Hong Kong inaugurou o United Court, primeiro projeto de habitação transitória totalmente concluído na cidade, com 1.800 unidades erguidas em apenas 12 meses usando 2.076 módulos pré-fabricados pela CIMC na China. A construção tradicional de moradias públicas em Hong Kong leva em média 4,1 anos. Os módulos saíram da fábrica com 90% do trabalho já concluído, incluindo cozinha, banheiro e sala de estar independentes, e o conjunto tem vida útil projetada de 50 anos.
Hong Kong enfrentava uma das piores crises habitacionais do mundo, com famílias vivendo em subdivisões de 5,3 metros quadrados e filas de espera de quase seis anos para habitação pública. A resposta veio na forma de módulos pré-fabricados: 2.076 blocos tridimensionais produzidos na fábrica da CIMC em Guangdong, na China, transportados por mar e terra até Yuen Long e empilhados em edifícios de quatro andares no bairro de Tung Tau. O resultado foi o United Court, conjunto habitacional com 1.800 unidades inaugurado em junho de 2022 após apenas 12 meses de obra, contra os 4,1 anos que a construção tradicional de moradias públicas leva em média na cidade.
O projeto é uma parceria entre o governo de Hong Kong, a incorporadora Sun Hung Kai Properties e o Hong Kong Sheng Kung Hui Welfare Council, entidade assistencial que opera o conjunto. A CIMC Modular Building Systems forneceu os módulos pré-fabricados com 90% do trabalho de construção e acabamento já concluído na fábrica. Os 2.076 módulos foram produzidos em apenas 96 dias, 30 dias antes do prazo, e transportados até o canteiro de obras para montagem rápida. O United Court recebeu o Gold Award do DFA Design for Asia Awards e atende cerca de 5 mil moradores de famílias de baixa renda.
O que são os módulos pré-fabricados e como chegam ao canteiro

Cada módulo pré-fabricado é um bloco tridimensional de aço que sai da fábrica como uma unidade habitacional praticamente pronta. Dentro dele já estão instalados a cozinha, o banheiro, a sala de estar, o sistema elétrico com iluminação LED, o ar-condicionado, a ventilação e os eletrodomésticos. A técnica é chamada de MiC, sigla para Construção Integrada Modular, e permite que mais de 90% do trabalho seja feito no ambiente controlado da fábrica antes do transporte para o canteiro.
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No local da obra, os módulos pré-fabricados são içados por guindastes e empilhados em sequência, conectados entre si por pontes interligadas que criam uma comunidade integrada. O United Court tem quatro pavimentos e utiliza 24 tipos diferentes de cores nas fachadas, criando um visual vibrante que contrasta com a monotonia dos conjuntos habitacionais tradicionais. Cada unidade possui sala de estar, banheiro e cozinha independentes, projetados para oferecer dignidade a famílias que antes viviam em espaços de 5,3 metros quadrados.
De 5,3 metros quadrados para 18: o que muda para os moradores

A crise habitacional de Hong Kong tem números que assustam. Milhares de famílias viviam em unidades subdivididas com área útil média de 5,3 metros quadrados, espaços onde cozinhar, dormir e viver acontecem no mesmo cômodo minúsculo. No United Court, a área útil média das unidades é de aproximadamente 18 metros quadrados, mais que o triplo do espaço anterior, com separação entre áreas de cozinha, banheiro e estar.

O projeto oferece unidades para diferentes configurações familiares: individuais, duplas, para três pessoas, para quatro ou cinco pessoas e unidades adaptadas para pessoas com deficiência. Além das residências, o complexo conta com prédio de serviços comunitários, lojas de conveniência, cozinhas compartilhadas, playground infantil ao ar livre e jardins comunitários. Para famílias que viviam em condições de aperto extremo, a mudança representa não apenas mais espaço, mas acesso a infraestrutura que antes era inexistente.
A velocidade que mudou o cálculo da habitação pública
O dado mais impactante do United Court é o tempo de construção. Enquanto a habitação pública tradicional de Hong Kong leva em média 4,1 anos para ficar pronta, os módulos pré-fabricados do United Court permitiram concluir 1.800 unidades em 12 meses. Isso significa que a construção modular entregou em um ano o que o método convencional levaria mais de quatro anos para produzir.
A velocidade não comprometeu a durabilidade. Os módulos pré-fabricados foram projetados com vida útil de 50 anos, comparável à de edifícios convencionais de concreto. Além disso, todo o sistema foi concebido segundo o princípio DFMA, sigla em inglês para “design para fabricação e montagem”, o que significa que os módulos podem ser desmontados, transportados e remontados em outro local. O governo de Hong Kong já planeja realocar o United Court para um novo terreno após cinco anos, reutilizando os mesmos módulos pré-fabricados em outro projeto.
A escala que a CIMC alcançou em Hong Kong
O United Court não foi um caso isolado. Após o sucesso do projeto em Yuen Long, a CIMC Modular Building Systems construiu mais cinco conjuntos habitacionais transitórios em Hong Kong, totalizando cerca de 3.600 unidades em dois anos. Os projetos beneficiam mais de 10 mil famílias e mais de 15 mil moradores de comunidades carentes, distribuídos por diferentes distritos da cidade.
A fábrica da CIMC em Xinhui, Jiangmen, é a base de toda essa operação. Com 1 milhão de metros quadrados de área, 4 mil funcionários e capacidade para produzir 8 mil módulos pré-fabricados por ano, a planta consegue atender simultaneamente projetos em Hong Kong, na África, na Austrália e na Europa. O modelo demonstrou que é possível industrializar a construção civil e tratar habitação como um produto manufaturado, não como um canteiro de obras artesanal.
O que o United Court ensina sobre habitação no mundo
O projeto de Hong Kong coloca uma questão incômoda para governos que enfrentam déficit habitacional: se é possível erguer 1.800 moradias em 12 meses com módulos pré-fabricados produzidos em fábrica, por que a construção tradicional ainda domina? A resposta envolve resistência da indústria da construção civil, regulações que não contemplam sistemas modulares e a percepção equivocada de que moradia pré-fabricada é sinônimo de baixa qualidade.
O United Court prova o contrário: cada unidade tem 50 anos de vida útil, acabamento completo, ar-condicionado e cozinha equipada. O custo final é inferior ao da habitação tradicional, e o tempo de entrega é incomparavelmente menor. Para países como o Brasil, que carregam déficit habitacional de milhões de unidades, a construção modular industrializada oferece um caminho que combina velocidade, escala e qualidade sem depender de canteiros de obra lentos e sujeitos a intempéries.
Você acha que o Brasil deveria adotar módulos pré-fabricados para construir moradia popular em escala, ou a construção tradicional ainda é a melhor opção? O que mais impressiona no United Court: os 12 meses de obra, os 50 anos de vida útil ou o fato de que o conjunto inteiro pode ser desmontado e remontado em outro lugar? Conta nos comentários.

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