes felinos resgatados. No Colorado, os novos habitantes também terão acesso a habitats extensos dentro do santuário.

Isso não significa retorno à vida selvagem, já que são animais que passaram grande parte da vida sob cuidados humanos. A mudança representa uma transferência do cativeiro de zoológico para estruturas especializadas em acolher felinos resgatados.

Saída de 30 animais abre nova etapa para o antigo Zoológico de Luján

A operação iniciada em agosto de 2026 retira um grande grupo do local quatro anos depois do fechamento ao público, mas ainda não resolve completamente o destino da população de grandes felinos que permaneceu na propriedade.

Enquanto 30 leões e tigres atravessam continentes rumo à África do Sul e aos Estados Unidos, outros continuam aguardando uma solução definitiva na Argentina. Na sua opinião, grandes operações internacionais como essa são o melhor caminho para animais que passaram anos em zoológicos fechados? Deixe sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

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