Guerra Ucrânia, sanções e impostos mais altos ampliam inflação russa, elevam preços alimentos e pressionam custo de vida em todo o país.
A escalada da inflação russa já impacta diretamente o bolso da população.
O aumento dos preços alimentos foi registrado com força nos últimos meses, atingindo consumidores comuns em cidades como Moscou.
O fenômeno ocorre em meio aos efeitos prolongados da guerra Ucrânia, à desaceleração da economia russa e à elevação do custo de vida.
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Nos supermercados, itens básicos ficaram mais caros em poucas semanas. Dados oficiais indicam que os preços subiram 2,3% em menos de um mês no início do ano.
Assim, a pressão inflacionária deixou de ser um indicador macroeconômico distante e passou a afetar a rotina alimentar das famílias.
Relatos mostram impacto direto no custo de vida
“A vida está ficando mais cara”, reclama Alexander, publicitário que mora em Moscou e trabalha para uma grande empresa.
Em apenas um mês, o orçamento alimentar dele subiu mais de 22%.
O gasto passou de 35 mil rublos para 43 mil rublos. Além disso, ele relata aumento em praticamente todos os produtos — de ovos a legumes.
Até o café diário ficou mais caro.
A bebida subiu 26%, passando de 230 para 290 rublos, evidenciando como a inflação russa se espalha para além da cesta básica.
Guerra Ucrânia impulsiona inflação russa
Desde o início da invasão, os gastos públicos foram redirecionados para defesa e indústria militar. Esse movimento aqueceu temporariamente a economia russa. Contudo, o efeito colateral foi o avanço consistente da inflação.
Durante um período, o aumento da renda mascarou a alta de preços.
Grandes centros como Moscou e São Petersburgo sentiram menos o impacto inicial.
Entretanto, com a desaceleração econômica em 2025, os salários pararam de acompanhar a inflação.
Consequentemente, o custo de vida começou a pesar de forma mais evidente.
Preços alimentos sobem acima da média
Levantamento com 59 produtos básicos mostra a dimensão do avanço inflacionário.
A cesta custava 7.358 rublos em 2024. No mês passado, saltou para 8.724 rublos — alta de 18,6%.
O resultado acompanha o índice oficial de inflação alimentar, de 18,1% no período.
Entre os destaques, frutas e verduras subiram quase 15%.
Assim, a dependência de importações explica parte da pressão.
Oscilações do rublo e rupturas logísticas, agravadas pela guerra Ucrânia, elevaram custos.
Produção local também sofre pressão
Nem mesmo produtos domésticos escaparam.
Os laticínios registraram aumento de 41% em dois anos.
O setor enfrenta custos agrícolas maiores, crédito caro e falta de mão de obra.
Assim, a oferta diminui enquanto os preços sobem — combinação típica de pressão inflacionária estrutural na economia russa.
Impostos mais altos ampliam inflação russa
Outro fator recente foi o aumento do IVA.
O imposto passou de 20% para 22% em 1º de janeiro.
O governo justificou a medida como necessária para financiar “defesa e segurança”.
Na prática, o repasse tributário ampliou os preços alimentos e outros itens essenciais.
Portanto, a política fiscal ligada ao esforço de guerra também pressiona o custo de vida.
Mudança de hábitos já é realidade
O impacto é visível nas escolhas alimentares.
Nadezhda, aposentada de 68 anos, afirma que deixou de comprar carne bovina.
Assim, agora consome peixes mais baratos. Segundo ela, toda a aposentadoria mensal é gasta com comida.
Despesas foram adiadas.
Então o conserto do carro e a compra de uma jaqueta ficaram para depois.
Consumo mais racional nos supermercados
Kristina, especialista em marketing, também precisou usar economias para se alimentar.
“Agora, adoto uma abordagem mais pragmática: não me preocupo com o que quero ou não quero comer, mas sim com a quantidade de proteína em 100 gramas dos produtos”, diz Kristina.
Então ela afirma que jantar fora se tornou inviável.
Mesmo cozinhando, o custo dobrou para mais de 2 mil rublos.
Economia russa desacelera e risco aumenta
No verão de 2025, a presidente do Banco Central, Elvira Nabiullina, avaliou que o país estava próximo de um crescimento equilibrado.
Entretanto, economistas passaram a ver riscos maiores após a desaceleração.
O mercado de petróleo surge como principal ameaça.
O orçamento depende de preços elevados da commodity.
Porém, as cotações caíram e não há previsão de recuperação rápida.
Sanções e petróleo ampliam pressão
As sanções dos EUA reduziram vendas para a Índia, importante compradora.
Com menos receita, o déficit público pode aumentar.
Além disso, juros altos dificultam novos empréstimos internacionais.
Isso limita a capacidade do governo de sustentar a atividade econômica.
Risco de estagnação e recessão
Medidas futuras podem incluir mais impostos ou cortes de gastos.
Ambas reduzirão renda e consumo.
“No geral, há uma tendência de estagnação e uma possível queda no PIB”, disse Tatiana Mikhailova.
“Toda vez que os preços do petróleo caem, uma recessão é possível na Rússia”, acrescenta.
Consumidor segue no centro da crise
Mesmo sem recessão confirmada, os efeitos já são sentidos.
Assim, a combinação entre inflação russa, preços alimentos elevados, impactos da guerra Ucrânia e fragilidade da economia russa mantém o custo de vida sob pressão.
Para milhões de russos, a crise deixou de ser geopolítica — tornou-se doméstica, diária e cada vez mais cara.
Veja mais em: O que está por trás da onda de aumento de preços na Rússia: ‘Não consigo mais comprar carne’ – BBC News Brasil

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