Criador desenvolve motocicleta artesanal com motor Ferrari e desempenho extremo, chamando atenção por potência, engenharia fora do comum e visual inspirado em competições.
O preparador norte-americano Maxwell Hazan construiu na própria oficina, em Los Angeles, a HF355, uma motocicleta artesanal equipada com motor V8 da Ferrari F355, potência estimada em 375 cv e peso em torno de 250 kg.
Com esses números, a relação peso-potência do projeto supera a de um carro moderno de Fórmula 1, algo raro até mesmo no universo das motos de alto desempenho.
Motor Ferrari F355 adaptado para moto
A HF355 nasce em torno de um bloco que, originalmente, foi pensado para um esportivo italiano de rua.
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O coração do modelo é um V8 de 3,5 litros da Ferrari F355, com cinco válvulas por cilindro, bielas de titânio e taxa de compressão de 11:1.
No carro, esse conjunto já entregava desempenho de destaque.
Transplantado para uma moto artesanal, o mesmo motor ganha um papel ainda mais radical.
Hazan explica que o objetivo sempre foi ir além de um simples exercício de estilo.
“Cada motocicleta que crio é única, feita por mim, na minha oficina.
Nunca repito um design.
Tento construir algo novo em cada projeto e fazê-lo da maneira mais elegante possível”, afirma o construtor, em declaração a um site especializado em motos customizadas.
Além da potência, o que chama atenção é a forma como o motor foi integrado ao conjunto.

Em vez de adaptar o V8 a uma estrutura existente, Hazan desenhou a moto a partir do propulsor, tratando o motor como elemento central de engenharia e não apenas como um componente de troca.
Estrutura sem chassi e foco em redução de peso
Desde o início do projeto, Hazan definiu o peso como principal inimigo.
Em vez de recorrer a um quadro tradicional, ele optou por eliminar o conceito de chassi separado.
Na HF355, motor e caixa de câmbio atuam como estrutura, e os demais componentes são parafusados diretamente a eles.
O tanque de combustível também participa da solução estrutural, funcionando como uma espécie de subchassi.
O preparador relata que o V8, sem acessórios e sem volante, pesava cerca de 107 kg, o que abriu espaço para um desenho extremamente enxuto ao redor.
“Este motor, sem acessórios ou volante, pesava 107 quilos.
Não era necessário mais nada.
Cada peça foi projetada para aproveitar ao máximo o espaço”, explica.
Com esse trabalho de engenharia, a moto chega a aproximadamente 250 kg de peso para 375 cv de potência.
A conta leva a uma relação peso-potência próxima de 1.360 cv por tonelada, valor que fica acima do estimado para um carro atual de Fórmula 1, em torno de 1.297 cv por tonelada.

Mesmo com uma massa superior à de uma superesportiva de mil cilindradas, o conjunto é muito mais extremo em potência relativa, o que ajuda a explicar o interesse que o modelo desperta entre entusiastas e especialistas.
Eletrônica programável e oito corpos de borboleta
Para controlar um motor de carro de alta rotação em uma motocicleta, Hazan recorreu a uma eletrônica sob medida.
A HF355 utiliza uma ECU MS3 Pro totalmente programável, configurada especificamente para esse projeto.
O construtor adotou um mapa do tipo Alpha N, solução indicada para motores com corpos de borboleta individuais.
Na prática, o V8 trabalha com oito corpos de borboleta, um para cada cilindro, o que exige calibração cuidadosa, mas garante resposta imediata do acelerador.
Hazan compara o comportamento ao de carburadores de corrediça plana.
“É como passar de carburadores CV para carburadores de corrediça plana.
Resposta instantânea”, resume.

Todos os componentes eletrônicos foram montados de forma artesanal, seguindo o mesmo conceito do restante da moto.
Nada é genérico, e cada sistema é pensado para tirar o máximo proveito do conjunto mecânico sem comprometer a confiabilidade básica.
Controle de temperatura com quatro ventiladores
Um dos desafios de adaptar um motor de carro para uma motocicleta está na gestão de calor.
No carro, o V8 da F355 trabalha em um cofre fechado, cercado por ar-condicionado, catalisadores e isolamento térmico.
Na moto, o cenário é completamente diferente, com o conjunto mais exposto e fluxo de ar distinto.
Hazan afirma que o comportamento térmico é mais controlável do que se imagina.
“Este motor não gera tanto calor porque não o retém.
No carro, ele ficava isolado entre o ar-condicionado e os catalisadores.
Aqui, com um radiador sob o motor, quatro ventiladores elétricos e um sistema de cárter seco, funciona perfeitamente”, explica.
O radiador fica instalado sob o motor, em posição que favorece a passagem de ar, enquanto os quatro ventiladores elétricos entram em ação conforme a gestão da ECU.
O sistema de lubrificação por cárter seco ajuda a manter pressão e temperatura do óleo sob controle e libera espaço para instalação de componentes.
Carroceria de fibra de carbono inspirada na Moto2

A parte visual e aerodinâmica acompanha o nível de sofisticação do conjunto mecânico.
A HF355 utiliza uma carroceria de fibra de carbono inspirada nas motos da Moto2, moldada à mão pelo próprio Hazan.
Cada painel, da carenagem frontal à seção traseira, foi produzido como peça única.
O construtor relata que o processo foi trabalhoso, mas resultou em grande redução de peso.
“Foi um trabalho árduo fazer tudo isso, mas no final, essa parte pesa cerca de três quilos no total”, conta.
O desenho prioriza uma postura de pilotagem esportiva, com frente baixa e traseira elevada, ao mesmo tempo em que expõe parte do V8, reforçando visualmente que se trata de um motor fora do comum para uma moto.
A proposta é aproximar a HF355 de uma superbike de pista, ainda que se trate de uma peça única, sem planos de produção em série.
Um ano até a moto rodar nas ruas
De acordo com Hazan, o projeto levou cerca de um ano entre a fase inicial, quando a moto era pouco mais que duas rodas e um motor, e o estágio atual, em que a HF355 é completamente funcional.
Não se trata de uma maquete estática ou de uma renderização digital.
O modelo já foi filmado rodando em ruas de Los Angeles e apresentado em eventos especializados.
O som do V8 italiano, filtrado por um escapamento artesanal, reforça a ligação entre o universo dos superesportivos de quatro rodas e o das motocicletas de alto desempenho.
Em encontros e exposições, o modelo costuma concentrar a atenção de curiosos, engenheiros e fãs de customização.
Por combinar motor consagrado, engenharia fora do padrão e execução manual detalhista, até onde projetos individuais como esse podem influenciar o futuro das motocicletas de alta performance?


Assistir muito os video dele fazendo essa moto no tik tok o cara e muito bom no que faz viu , pra quem gosta e um espetáculo…
Acredito que não faça curvas ou seja muito ruim, além de estar com as correias sem proteção, próximas as mãos!
O motor deve esquentar muito e queimar a perna do piloto da moto , manter o equilíbrio também deve ser difícil , acho que esse motor caberia melhor numa moto de 3 rodas .