Programa da Firjan SENAI, realizado em parceria com o Sebrae Rio e a Navalshore, cruza demandas de grandes compradores com produtos, serviços e tecnologias oferecidos por empresas da cadeia marítima
Como uma pequena ou média empresa consegue apresentar diretamente seus produtos e tecnologias para alguns dos maiores compradores da indústria marítima brasileira? Durante a Navalshore 2026, essa aproximação acontece por meio do programa Rede de Oportunidades para Fornecedores: Óleo, Gás, Energias e Naval, conhecido como RdO Fornecedores.
A iniciativa reúne empresas fornecedoras e representantes da Marinha do Brasil, Transpetro e grandes estaleiros em reuniões direcionadas. O objetivo é facilitar a identificação de fornecedores capazes de atender às necessidades da construção naval, da manutenção de embarcações e das operações de petróleo e gás.
Realizado pela Firjan SENAI, em parceria com o Sebrae Rio e a Navalshore, o programa chegou à sua 28ª edição durante a feira. Mais do que promover uma rodada convencional de negócios, a proposta é preparar as empresas, aproximar demandas e capacidades técnicas e acompanhar possíveis oportunidades depois dos encontros.
-
US$ 20 bilhões na mesa e investidores estrangeiros de olho no Brasil — Navalshore 2026 aproxima capital internacional de estaleiros, fornecedores e gigantes da indústria naval
-
Mulher teve filho com o companheiro, morou com ele e ficou noiva, mas STJ rejeitou união estável após a morte e manteve relação como “namoro qualificado”, decisão por 3 votos a 2 que afastou os direitos sucessórios ligados à condição de companheira
-
Dona de Gillette, Oral-B, Pampers e Ariel corta 7 mil empregos, começa a retirar produtos famosos das prateleiras em vários mercados e fecha operação própria em país enquanto executa uma das maiores reestruturações de sua história
-
Mais de 200 mulheres ucranianas foram treinadas para dirigir caminhões e ônibus, e nova frente foi criada com escavadeiras, carregadeiras e uma máquina elétrica para a reconstrução
Programa da Firjan SENAI começa antes das reuniões de negócios
Segundo Tiago Rodrigues, gerente de projetos da Firjan entrevistado pelo Click Petróleo e Gás, o trabalho começa com o levantamento das necessidades das grandes empresas compradoras, chamadas de empresas âncoras.
A Firjan procura entender quais produtos e serviços essas companhias precisam contratar, quais documentos exigem, quais certificações são necessárias e que capacidade produtiva esperam encontrar nos fornecedores.
Do outro lado, são analisadas as competências das empresas interessadas em entrar nessa cadeia naval e marítima. A partir desse cruzamento, os encontros são agendados de forma mais direcionada, aumentando a possibilidade de uma conversa comercial relevante para as duas partes.
“Um dos grandes diferenciais é o trabalho que a gente faz tanto antes quanto depois”, explicou Tiago Rodrigues durante a entrevista.
A primeira etapa da programação na Navalshore 2026 foi dedicada às apresentações das empresas compradoras. Representantes das companhias explicaram seus processos de contratação, investimentos previstos para curto, médio e longo prazo e os requisitos que os fornecedores precisam cumprir.
Nos dias seguintes, foram realizadas as mesas de conversas entre compradores e potenciais fornecedores.
Marinha, Transpetro e grandes estaleiros apresentam suas demandas a fornecedores
Participaram como empresas contratantes a Marinha do Brasil, a Transpetro e os estaleiros Mauá e Hanwha Ocean. Durante a entrevista, Tiago Rodrigues também citou uma agenda com o Estaleiro Mac Laren.
As oportunidades podem envolver desde materiais de uso cotidiano até equipamentos industriais, sistemas elétricos, automação, engenharia, manutenção, reparo naval, softwares, soluções digitais e tecnologias aplicadas à operação de embarcações.
Para um pequeno fornecedor, chegar diretamente às áreas de compras dessas organizações pode ser um processo demorado. Além da dificuldade de identificar os responsáveis, grandes empresas costumam exigir regularidade fiscal, capacidade de entrega, rastreabilidade, certificações técnicas e padrões específicos de segurança e qualidade.
O RdO Fornecedores procura reduzir essa distância. Em vez de uma abordagem comercial genérica, o fornecedor participa da reunião já sabendo que a empresa compradora possui alguma demanda relacionada ao que ele oferece.
