Mudança de país, emprego temporário e uma sequência de exigências profissionais marcaram a trajetória de um brasileiro que deixou a experiência nas estradas nacionais para trás antes de voltar ao volante na Europa e assumir rotas internacionais por diferentes países do continente.
Ter experiência com caminhão no Brasil não permitiu a Ricardo Nobre retomar imediatamente a mesma profissão depois da mudança para a Europa, já que o brasiliense precisou reconstruir seu caminho profissional antes de voltar ao volante de um veículo pesado.
Entre emprego em fábrica, regularização documental, reconhecimento da habilitação brasileira, formação específica e provas, o processo consumiu quase dois anos até a entrada efetiva no transporte internacional, período em que ele conciliou trabalho, estudo e preparação para retornar às estradas.
Atualmente, Ricardo trabalha em rotas que passam por Portugal, Espanha, França e Inglaterra, depois de atravessar uma fase em que manteve outro emprego durante o dia e reservou parte das noites para cumprir as exigências relacionadas à nova atividade.
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Segundo reportagem do Brasil do Trecho, o brasileiro atua no transporte internacional pela Destiny Transporte, empresa sediada em Portugal e com base operacional na Espanha, estrutura a partir da qual passou a integrar viagens rodoviárias que cruzam diferentes territórios europeus.
De Brasília para Portugal
Antes da mudança, Ricardo já conhecia de perto o transporte rodoviário brasileiro e possuía caminhão próprio, mas decidiu buscar uma nova etapa profissional na Europa, escolha que exigiu planejamento financeiro e disposição para recomeçar em outro mercado de trabalho.

Ao desembarcar em Lisboa, em abril de 2023, ele iniciou os procedimentos necessários para organizar sua permanência em Portugal e, paralelamente, começou a construir as condições para voltar a trabalhar profissionalmente em uma atividade ligada ao transporte pesado.
Nos primeiros meses, a prioridade ficou concentrada na documentação básica e na obtenção das condições necessárias para permanecer e trabalhar legalmente no país, etapa que incluiu o Número de Identificação Fiscal, conhecido como NIF, e procedimentos ligados à Segurança Social portuguesa.
Enquanto avançava nessa regularização, Ricardo também precisou estabelecer residência e garantir uma fonte de renda, cenário que o levou a aceitar um emprego fora das estradas enquanto aguardava o momento em que poderia retomar a profissão exercida anteriormente no Brasil.
Emprego em fábrica durante a transição profissional
Foi nesse intervalo que a fábrica passou a fazer parte de sua rotina, mesmo com a experiência acumulada no transporte rodoviário, e o brasileiro permaneceu 1 ano e 10 meses nesse emprego antes de conseguir atuar profissionalmente como caminhoneiro em Portugal.
Longe de representar uma mudança definitiva de carreira, o trabalho funcionou como sustentação durante a fase de adaptação, permitindo que Ricardo mantivesse renda enquanto resolvia documentos, acompanhava o processo da habilitação e se preparava para cumprir as etapas exigidas antes da contratação.
A troca da Carteira Nacional de Habilitação brasileira pela carta de condução portuguesa tornou-se um dos pontos centrais desse percurso, pois fazia parte do caminho relatado por ele para chegar novamente ao transporte profissional em território europeu.
Mesmo depois de avançar nessa fase documental, ainda restavam exigências de qualificação, o que prolongou a transição e manteve a rotina dividida entre o trabalho que garantia sua renda e a preparação necessária para assumir novamente um caminhão.
CAM de 140 horas e provas antes de voltar ao volante
Conforme relatado pelo Brasil do Trecho, Ricardo fez o CAM, Certificado de Aptidão para Motoristas, em um curso com 140 horas de duração, etapa que incluiu conteúdo teórico e antecedeu as avaliações previstas no percurso profissional realizado por ele em Portugal.
A preparação tornou os dias mais intensos porque o brasileiro precisava cumprir normalmente sua jornada de trabalho e, depois do expediente, direcionar parte da noite aos estudos, mantendo durante semanas uma rotina dividida entre sobrevivência financeira e formação profissional.
