Queda de receita, prejuízo bilionário e reestruturação estratégica colocam a Harley-Davidson sob pressão em meio a tarifas, retração de vendas e mudanças no perfil do consumidor global.
A Harley-Davidson encerrou o quarto trimestre de 2025 com queda expressiva de receita e prejuízo ampliado.
A companhia informou faturamento de US$ 496 milhões no período, recuo de 28% na comparação anual, e prejuízo líquido de US$ 279 milhões, mais que o dobro do resultado negativo registrado no mesmo trimestre de 2024.
Os dados constam no balanço divulgado aos investidores e foram repercutidos por agências internacionais.
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No acumulado de 2025, a receita consolidada caiu 14% frente ao ano anterior.
Embora o ano tenha terminado com lucro líquido de US$ 339 milhões, o desempenho do último trimestre pressionou o resultado geral e reforçou o cenário de retração nas vendas.
Queda nas vendas e margens pressionadas no setor de motocicletas
De acordo com o relatório corporativo, a divisão de motocicletas teve redução de 10% na receita trimestral.
Já a área de serviços financeiros apresentou retração de 59% no período.
As remessas globais de motocicletas caíram 16% em 2025 em relação a 2024.
No varejo, as vendas globais recuaram 12% no ano, segundo a própria empresa.
Além do recuo em volume, a margem bruta anual ficou 3,8 pontos percentuais abaixo do registrado em 2024.
O quarto trimestre terminou com prejuízo operacional consolidado de US$ 361 milhões.
Executivos atribuíram parte da pressão ao ambiente macroeconômico.
Em teleconferência após a divulgação dos resultados, o diretor financeiro Jonathan Root afirmou que o varejo global tem operado em um cenário volátil desde meados de 2024, com inflação persistente e juros elevados afetando decisões de compra.
Impacto das tarifas e custo de semicondutores
Outro fator citado foi o impacto das tarifas sobre componentes importados.
Segundo a Reuters, as novas tarifas custaram US$ 22 milhões apenas no quarto trimestre e somaram US$ 67 milhões ao longo de 2025.
A Harley-Davidson informou que cerca de 75% dos componentes de suas motocicletas são de origem norte-americana.
Ainda assim, semicondutores e outras peças estratégicas continuam sendo importados, o que mantém a empresa exposta a oscilações regulatórias e cambiais.
Em comunicados ao mercado, a companhia não detalhou projeções específicas de redução desse impacto no curto prazo.
Estratégia focada em modelos de maior valor agregado
Nos últimos anos, a fabricante intensificou a aposta em motocicletas de maior valor agregado, como modelos touring e custom, que tradicionalmente apresentam margens superiores.
Reportagem da Reuters observou que essa estratégia buscava compensar a redução de volumes com preços mais elevados.
Os números recentes, no entanto, indicam que a demanda também sofreu retração nesse segmento.
A empresa não divulgou recorte detalhado por faixa de preço, mas confirmou queda nas remessas globais e no varejo total.
Moto de entrada “Sprint” prevista para 2026
Como parte da reorganização, a Harley confirmou planos de lançar uma motocicleta de menor cilindrada e preço mais acessível, chamada “Sprint”, prevista para 2026.

A informação foi mencionada pela Reuters como tentativa de ampliar a base de consumidores.
Até o momento, a companhia não apresentou especificações técnicas nem posicionamento de preço do novo modelo.
O impacto comercial deve ocorrer apenas após o lançamento, previsto para o próximo ano.
Em declarações públicas, a direção classificou 2026 como um “ano de transição”.
Segundo a empresa, mudanças estratégicas mais amplas serão detalhadas ao longo do ano, incluindo ajustes na linha de produtos e no relacionamento com concessionárias.
Ajustes operacionais e reação das ações na bolsa
A administração afirmou que está adotando medidas para estabilizar o negócio e alinhar a produção à demanda do varejo.
Em documento protocolado junto à SEC, o presidente e CEO Artie Starrs declarou que a companhia busca restaurar a confiança da rede de concessionárias e adequar volumes de atacado às vendas efetivas.
No mercado financeiro, as ações registraram leve alta após a divulgação do plano estratégico, depois de queda no pré-mercado.
A Reuters atribuiu o movimento à expectativa de que a empresa apresente diretrizes mais claras para recuperação ao longo de 2026.
Situação da divisão elétrica LiveWire
Em 2025, a LiveWire registrou prejuízo operacional de US$ 75 milhões, valor que a administração afirmou estar dentro das projeções internas.
A empresa reportou ainda remessas de motocicletas elétricas no período.
Até o momento, não houve anúncio oficial de encerramento das atividades da divisão elétrica.

A separação estrutural da LiveWire já havia sido comunicada anteriormente como parte da estratégia corporativa.
Os dados financeiros recentes mostram retração relevante em receita, volume e margens, ao mesmo tempo em que a empresa anuncia reestruturação e novo posicionamento de produto para 2026.
Diante desse cenário, o mercado acompanhará se a ampliação da oferta para segmentos mais acessíveis será suficiente para reverter a tendência de queda nas vendas e recuperar a rentabilidade nos próximos trimestres.

Harley se acomodou, e perdeu o foco da necessidade de ter um mix de produtos que geram mais rentabilidade.