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Harley-Davidson amarga prejuízo de US$ 279 milhões, vê receita despencar 28% e toma decisão: apostar em moto mais barata para 2026

Escrito por Ana Alice
Publicado em 19/02/2026 às 01:09
Atualizado em 19/02/2026 às 01:11
Harley-Davidson registra prejuízo de US$ 279 milhões, queda de 28% na receita e reestruturação com foco na moto Sprint em 2026.
Harley-Davidson registra prejuízo de US$ 279 milhões, queda de 28% na receita e reestruturação com foco na moto Sprint em 2026.
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Queda de receita, prejuízo bilionário e reestruturação estratégica colocam a Harley-Davidson sob pressão em meio a tarifas, retração de vendas e mudanças no perfil do consumidor global.

A Harley-Davidson encerrou o quarto trimestre de 2025 com queda expressiva de receita e prejuízo ampliado.

A companhia informou faturamento de US$ 496 milhões no período, recuo de 28% na comparação anual, e prejuízo líquido de US$ 279 milhões, mais que o dobro do resultado negativo registrado no mesmo trimestre de 2024.

Os dados constam no balanço divulgado aos investidores e foram repercutidos por agências internacionais.

No acumulado de 2025, a receita consolidada caiu 14% frente ao ano anterior.

Embora o ano tenha terminado com lucro líquido de US$ 339 milhões, o desempenho do último trimestre pressionou o resultado geral e reforçou o cenário de retração nas vendas.

Queda nas vendas e margens pressionadas no setor de motocicletas

De acordo com o relatório corporativo, a divisão de motocicletas teve redução de 10% na receita trimestral.

Já a área de serviços financeiros apresentou retração de 59% no período.

As remessas globais de motocicletas caíram 16% em 2025 em relação a 2024.

No varejo, as vendas globais recuaram 12% no ano, segundo a própria empresa.

Além do recuo em volume, a margem bruta anual ficou 3,8 pontos percentuais abaixo do registrado em 2024.

O quarto trimestre terminou com prejuízo operacional consolidado de US$ 361 milhões.

Executivos atribuíram parte da pressão ao ambiente macroeconômico.

Em teleconferência após a divulgação dos resultados, o diretor financeiro Jonathan Root afirmou que o varejo global tem operado em um cenário volátil desde meados de 2024, com inflação persistente e juros elevados afetando decisões de compra.

Impacto das tarifas e custo de semicondutores

Outro fator citado foi o impacto das tarifas sobre componentes importados.

Segundo a Reuters, as novas tarifas custaram US$ 22 milhões apenas no quarto trimestre e somaram US$ 67 milhões ao longo de 2025.

A Harley-Davidson informou que cerca de 75% dos componentes de suas motocicletas são de origem norte-americana.

Ainda assim, semicondutores e outras peças estratégicas continuam sendo importados, o que mantém a empresa exposta a oscilações regulatórias e cambiais.

Em comunicados ao mercado, a companhia não detalhou projeções específicas de redução desse impacto no curto prazo.

Estratégia focada em modelos de maior valor agregado

Nos últimos anos, a fabricante intensificou a aposta em motocicletas de maior valor agregado, como modelos touring e custom, que tradicionalmente apresentam margens superiores.

Reportagem da Reuters observou que essa estratégia buscava compensar a redução de volumes com preços mais elevados.

Os números recentes, no entanto, indicam que a demanda também sofreu retração nesse segmento.

A empresa não divulgou recorte detalhado por faixa de preço, mas confirmou queda nas remessas globais e no varejo total.

Moto de entrada “Sprint” prevista para 2026

Como parte da reorganização, a Harley confirmou planos de lançar uma motocicleta de menor cilindrada e preço mais acessível, chamada “Sprint”, prevista para 2026.

A informação foi mencionada pela Reuters como tentativa de ampliar a base de consumidores.

Até o momento, a companhia não apresentou especificações técnicas nem posicionamento de preço do novo modelo.

O impacto comercial deve ocorrer apenas após o lançamento, previsto para o próximo ano.

Em declarações públicas, a direção classificou 2026 como um “ano de transição”.

Segundo a empresa, mudanças estratégicas mais amplas serão detalhadas ao longo do ano, incluindo ajustes na linha de produtos e no relacionamento com concessionárias.

Ajustes operacionais e reação das ações na bolsa

A administração afirmou que está adotando medidas para estabilizar o negócio e alinhar a produção à demanda do varejo.

Em documento protocolado junto à SEC, o presidente e CEO Artie Starrs declarou que a companhia busca restaurar a confiança da rede de concessionárias e adequar volumes de atacado às vendas efetivas.

No mercado financeiro, as ações registraram leve alta após a divulgação do plano estratégico, depois de queda no pré-mercado.

A Reuters atribuiu o movimento à expectativa de que a empresa apresente diretrizes mais claras para recuperação ao longo de 2026.

Situação da divisão elétrica LiveWire

Em 2025, a LiveWire registrou prejuízo operacional de US$ 75 milhões, valor que a administração afirmou estar dentro das projeções internas.

A empresa reportou ainda remessas de motocicletas elétricas no período.

Até o momento, não houve anúncio oficial de encerramento das atividades da divisão elétrica.

A separação estrutural da LiveWire já havia sido comunicada anteriormente como parte da estratégia corporativa.

Os dados financeiros recentes mostram retração relevante em receita, volume e margens, ao mesmo tempo em que a empresa anuncia reestruturação e novo posicionamento de produto para 2026.

Diante desse cenário, o mercado acompanhará se a ampliação da oferta para segmentos mais acessíveis será suficiente para reverter a tendência de queda nas vendas e recuperar a rentabilidade nos próximos trimestres.

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Carlos
Carlos
19/02/2026 13:04

Harley se acomodou, e perdeu o foco da necessidade de ter um mix de produtos que geram mais rentabilidade.

Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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