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Inflação russa dispara e preços alimentos explodem após guerra Ucrânia

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 18/02/2026 às 18:34
Atualizado em 18/02/2026 às 20:34
Guerra Ucrânia, sanções e impostos mais altos ampliam inflação russa, elevam preços alimentos e pressionam custo de vida em todo o país.
Foto: IA
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Guerra Ucrânia, sanções e impostos mais altos ampliam inflação russa, elevam preços alimentos e pressionam custo de vida em todo o país.

A escalada da inflação russa já impacta diretamente o bolso da população.

O aumento dos preços alimentos foi registrado com força nos últimos meses, atingindo consumidores comuns em cidades como Moscou.

O fenômeno ocorre em meio aos efeitos prolongados da guerra Ucrânia, à desaceleração da economia russa e à elevação do custo de vida

Nos supermercados, itens básicos ficaram mais caros em poucas semanas. Dados oficiais indicam que os preços subiram 2,3% em menos de um mês no início do ano.

Assim, a pressão inflacionária deixou de ser um indicador macroeconômico distante e passou a afetar a rotina alimentar das famílias. 

Relatos mostram impacto direto no custo de vida 

“A vida está ficando mais cara”, reclama Alexander, publicitário que mora em Moscou e trabalha para uma grande empresa. 

Em apenas um mês, o orçamento alimentar dele subiu mais de 22%.

O gasto passou de 35 mil rublos para 43 mil rublos. Além disso, ele relata aumento em praticamente todos os produtos — de ovos a legumes. 

Até o café diário ficou mais caro.

A bebida subiu 26%, passando de 230 para 290 rublos, evidenciando como a inflação russa se espalha para além da cesta básica. 

Guerra Ucrânia impulsiona inflação russa 

Desde o início da invasão, os gastos públicos foram redirecionados para defesa e indústria militar. Esse movimento aqueceu temporariamente a economia russa. Contudo, o efeito colateral foi o avanço consistente da inflação. 

Durante um período, o aumento da renda mascarou a alta de preços.

Grandes centros como Moscou e São Petersburgo sentiram menos o impacto inicial.

Entretanto, com a desaceleração econômica em 2025, os salários pararam de acompanhar a inflação. 

Consequentemente, o custo de vida começou a pesar de forma mais evidente. 

Preços alimentos sobem acima da média 

Levantamento com 59 produtos básicos mostra a dimensão do avanço inflacionário.

A cesta custava 7.358 rublos em 2024. No mês passado, saltou para 8.724 rublos — alta de 18,6%. 

O resultado acompanha o índice oficial de inflação alimentar, de 18,1% no período.

Entre os destaques, frutas e verduras subiram quase 15%. 

Assim, a dependência de importações explica parte da pressão.

Oscilações do rublo e rupturas logísticas, agravadas pela guerra Ucrânia, elevaram custos. 

Produção local também sofre pressão 

Nem mesmo produtos domésticos escaparam.

Os laticínios registraram aumento de 41% em dois anos. 

O setor enfrenta custos agrícolas maiores, crédito caro e falta de mão de obra.

Assim, a oferta diminui enquanto os preços sobem — combinação típica de pressão inflacionária estrutural na economia russa

Impostos mais altos ampliam inflação russa 

Outro fator recente foi o aumento do IVA.

O imposto passou de 20% para 22% em 1º de janeiro. 

O governo justificou a medida como necessária para financiar “defesa e segurança”.

Na prática, o repasse tributário ampliou os preços alimentos e outros itens essenciais. 

Portanto, a política fiscal ligada ao esforço de guerra também pressiona o custo de vida

Mudança de hábitos já é realidade 

O impacto é visível nas escolhas alimentares. 

Nadezhda, aposentada de 68 anos, afirma que deixou de comprar carne bovina.

Assim, agora consome peixes mais baratos. Segundo ela, toda a aposentadoria mensal é gasta com comida. 

Despesas foram adiadas.

Então o conserto do carro e a compra de uma jaqueta ficaram para depois. 

Consumo mais racional nos supermercados 

Kristina, especialista em marketing, também precisou usar economias para se alimentar. 

“Agora, adoto uma abordagem mais pragmática: não me preocupo com o que quero ou não quero comer, mas sim com a quantidade de proteína em 100 gramas dos produtos”, diz Kristina. 

Então ela afirma que jantar fora se tornou inviável.

Mesmo cozinhando, o custo dobrou para mais de 2 mil rublos. 

Economia russa desacelera e risco aumenta 

No verão de 2025, a presidente do Banco Central, Elvira Nabiullina, avaliou que o país estava próximo de um crescimento equilibrado. 

Entretanto, economistas passaram a ver riscos maiores após a desaceleração.

O mercado de petróleo surge como principal ameaça. 

O orçamento depende de preços elevados da commodity.

Porém, as cotações caíram e não há previsão de recuperação rápida. 

Sanções e petróleo ampliam pressão 

As sanções dos EUA reduziram vendas para a Índia, importante compradora. 

Com menos receita, o déficit público pode aumentar.

Além disso, juros altos dificultam novos empréstimos internacionais. 

Isso limita a capacidade do governo de sustentar a atividade econômica. 

Risco de estagnação e recessão 

Medidas futuras podem incluir mais impostos ou cortes de gastos.

Ambas reduzirão renda e consumo. 

“No geral, há uma tendência de estagnação e uma possível queda no PIB”, disse Tatiana Mikhailova. 

“Toda vez que os preços do petróleo caem, uma recessão é possível na Rússia”, acrescenta. 

Consumidor segue no centro da crise 

Mesmo sem recessão confirmada, os efeitos já são sentidos. 

Assim, a combinação entre inflação russapreços alimentos elevados, impactos da guerra Ucrânia e fragilidade da economia russa mantém o custo de vida sob pressão. 

Para milhões de russos, a crise deixou de ser geopolítica — tornou-se doméstica, diária e cada vez mais cara. 

Veja mais em: O que está por trás da onda de aumento de preços na Rússia: ‘Não consigo mais comprar carne’ – BBC News Brasil

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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