Episódio registrado em 4 de julho na província de Córdoba terminou com o pouso seguro da aeronave, mas levantou questionamentos sobre protocolos de segurança, acompanhamento psicológico de pilotos e formação de novos profissionais da aviação.
Um episódio incomum ocorrido no último sábado, 4 de julho de 2026, chamou a atenção da comunidade aeronáutica e repercutiu internacionalmente após um instrutor de voo saltar de um avião durante um treinamento, deixando uma aluna de 22 anos sozinha no comando da aeronave. Apesar do enorme susto, a jovem conseguiu manter o controle do monomotor, comunicar a situação à equipe em solo e realizar o pouso com segurança.
A informação foi divulgada pelo g1, com base em reportagens do jornal argentino Clarín e em declarações de representantes da escola Flying Parrot Córdoba. O caso aconteceu na província de Córdoba, na Argentina, e agora é investigado pela Justiça Federal de Córdoba, que busca esclarecer as circunstâncias do ocorrido.
Além do impacto emocional causado pelo episódio, o caso reacendeu o debate sobre os protocolos de segurança adotados durante voos de instrução, o acompanhamento psicológico de profissionais da aviação e os procedimentos utilizados por escolas de pilotagem para avaliar seus instrutores.
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O que aconteceu durante o voo de treinamento?
Segundo as informações divulgadas pelas autoridades e pela escola de aviação, o voo ocorreu a bordo de um monomotor Cessna 150, aeronave de dois lugares bastante utilizada na formação de pilotos.
Durante o treinamento, o avião voava a aproximadamente 250 metros de altitude quando o instrutor Leandro Bertazzo, de 42 anos, tomou uma atitude inesperada.
De acordo com o diretor da escola Flying Parrot Córdoba, Eduardo Alvarez, o instrutor olhou para a aluna e disse apenas:
“Você sabe o que fazer.”
Logo depois, retirou os fones de ouvido, colocou o celular de lado e abriu a porta da aeronave.
Segundo Alvarez, abrir a porta durante o voo não é uma tarefa simples, pois a pressão do ar dificulta bastante esse procedimento.
Mesmo assim, Bertazzo conseguiu deixar a aeronave enquanto ela ainda estava em voo.
Posteriormente, equipes de resgate localizaram seu corpo em uma área rural da cidade de Toledo, localizada na província de Córdoba.
As circunstâncias da queda ainda fazem parte das investigações conduzidas pelas autoridades argentinas.
Aluna conseguiu manter o controle da aeronave
Apesar da situação extremamente inesperada, a aluna demonstrou preparo suficiente para evitar uma tragédia ainda maior.
Embora já possuísse brevê de piloto, ela ainda acumulava poucas horas de experiência prática e participava justamente de uma sessão de treinamento para ampliar seus conhecimentos.
Mesmo emocionalmente abalada, a jovem conseguiu manter a calma.
Em seguida, entrou em contato com a equipe de apoio em solo, informou a emergência e recebeu orientações para concluir o procedimento de pouso.
Pouco tempo depois, ela conseguiu pousar o Cessna 150 normalmente, sem registrar qualquer dano à aeronave ou ferimentos.
O desfecho positivo chamou a atenção de especialistas em aviação, principalmente porque situações dessa natureza exigem grande controle emocional, conhecimento técnico e capacidade de tomada de decisão em poucos segundos.
Além disso, o episódio evidenciou a importância do treinamento prático realizado durante a formação de pilotos, já que a preparação recebida anteriormente permitiu que a jovem conduzisse a aeronave até o pouso de maneira segura.
Investigação busca esclarecer o comportamento do instrutor
Após o ocorrido, a Justiça Federal de Córdoba iniciou uma investigação para apurar todos os detalhes do caso.
As autoridades pretendem reconstruir os acontecimentos, analisar registros da escola de aviação e ouvir testemunhas que tiveram contato com o instrutor antes do voo.
Segundo informações divulgadas pelo Clarín, Leandro Bertazzo possuía experiência como piloto comercial antes de atuar como instrutor de voo.
