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Inconformado ao ver baterias de notebook irem para o lixo, homem junta mais de 650 unidades e transforma o descarte eletrônico em banco de armazenamento de energia solar para abastecer a casa

Escrito por Geovane Souza
Publicado em 15/06/2026 às 09:56
Atualizado em 15/06/2026 às 11:36
Homem reaproveita mais de 650 baterias de notebook em sistema de energia solar residencial e chama atenção para o potencial do lixo eletrônico no armazenamento de energia
Homem reaproveita mais de 650 baterias de notebook em sistema de energia solar residencial e chama atenção para o potencial do lixo eletrônico no armazenamento de energia (Imagem ilustrativa)
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Projeto mostra como baterias antigas de notebook podem ganhar segunda vida em sistemas solares, mas também acende alerta sobre segurança, descarte correto e limites de iniciativas caseiras

Um projeto de energia solar residencial chamou atenção após ser documentado no fórum Second Life Storage por um usuário conhecido como Glubux, que começou a relatar a montagem em novembro de 2016. Na época, ele afirmou que já produzia parte da própria eletricidade com painéis solares no telhado, uma bateria antiga de empilhadeira, controladores de carga e inversor.

O diferencial do projeto estava no banco de energia. Em vez de comprar baterias novas para armazenar a eletricidade gerada pelos painéis solares, Glubux passou a desmontar baterias descartadas de notebook, testar as células internas e montar novos packs para uso residencial. No início, segundo o relato publicado por ele, o acervo já reunia cerca de 650 baterias de notebook.

Segundo a New Energy Brasil, a ideia nasceu a partir de equipamentos que provavelmente iriam para o lixo eletrônico. Em vez de descartar os packs de notebooks, o responsável pelo projeto passou a separar células ainda utilizáveis, combinando-as com painéis solares, controlador de carga e inversor.

O caso chama atenção porque une dois temas cada vez mais presentes na transição energética: energia solar residencial e armazenamento em baterias. O sistema não representa uma solução pronta para ser copiada por qualquer pessoa, mas ajuda a mostrar o potencial escondido em materiais que normalmente perdem valor quando um notebook deixa de funcionar.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam que baterias de íons de lítio exigem conhecimento técnico, proteção adequada e descarte responsável. Quando mal manuseadas, danificadas ou ligadas de forma incorreta, elas podem gerar riscos de aquecimento, curto-circuito e incêndio.

Baterias de notebook viram banco de energia para sistema solar

De acordo com a publicação, o projeto começou em novembro de 2016, quando o responsável já tinha alguma experiência com energia solar. Na fase inicial, ele contava com painéis fotovoltaicos, uma bateria antiga de empilhadeira, controlador de carga e inversor, mas ainda buscava uma forma mais robusta de armazenar a energia gerada.

Baterias de notebook viram banco de energia para sistema solar
Baterias de notebook viram banco de energia para sistema solar (Imagem ilustrativa)

A solução encontrada foi aproveitar baterias de notebook descartadas. Em muitos casos, um pack inteiro é jogado fora quando apenas parte das células internas perdeu desempenho. Isso significa que algumas unidades ainda podem reter carga e servir em aplicações de menor exigência, desde que passem por avaliação técnica.

No começo, o estoque reunia cerca de 650 baterias de notebook. Com o tempo, segundo a reportagem, o número teria passado de 1.000 unidades, formando uma espécie de banco de energia construído aos poucos, célula por célula, para apoiar a alimentação elétrica da residência.

A montagem foi instalada em um galpão separado da casa, a aproximadamente 50 metros da residência. Esse detalhe é importante porque mostra uma preocupação com segurança e organização do sistema, embora a iniciativa continue sendo uma instalação artesanal e fora do padrão comercial certificado.

Energia solar off-grid depende de armazenamento para funcionar à noite

O ponto central do projeto é o armazenamento. Painéis solares geram eletricidade durante o dia, mas a casa também precisa de energia à noite, em dias nublados ou em momentos de baixa geração. É nesse espaço que entram as baterias.

De acordo com a UNIFAL-MG, sistemas fotovoltaicos off-grid são aqueles que funcionam sem ligação direta com a rede de distribuição. Neles, a energia gerada pelos painéis precisa ser guardada em uma bateria ou banco de baterias, permitindo o uso posterior.

Uma pesquisa de mestrado desenvolvida na universidade estudou justamente o reaproveitamento de células 18650 retiradas de baterias de notebook para sistemas solares residenciais fora da rede. O trabalho avaliou células descartadas, mediu capacidade residual e analisou a viabilidade econômica dessa aplicação.

Segundo a UNIFAL-MG, cerca de 51% das células analisadas no estudo foram consideradas adequadas para reutilização. A pesquisa também apontou que uma bateria montada com células reaproveitadas poderia sustentar uma residência teórica por até cinco dias sem luz solar, além de apresentar retorno financeiro menor do que uma solução feita apenas com baterias novas.