Isso não significa que um contrato será fechado imediatamente. O encontro pode representar o início de um processo que envolve avaliação técnica, cadastro, homologação, qualificação e participação em futuras concorrências.
Sebrae Rio prioriza participação de pequenas empresas e pequenos negócios
A parceria com o Sebrae Rio busca ampliar a presença de micro e pequenas empresas nas reuniões. Segundo Tiago Rodrigues, a iniciativa prioriza esses negócios, embora a participação não seja limitada a empresas desse porte.
Empresas associadas à Firjan também possuem prioridade em determinados agendamentos.
Para os pequenos negócios, a aproximação oferece uma oportunidade de compreender as exigências da indústria naval antes de investir em equipamentos, certificações ou ampliação da capacidade produtiva.
Mesmo quando não existe uma contratação imediata, o fornecedor pode sair da reunião com informações sobre o que precisa desenvolver para disputar futuras encomendas.
Para os grandes compradores, o programa ajuda a ampliar e diversificar a base de fornecedores, encontrar soluções específicas e identificar alternativas nacionais para produtos e serviços atualmente adquiridos de poucos fornecedores.
Plataforma Usemol Smart digitaliza encontro entre compradores e fornecedores
A edição de 2026 apresentou ainda uma parceria entre a Firjan e o portal de compras Usemol Smart. A plataforma permite que as empresas cadastrem seus bens, serviços e tecnologias, facilitando a comparação com as demandas apresentadas pelas empresas âncoras.
Segundo a Firjan, a ferramenta foi incorporada para tornar mais simples a atualização dos cadastros e aumentar a precisão do cruzamento entre compradores e fornecedores.
A digitalização pode tornar o processo mais eficiente porque mantém as informações organizadas e permite identificar empresas com características técnicas compatíveis com cada oportunidade.
O fornecedor deixa de depender exclusivamente do contato presencial durante a feira. Seus dados permanecem disponíveis para novos cruzamentos, atualizações cadastrais e possíveis oportunidades futuras.
Rede de Oportunidades já reuniu mais de 2,3 mil fornecedores
Antes da edição realizada na Navalshore, a Firjan contabilizava 26 edições do programa em quatro anos. Nesse período, a iniciativa havia reunido 32 empresas âncoras e mais de 2,3 mil fornecedores.
Foram apresentadas mais de duas mil oportunidades, que resultaram em aproximadamente três mil reuniões entre compradores e empresas interessadas em fornecer bens e serviços.
Na edição especial realizada durante a Navalshore de 2025, o programa alcançou mais de 350 reuniões, segundo balanço divulgado pela Firjan.
Os números mostram que a iniciativa não funciona apenas como um encontro pontual dentro do calendário da feira. O programa procura estruturar uma base permanente de fornecedores para setores que vivem um novo ciclo de investimentos.
SENAI pode apoiar qualificação de fornecedores e desenvolvimento tecnológico
Quando uma empresa identifica uma oportunidade, mas ainda não atende a todos os requisitos, a Firjan pode direcionar outras formas de apoio.
O SENAI atua na capacitação dos trabalhadores, na realização de pesquisas aplicadas e no desenvolvimento de projetos tecnológicos relacionados a necessidades reais apresentadas pela indústria. O SESI, por sua vez, contribui com ações voltadas à saúde, à segurança e à qualidade de vida dos profissionais.
Essa estrutura permite que a conexão comercial seja acompanhada por ações de qualificação. Uma empresa que ainda não está preparada para fornecer pode identificar seus gargalos e desenvolver competências para participar de futuras contratações.
Navalshore aproxima fornecedores e pode fortalecer a cadeia naval brasileira
A retomada das encomendas de navios, os investimentos em operações offshore e os projetos de renovação de frotas estão ampliando a procura por equipamentos, serviços especializados e soluções tecnológicas.
Nesse cenário, aproximar grandes compradores de fornecedores nacionais pode reduzir gargalos, estimular a qualificação das empresas e aumentar a participação da indústria brasileira nos novos projetos.
Para os fornecedores, a oportunidade está no acesso direto às informações e aos responsáveis pelas compras. Para Marinha, Transpetro e estaleiros, o benefício é encontrar empresas capazes de oferecer soluções específicas, competitivas e próximas de suas operações.
As reuniões realizadas durante a Navalshore não representam contratos automáticos. Mas podem ser o primeiro passo para uma pequena empresa entender as regras do mercado, iniciar sua qualificação e conquistar espaço em uma das cadeias industriais mais exigentes do país.