De acordo com a reportagem, ele também havia procurado atendimento psiquiátrico em período anterior ao acidente.
Entretanto, essa informação não teria sido comunicada oficialmente à escola onde trabalhava.
O diretor Eduardo Alvarez afirmou que nenhum integrante da equipe percebeu mudanças significativas no comportamento do instrutor nos dias anteriores ao episódio.
Segundo ele, a única atitude considerada diferente ocorreu na manhã de 4 de julho, quando Bertazzo pediu carona a um colega até o Aeroporto Coronel Olmedo, já que normalmente costumava ir ao trabalho utilizando seu próprio carro.
Além disso, antes do voo em que deixou a aeronave, o instrutor já havia realizado outra missão de instrução no mesmo dia, sem qualquer registro de comportamento incomum.
Caso levanta debate sobre saúde mental e segurança na aviação
Embora a investigação ainda esteja em andamento, o episódio reacendeu discussões importantes sobre saúde mental na aviação, protocolos de segurança e acompanhamento de profissionais que atuam na formação de pilotos.
Especialistas lembram que pilotos comerciais e instrutores exercem funções de alta responsabilidade. Por isso, avaliações médicas e psicológicas periódicas fazem parte da rotina da profissão.
Entretanto, situações de sofrimento emocional podem surgir entre uma avaliação e outra. Dessa forma, especialistas defendem que escolas de aviação e empresas mantenham canais permanentes de acolhimento e acompanhamento para seus profissionais.
Além disso, o caso também chamou atenção para os procedimentos adotados durante voos de instrução.
Normalmente, esses treinamentos têm como objetivo preparar o aluno para lidar com falhas técnicas, mudanças climáticas e situações inesperadas. No entanto, praticamente não existem protocolos específicos para uma situação extrema como a registrada em Córdoba.
Ainda assim, a atuação da aluna demonstrou a importância do treinamento recebido.
Mesmo diante de uma emergência incomum, ela conseguiu manter o controle emocional, seguir os procedimentos previstos e concluir o pouso sem colocar outras pessoas em risco.
Por consequência, muitos profissionais da aviação destacaram que o preparo técnico foi decisivo para evitar um acidente de maiores proporções.
Autoridades continuam investigando o ocorrido
Enquanto a investigação avança, a Justiça Federal de Córdoba trabalha para esclarecer todos os detalhes do caso.
Os investigadores devem analisar documentos da escola de aviação, registros do voo, comunicações realizadas durante a emergência e outros elementos que possam ajudar a compreender o que aconteceu antes e durante o treinamento.
Até o momento, as autoridades não divulgaram conclusões oficiais sobre as circunstâncias que levaram o instrutor a deixar a aeronave.
Da mesma forma, a escola Flying Parrot Córdoba afirmou que continuará colaborando com as investigações.
Segundo o diretor Eduardo Alvarez, o comportamento de Leandro Bertazzo nunca havia despertado preocupação entre os colegas de trabalho.
Por esse motivo, o episódio surpreendeu toda a equipe.
Além disso, o caso reforça a importância da discussão sobre prevenção, acompanhamento psicológico e segurança operacional dentro da aviação civil.
À medida que novas informações forem divulgadas pelas autoridades argentinas, será possível compreender melhor os fatores que contribuíram para esse episódio.
Enquanto isso, permanece o reconhecimento da atuação da aluna de 22 anos, que conseguiu pousar o monomotor Cessna 150 em segurança após assumir sozinha os comandos da aeronave a cerca de 250 metros de altitude.
O episódio, ocorrido em 4 de julho de 2026, passa a integrar uma lista extremamente rara de ocorrências na aviação mundial e deverá servir como objeto de estudo para especialistas em segurança operacional, treinamento de pilotos e saúde mental no setor aeronáutico.
Na sua opinião, as escolas de aviação deveriam adotar avaliações psicológicas mais frequentes para instrutores e pilotos durante a carreira?