Esse tipo de resultado ajuda a explicar por que projetos como o do homem que reuniu mais de 650 baterias despertam curiosidade. Eles mostram que o descarte de eletrônicos pode esconder componentes ainda úteis, desde que avaliados com método e segurança.

Lixo eletrônico cresce no mundo e pressiona a reciclagem

A história também chama atenção pelo lado ambiental. O lixo eletrônico é uma das frentes mais difíceis da economia circular, pois envolve equipamentos com metais, plásticos, placas, baterias e componentes que exigem tratamento adequado.

O Global E-waste Monitor 2024, relatório produzido por organismos ligados à ONU, informou que o mundo gerou 62 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2022. O volume cresceu 82% em relação a 2010 e pode chegar a 82 milhões de toneladas em 2030 se a tendência continuar.

Lixo eletrônico cresce no mundo e pressiona a reciclagem
Lixo eletrônico cresce no mundo e pressiona a reciclagem

O mesmo levantamento aponta que menos de um quarto desse lixo eletrônico teve coleta e reciclagem documentadas em 2022. Isso significa que grande parte dos materiais segue para descarte inadequado, armazenamento informal ou cadeias sem rastreabilidade.

No Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos prevê a logística reversa como instrumento para devolver produtos ao setor produtivo, permitindo reciclagem, reaproveitamento ou destinação ambientalmente adequada. O Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão de Resíduos Sólidos também orienta que pilhas e baterias sejam entregues em pontos próprios de coleta.

Por isso, o reaproveitamento de baterias não deve ser confundido com improviso. O caminho mais seguro para consumidores comuns continua sendo levar pilhas, baterias e eletrônicos aos pontos de entrega, enquanto iniciativas técnicas devem seguir normas, proteção elétrica e acompanhamento especializado.

Armazenamento em baterias ganha espaço no Brasil

O caso das baterias de notebook aparece em um momento em que o armazenamento de energia se tornou tema estratégico no setor elétrico brasileiro. A energia solar cresceu rapidamente nos telhados, propriedades rurais e empresas, mas a capacidade de guardar eletricidade ainda é uma das peças mais caras e complexas dessa expansão.

A ANEEL informou, em 2025, que o Brasil já contava com milhões de sistemas de micro e minigeração distribuída conectados à rede. A maior parte dessas unidades estava na classe residencial, mostrando como a geração própria deixou de ser assunto restrito a grandes empresas.

Em junho de 2026, a ANEEL aprovou regras sobre sistemas de armazenamento de energia, discutindo modelos de exploração, cobrança pelo uso da rede e participação desses equipamentos no Sistema Interligado Nacional. Na mesma semana, o Ministério de Minas e Energia publicou diretrizes para um leilão inédito de armazenamento em baterias no país.

Essas medidas tratam de projetos profissionais e de grande escala, não de instalações caseiras com baterias reaproveitadas. Mesmo assim, o movimento reforça que as baterias ganharam papel central na transição energética, seja para residências isoladas, redes elétricas ou grandes empreendimentos.

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética, baterias eletroquímicas têm potencial para diferentes aplicações por causa da resposta rápida, modularidade e flexibilidade de localização. O desafio está em reduzir custos, definir regras claras e garantir segurança técnica e ambiental.

Inspiração não elimina riscos de incêndio e falhas elétricas

Apesar do apelo sustentável, o projeto com baterias antigas de notebook exige cautela. Baterias de íons de lítio podem oferecer boa densidade de energia, mas também concentram riscos quando sofrem dano físico, sobrecarga, descarga profunda ou montagem inadequada.

Organizações de segurança contra incêndio alertam que baterias desse tipo não devem ser descartadas no lixo comum e precisam ficar longe de fontes de calor, materiais inflamáveis e carregadores inadequados. Em sistemas maiores, o risco aumenta porque centenas de células passam a trabalhar juntas.

No caso relatado pela New Energy Brasil, a instalação teria funcionado por anos sem incidentes graves, mas isso não transforma a prática em recomendação doméstica. O resultado depende de triagem cuidadosa, monitoramento constante, proteção elétrica e conhecimento técnico.

Para a maioria das famílias, a alternativa mais segura é investir em equipamentos certificados, contratar profissionais habilitados e descartar baterias antigas em pontos de logística reversa. Já para universidades, empresas e centros de pesquisa, o reaproveitamento pode ser uma linha promissora de estudo, especialmente em aplicações controladas.

A principal lição da história não é que qualquer pessoa pode montar uma bateria residencial com sucata. O recado mais importante é que resíduos eletrônicos têm valor, a energia solar precisa de armazenamento e a economia circular depende de tecnologia, segurança e responsabilidade.

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Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No CPG, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

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