Durante aproximadamente dois meses, esse ritmo de trabalho diurno e estudo noturno concentrou boa parte dos esforços para a nova etapa da carreira, período em que Ricardo buscava reunir as condições necessárias para transformar novamente o transporte rodoviário em sua principal atividade.
Depois do curso, vieram as avaliações teórica e prática, e somente após concluir a documentação, obter o reconhecimento da habilitação e completar a formação necessária ele conseguiu avançar para a profissão que já fazia parte de sua trajetória no Brasil.
Quase dois anos até entrar no transporte pesado
Considerando o período entre a chegada a Portugal e a entrada efetiva no transporte pesado, foram quase dois anos de adaptação e preparação, intervalo que reuniu emprego em fábrica, regularização documental, troca da habilitação, formação profissional e avaliações.
Embora a experiência anterior com caminhões contribuísse para o conhecimento prático da atividade, o acesso ao mercado europeu dependia de etapas adicionais, razão pela qual a trajetória não terminou no momento da mudança de país nem no reconhecimento inicial dos documentos.
Quando surgiu a primeira oportunidade no setor, Ricardo deixou a fase de preparação para trás e voltou às estradas em uma operação internacional, passando a participar de viagens que ultrapassavam as fronteiras portuguesas e ampliavam significativamente o alcance de sua rotina profissional.
As rotas citadas por ele incluem Espanha e França, além de deslocamentos até a Inglaterra, configuração que transformou o trabalho em uma atividade multinacional e colocou diferentes países europeus dentro do itinerário percorrido pelo motorista.
Rotas internacionais por quatro países
A nova realidade também alterou o contexto profissional que Ricardo conhecia no Brasil, onde era proprietário do próprio caminhão, enquanto na Europa passou a atuar vinculado a uma empresa especializada em transporte internacional e inserido em operações entre diferentes territórios.
Dentro dessa estrutura, o motorista passou a lidar com deslocamentos que envolvem Portugal, Espanha, França e Inglaterra, fazendo do caminhão novamente seu principal instrumento de trabalho, agora dentro de uma malha rodoviária internacional que atravessa fronteiras nacionais.
A experiência também mostra como uma mudança de país pode interromper temporariamente uma carreira já estabelecida, pois, no caso de Ricardo, a atuação anterior no transporte não eliminou a necessidade de aceitar outro emprego enquanto construía as condições para retornar ao volante.
Durante esse período, a fábrica ocupou o espaço que antes pertencia às estradas, mas a preparação profissional continuou paralelamente, sustentada por documentos, estudos e avaliações que mantinham o objetivo de voltar ao transporte pesado como parte central do projeto de vida no exterior.
Da fábrica às estradas europeias
Ao reconstruir a carreira em Portugal, Ricardo passou por uma transição que combinou imigração, trabalho fora da área e qualificação profissional, elementos que se acumularam até permitir sua entrada em uma empresa ligada ao transporte internacional rodoviário.
Mesmo vindo do Brasil com experiência e caminhão próprio, ele precisou esperar, trabalhar em fábrica e estudar até reunir as condições necessárias para voltar à profissão, processo que transformou a retomada das estradas em uma etapa construída ao longo de quase dois anos.
Depois da contratação, a dimensão geográfica da atividade mudou de forma significativa, já que o motorista passou a integrar viagens capazes de atravessar vários países dentro da mesma rotina, conectando Portugal a outros mercados europeus por meio do transporte rodoviário.
Ao relatar a própria trajetória, Ricardo também destacou a importância da preparação financeira e documental para quem pretende seguir caminho semelhante, já que sua experiência envolveu muito mais do que dirigir e exigiu adaptação antes da volta efetiva ao setor.
Hoje, as viagens por Portugal, Espanha, França e Inglaterra representam a etapa profissional alcançada depois do período de transição, enquanto a experiência na fábrica, os estudos noturnos e as provas permanecem como parte do caminho percorrido até o transporte internacional.
Você encararia quase dois anos entre trabalho em outra área, documentos, aulas e provas para voltar à sua profissão e passar a cruzar diferentes países da Europa?


