Um homem identificado como Hamilton Miranda, do canal Sítio Paraíso no YouTube, constrói sozinho um chalé de madeira nas horas vagas, aproveitando sobras da própria obra para fabricar cama, armários e cômoda. O projeto está no terceiro vídeo de acompanhamento e ainda não foi concluído.
Há projetos que existem primeiro na cabeça, com cada detalhe imaginado antes de qualquer madeira ser cortada. O chalé de madeira que Hamilton Miranda está erguendo no Sítio Paraíso, documentado em seu canal no YouTube, é exatamente esse tipo de obra. Ele afirma que o projeto existia na sua cabeça há sete anos antes de começar a sair do papel, e o terceiro vídeo da série mostra onde chegou a construção: uma estrutura com mezanino, deck de entrada, escada lateral, varanda nos fundos, cozinha em andamento e um banheiro de alvenaria maior do que o convencional. Na prática, Hamilton constrói sozinho cada etapa do chalé, nas horas vagas, sem equipe contratada.
O que torna o relato de Hamilton relevante além do resultado visual é a lógica construtiva por trás de cada decisão. Quase nenhuma peça de madeira foi desperdiçada: as sobras das paredes viraram o balcão da cozinha, as vigotas cortadas ao meio formaram a estrutura da cama, as tábuas do deck foram usadas na base do mobiliário. O canal Sítio Paraíso no YouTube é a fonte das informações apresentadas neste artigo, com base no conteúdo narrado pelo próprio construtor ao longo do vídeo de evolução do chalé.
A escada lateral e o deck de entrada: decisões com razões práticas

Uma das primeiras perguntas que seguidores fizeram ao Hamilton foi por que a escada de acesso ao chalé ficou posicionada na lateral, e não centralizada na frente da porta. A resposta revela a lógica de quem projeta com visão de longo prazo: ele afirma que tem planos futuros para o espaço em frente à porta, ainda não revelados nos vídeos, e que centralizar a escada ali inviabilizaria essa próxima etapa. A decisão não foi improvisada, foi planejada para preservar uma área estratégica.
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O deck de entrada foi outra adição em relação ao vídeo anterior, quando a estrutura ainda não tinha esse elemento. A fachada do chalé é voltada propositalmente para o pôr do sol, e os fundos para o nascer do sol e da lua, uma escolha que gerou críticas de seguidores que sugeriram inverter a orientação para evitar o calor da tarde. Hamilton explica que a decisão foi deliberada: o sítio é estreito, com vizinhos nas laterais, e inverter o chalé significaria ter as telhas voltadas para a melhor vista e a fachada encarando os terrenos vizinhos.
O problema do vidro e a solução com película arquitetônica
Com a fachada orientada para o sol da tarde, os vidros transparentes da frente do chalé criaram um problema concreto: o calor multiplicado pelo efeito do vidro chegou a danificar o assoalho interno, exigindo a troca de algumas peças. Hamilton descreve que, antes de resolver o problema, o calor dentro do chalé era perceptível já na entrada, como um bafo concentrado, enquanto o lado de fora permanecia sem esse acúmulo.
A solução foi buscar uma empresa especializada. Ele cita a Besser Romy, que descreve como a maior empresa de películas arquitetônicas do Brasil, e que foi contratada para instalar uma película nos vidros da fachada. Segundo Hamilton, o resultado foi imediato: o efeito é comparável a passar do sol direto para a sombra, com redução significativa do calor interno.
A película conferiu acabamento espelhado à fachada, um resultado que ele afirma ter gostado, embora reconheça que nem todos compartilham dessa preferência. Um detalhe técnico mencionado: vidros com película espelhada reduzem a incidência de pássaros em comparação com vidros transparentes, porque os pássaros não se enxergam no reflexo e não tentam atravessar.
A cozinha, o canto alemão e o aproveitamento de cada centímetro
No térreo, a cozinha está sendo construída com balcão em L, cooktop embutido, pia centralizada e armários feitos com as próprias madeiras do chalé. Hamilton usou caibos cortados ao meio com uma serra circular para montar a estrutura dos armários, e destaca que quase todo o espaço aberto que aparece no vídeo corresponde a portas de armário ainda não instaladas, com exceção de um gaveteiro.
O espaço embaixo da escada também foi aproveitado: uma porta foi instalada criando um armário de tamanho generoso, capaz de armazenar cimento e argamassa durante a obra. Para a área de refeições, Hamilton adotou a sugestão da nora Vitória, arquiteta, de criar um canto alemão, banco em L fixo na parede, com mesa de aproximadamente 1,5 metro e cadeiras no lado oposto. O banco será construído como baú, com assento que abre para guardar objetos, ampliando ainda mais a capacidade de armazenamento do chalé sem ocupar espaço adicional.
O mezanino, a cama e os móveis feitos das sobras da obra

Subindo a escada, que Hamilton descreve como trabalhosa de calcular, mas satisfatória no resultado, com degraus em ângulo para acomodar a curva da subida, o mezanino abriga o dormitório do chalé. A cama foi construída com madeiras da própria obra: a base usa os mesmos caibos de 15 por 15 centímetros da estrutura do chalé, e o baú de cabeceira foi feito com tábuas das paredes. Um vídeo separado no canal Sítio Paraíso mostra em detalhes como a cama foi construída do início ao fim.
Do lado oposto da cama, Hamilton construiu uma cômoda e um guarda-roupa com as mesmas madeiras, necessidade imposta pelo formato do chalé, que tem inclinação de telhado incompatível com móveis de medidas padrão.
O guarda-roupa é estreito no topo e mais largo na base, adaptado ao espaço disponível. Ainda faltam lixamento, envernizamento e instalação elétrica para finalizar o mezanino. No fundo do quarto, uma sacada com guarda-corpo já está concluída, voltada para o nascer do sol e da lua, com previsão de rede suspensa nas vigas e duas cadeiras para uso noturno.
O banheiro maior do que o esperado e os desafios do teto retrátil
A única parte do chalé construída em alvenaria é o banheiro, localizado no andar térreo dos fundos. Hamilton explica a decisão: a área molhada com chuveiros não poderia ser feita em madeira sem gerar problemas estruturais a longo prazo. O banheiro foi projetado intencionalmente grande, com dois chuveiros, banheira de hidromassagem com seixos no piso ao redor, canos instalados e uma área seca separada por vidro de box que abre no meio.
O elemento mais ambicioso do banheiro é o teto retrátil: Hamilton quer abrir metade do teto para ver o céu à noite e fechar quando precisar de proteção. Ele admite não ter encontrado fornecedor brasileiro para esse tipo de produto e está buscando empresas parceiras ou tentará construir a solução por conta própria.
O mesmo desafio existe no mezanino, onde planeja uma janela sacada, um tipo de abertura que permitiria ao usuário se projetar para fora e ver as estrelas. Ambos os elementos ainda não têm solução definida, e Hamilton deixa aberto o convite para empresas que trabalhem com esses produtos entrarem em contato pelo canal.
Sete anos de planejamento, obra feita nas horas vagas, móveis construídos das sobras e soluções inventadas para cada problema que aparece, esse é o chalé do Sítio Paraíso, onde Hamilton constrói sozinho um projeto que ainda está longe de terminar.

