A China se tornou o mercado de café que mais cresce no mundo, com 300 milhões de consumidores e mais de 200 mil cafeterias em operação. Segundo as informações do TIMES BRASIL, as exportações de café brasileiro para a China saltaram de 32,9 milhões de dólares para 402,8 milhões em apenas seis anos. O Brasil responde com safra recorde estimada em 66 milhões de sacas pela Conab e garante que tem capacidade de expandir a produção sem desmatamento.
A China decidiu gostar de café, e quando a China gosta de algo, a escala muda tudo. Entre abril de 2020 e março de 2021, o Brasil exportava 32,9 milhões de dólares em café para o mercado chinês. Em março de 2026, esse valor havia saltado para 402,8 milhões de dólares, uma multiplicação de mais de doze vezes em seis anos que redesenhou o mapa das exportações brasileiras do grão. A explosão do consumo na China está ligada à urbanização acelerada, à influência de hábitos ocidentais entre os jovens e à associação do café com status social, conveniência e socialização em um país de quase 1,4 bilhão de habitantes.
O Brasil se prepara para atender essa demanda com a safra recorde de café da sua história. A Conab estima a produção 2026/27 em 66 milhões de sacas, crescimento de 17% em relação ao ciclo anterior, com 44 milhões de sacas de arábica e 22 milhões de conilon. O dado mais relevante para o futuro é que o país mais que dobrou a produção nas últimas décadas utilizando praticamente a mesma área de cultivo, e ainda dispõe de terras para expandir sem precisar desmatar. O 25º Seminário Internacional do Café, encerrado esta semana em Santos, reuniu compradores de mais de 25 países com um clima de otimismo que o setor não via há anos.
A explosão do consumo de café na China

O mercado de café na China passou de nicho para fenômeno em menos de uma década. O país já conta com aproximadamente 300 milhões de consumidores da bebida e mais de 200 mil cafeterias em operação, número que não para de crescer. A rede Luckin Coffee, fundada em 2017, ultrapassou a Starbucks em número de lojas na China e funciona como termômetro de um hábito que se espalhou das grandes metrópoles para cidades médias e pequenas.
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Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, explica que o café conquistou espaço inicialmente entre os jovens, mas já avança para outras faixas etárias. A bebida é associada a um estilo de vida urbano e moderno, e as cafeterias funcionam tanto como espaço de trabalho quanto de socialização. Em agosto de 2025, a Embaixada da China no Brasil habilitou 183 novas empresas brasileiras de café para exportar ao país, sinal claro de que Pequim quer diversificar seus fornecedores para acompanhar a demanda crescente.
A safra recorde que pode mudar o jogo
O Brasil está entrando na colheita 2026/27 com expectativas de produção sem precedentes. Carlos Santana, diretor comercial da Eisa, declarou nos bastidores do Seminário Internacional do Café em Santos que o país “muito provavelmente vai ter a maior safra da história” e que os reflexos nos embarques devem começar a aparecer já em julho e agosto. A safra anterior, em 2024, já havia batido recorde de exportações com 50,5 milhões de sacas vendidas ao exterior.
A nova colheita conta com condições climáticas mais favoráveis, maior uso de tecnologia nas lavouras e expansão de 4% na área plantada, que se aproxima de 2 milhões de hectares. O acréscimo de 10 milhões de sacas da safra recorde em relação ao ciclo anterior representa um volume que, isoladamente, seria suficiente para abastecer mercados inteiros. A China, com sua demanda em crescimento exponencial, é o destino que mais atrai a atenção do setor.
O Brasil que dobrou a produção sem aumentar a área
Um dos dados mais relevantes apresentados no seminário de Santos é que o Brasil mais que dobrou sua produção de café nas últimas décadas sem expandir significativamente a área de cultivo. Isso foi possível graças à renovação dos cafezais, ao uso de variedades mais produtivas e à adoção de tecnologias de manejo que aumentam a produtividade por hectare.
O país ainda possui disponibilidade de terras aptas ao cultivo de café sem necessidade de desmatamento, o que responde diretamente a uma das maiores preocupações dos compradores internacionais: a sustentabilidade ambiental. Para atender a China e outros mercados em crescimento, como a Índia, o Brasil não precisa derrubar floresta. Precisa continuar investindo em tecnologia e renovação de lavouras, algo que a cadeia produtiva já faz há anos com resultados mensuráveis.
O que a China representa para a cadeia do café brasileiro
A entrada da China como grande compradora de café brasileiro não é apenas mais um destino na planilha de exportações. É uma mudança estrutural. Quando um país de 1,4 bilhão de habitantes adota um novo hábito de consumo alimentar, a demanda criada é de uma magnitude que pode absorver safras inteiras e forçar produtores do mundo todo a reorganizar suas operações.
O Seminário Internacional do Café em Santos dedicou debates inteiros ao tema da China, com painéis sobre logística, geopolítica e trading global voltados especificamente para entender como o mercado chinês vai se comportar nos próximos anos. Os compradores chineses já participam das rodadas de negociação diretamente, visitam fazendas brasileiras e fecham contratos de longo prazo. Para o Brasil, que é o maior produtor e exportador global de café e vem de uma safra recorde, a China é ao mesmo tempo oportunidade e desafio: atender uma demanda que só cresce exige produção recorde, logística eficiente e capacidade de escalar sem comprometer qualidade.
Você sabia que a China multiplicou por doze as compras de café brasileiro em seis anos? Acha que o Brasil vai conseguir atender essa demanda sem subir ainda mais o preço do café no mercado interno? Conta nos comentários.


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