Com milhões de mortes anuais, avanço de bactérias resistentes impulsiona uso da inteligência artificial na criação de novos antibióticos.
A dificuldade crescente em combater infecções bacterianas levou cientistas a buscar soluções inovadoras. Pesquisadores, incluindo equipes do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, passaram a apostar fortemente na inteligência artificial para acelerar a descoberta de novos antibióticos.
O movimento ocorre diante de um cenário alarmante: cerca de 1,1 milhão de pessoas morrem por ano devido a infecções resistentes, número que pode ultrapassar 8 milhões até 2050.
Esse avanço das bactérias acontece porque os medicamentos atuais estão perdendo eficácia, tornando urgente a busca por alternativas mais rápidas e eficientes.
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Além disso, o desenvolvimento tradicional de antibióticos tem se mostrado lento e caro. Por isso, novas abordagens tecnológicas ganham espaço.
Inteligência artificial reduz tempo e custo na descoberta de medicamentos
A principal vantagem da inteligência artificial está na velocidade. O que antes levava meses ou anos, agora pode ser feito em dias.
Segundo o pesquisador James Collins, “em questão de dias ou horas, podemos examinar imensas bibliotecas de compostos químicos para identificar quais exibem atividade antibacteriana”.
Esse avanço permite analisar milhões de possibilidades rapidamente. Como resultado, o processo se torna mais eficiente.
Com o uso da tecnologia, cientistas já identificaram compostos com potencial real de combate a bactérias perigosas.
Entre os alvos estão a Gonorreia e a Staphylococcus aureus resistente à meticilina, ambas altamente resistentes.
Após analisar mais de 45 milhões de estruturas químicas, pesquisadores selecionaram compostos promissores. Dois deles se destacaram pela alta eficácia.
Falta de novos antibióticos agrava cenário mundial
Apesar dos avanços recentes, o desenvolvimento de novos medicamentos ainda é limitado. Isso se deve, em grande parte, à falta de investimento.
Entre 2017 e 2022, 12 antibióticos foram aprovados. Além disso, muitos são semelhantes aos já existentes.
Consequentemente, as bactérias continuam evoluindo. E os tratamentos disponíveis se tornam menos eficazes.
Um dos diferenciais da tecnologia é a capacidade de criar moléculas totalmente novas. Isso representa uma mudança importante no setor.
Os modelos de IA analisam estruturas químicas e sugerem modificações. Assim, aumentam as chances de encontrar soluções inovadoras.
Esse processo permite superar limitações dos métodos tradicionais. E abre novas possibilidades para a medicina.

Aplicações vão além dos antibióticos
O uso da inteligência artificial também avança em outras áreas. Doenças complexas entram no radar dos pesquisadores.
Um exemplo é a Doença de Parkinson, que ainda não possui cura. De acordo com Michele Vendruscolo, a falta de consenso sobre a origem da doença dificulta o desenvolvimento de tratamentos eficazes.
Outra estratégia importante é o uso de remédios já existentes para novas finalidades. A inteligência artificial tem papel central nesse processo.
O médico David Fajgenbaum demonstrou esse potencial ao tratar sua própria doença com um medicamento já aprovado. Desde então, iniciativas passaram a cruzar dados para encontrar novas aplicações terapêuticas.
Limitações ainda desafiam o avanço da tecnologia
Apesar dos benefícios, a inteligência artificial ainda enfrenta obstáculos. Um deles é o acesso restrito a dados.
Muitas informações estão sob controle de empresas privadas. Isso limita o desenvolvimento de novas soluções.
Além disso, a tecnologia atua principalmente nas fases iniciais. O processo até a chegada ao paciente ainda é longo.
Mesmo com desafios, especialistas acreditam que a IA terá papel fundamental na medicina. O impacto tende a crescer nos próximos anos.
A expectativa é que novos tratamentos sejam desenvolvidos com mais rapidez. Isso pode salvar milhões de vidas.
Assim, a inteligência artificial se consolida como uma das principais aliadas no combate às doenças mais complexas da atualidade.
Com informações da BBC News

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