Dois colapsos registrados no município expuseram estruturas relacionadas à antiga mineração subterrânea de carvão: um abriu uma cratera de cerca de sete metros no pátio de um supermercado, e outro formou um buraco de aproximadamente 40 metros em uma escola.
O subsolo de Arroio dos Ratos, na Região Carbonífera do Rio Grande do Sul, ainda guarda estruturas abertas durante a exploração subterrânea de carvão. Em dois episódios registrados no município, o rompimento do terreno expôs cavidades em áreas de uso cotidiano e foi associado a estruturas antigas da mineração.
Um desses casos ocorreu no pátio dos fundos do Supermercado Bem-Vindo, anteriormente conhecido como Condor. Um homem cortava lenha no local quando o terreno cedeu e abriu uma cratera de aproximadamente sete metros de profundidade; apesar do desabamento, ele conseguiu sair sem ferimentos.
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A ocorrência foi registrada em novembro de 2019 pelo Portal de Notícias, com informações da WebTV Ratense. A reportagem informou que uma equipe da Secretaria Municipal de Obras foi chamada para isolar a área e que técnicos da Copelmi Mineração fizeram uma avaliação do terreno após a abertura da cratera.
A equipe técnica relacionou o episódio a locais onde existiu mineração subterrânea de carvão e permaneceram túneis e outras estruturas abaixo da superfície. O excesso de chuva também apareceu na explicação publicada para o desabamento.

O caso não envolvia uma mina em funcionamento no pátio do supermercado. A explicação divulgada à época apontava para estruturas remanescentes da atividade carbonífera, construídas anteriormente no subsolo e posteriormente cobertas por áreas incorporadas ao uso urbano.
O que a mineração deixou sob a cidade
A presença histórica do carvão em Arroio dos Ratos também aparece em documentação do Serviço Geológico do Brasil. O repositório oficial mantém um relatório técnico sobre o carvão na área do município, elaborado pela então Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, a CPRM.
Esse registro ajuda a situar as referências a poços, galerias e passagens subterrâneas presentes nos relatos sobre os desabamentos. Durante a exploração de carvão, essas estruturas tinham funções ligadas à operação das minas, inclusive circulação e ventilação em áreas abaixo do nível do solo.
Os chamados poços de ventilação permitiam a circulação de ar nas galerias enquanto as minas estavam em operação. Depois do encerramento da atividade, essas estruturas continuaram fazendo parte do subsolo, mesmo quando os espaços na superfície passaram a ter outros usos.
No episódio do supermercado, a cavidade tornou visível um problema que estava sob a superfície. A cratera chegou a cerca de sete metros de profundidade exatamente na área onde o homem trabalhava, mas o acidente terminou sem feridos.
A primeira providência registrada após o desmoronamento foi impedir o acesso ao trecho atingido. O isolamento reduziu a circulação em torno da abertura enquanto a área era examinada por técnicos.
Outro desabamento atingiu uma escola
O caso de 2019 não foi o primeiro episódio de grandes proporções registrado em Arroio dos Ratos. Em junho de 2011, uma cratera de aproximadamente 40 metros de profundidade se abriu no pátio da Escola Santa Rita de Cássia, conforme o antecedente recuperado pelo Portal de Notícias.
Na ocasião, as aulas de cerca de 150 estudantes foram suspensas. A explicação publicada relacionou a abertura ao desabamento das paredes de um antigo poço utilizado como respirador das galerias de uma mina abandonada, com as chuvas associadas ao colapso dessa estrutura subterrânea.

Os dois episódios ocorreram em espaços de uso cotidiano, mas tiveram consequências diferentes. Na escola, a abertura afetou a rotina de alunos e levou à suspensão das aulas; no supermercado, o homem que trabalhava no pátio conseguiu deixar o local sem ferimentos.
Também houve diferença importante de dimensão. Os cerca de 40 metros atribuídos à cratera da escola correspondem a mais de cinco vezes os aproximadamente sete metros registrados no supermercado, embora essa comparação de profundidade, isoladamente, não permita afirmar que os dois colapsos tiveram o mesmo processo de formação.
O ponto comum está na origem descrita nas informações disponíveis. Em ambos os casos, estruturas associadas à antiga mineração subterrânea apareceram nas explicações para o rompimento do solo, acompanhadas da referência às chuvas como fator relacionado aos desabamentos.
Essas estruturas permaneciam fora da vista de quem utilizava os espaços na superfície. No supermercado, o problema só se tornou aparente quando o solo cedeu durante uma atividade de rotina; na escola, a abertura surgiu dentro de uma área frequentada pela comunidade escolar.
As informações disponíveis não permitem determinar quantas estruturas semelhantes permanecem sob imóveis, pátios ou vias de Arroio dos Ratos, nem autorizam atribuir qualquer depressão do terreno na cidade à mesma causa. A relação com a mineração foi apresentada especificamente para os episódios registrados.
Depois da vistoria no supermercado, a cavidade começou a ser preenchida com areia, conforme a reportagem. O procedimento ocorreu após o isolamento e a avaliação feita por técnicos da Copelmi no pátio dos fundos do estabelecimento.
