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Guia nepalês fica seis dias perdido na zona da morte do Everest, mastiga gelo para sobreviver sem oxigênio e é encontrado se arrastando rumo ao campo-base

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 08/06/2026 às 19:14
Atualizado em 08/06/2026 às 19:16
Equipe de resgate transporta guia nepalês ferido em maca após ser encontrado vivo depois de seis dias desaparecido nas encostas do Monte Everest.
Guia nepalês é levado para atendimento médico após sobreviver seis dias em condições extremas na zona da morte do Everest, enfrentando frio intenso, falta de oxigênio e desidratação.
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Dawa Sherpa enfrentou falta de oxigênio, desidratação grave e congelamento em uma das áreas mais perigosas da montanha mais alta do mundo

Uma história extrema de sobrevivência no Everest chamou atenção internacional após um guia nepalês ser encontrado vivo depois de seis dias desaparecido. Dawa Sherpa, de 57 anos, ficou preso nas encostas superiores da montanha em 30 de maio, durante uma das últimas subidas da temporada de primavera. O guia relatou, já no hospital, que ficou sem oxigênio, perdeu força para caminhar e precisou mastigar gelo para tentar resistir. A sobrevivência impressionou companheiros de montanhismo e reacendeu críticas sobre segurança e resgate nas áreas mais perigosas do Everest.

Sobrevivência extrema chama atenção no Everest

Dawa Sherpa afirmou que não se perdeu na montanha e explicou que ficou para trás quando o oxigênio acabou. A situação ocorreu perto da chamada zona da morte do Everest, onde os níveis de oxigênio são criticamente baixos. O frio intenso, a falta de comida e a desidratação agravaram rapidamente o quadro do guia. Mesmo debilitado, ele caminhou dia e noite em direção ao campo-base, tentando escapar das encostas superiores da montanha.

Gelo, chocolates e lanches ajudaram na resistência

O guia disse que passou os dois primeiros dias sem comer nada. Depois disso, começou a mastigar gelo para tentar se manter vivo, mesmo sentindo fortes dores nos dentes. Dawa também contou que usou chocolates e pequenos lanches que carregava nos bolsos. Para conseguir ingerir os alimentos, ele molhava os itens antes de comer.

Resgate ocorreu após seis dias desaparecido

Dawa Sherpa foi encontrado em 4 de junho, se arrastando em direção ao campo-base. Logo depois, foi transportado de avião para Katmandu, onde recebeu atendimento médico. Segundo os médicos, ele apresentava congelamento, desidratação grave e fratura no fêmur. Seu filho, Mendo Lhamu Sherpa, afirmou à AFP que o pai estava bem e conversava.

Helicóptero de resgate e equipe médica recebem guia nepalês sobrevivente do Everest em maca após seis dias desaparecido na zona da morte da montanha.
Resgate aéreo após seis dias de sobrevivência no Everest.

Caso gera críticas à operação de resgate

A sobrevivência provocou alívio entre familiares e companheiros de montanhismo, mas também gerou indignação. O presidente da Associação de Montanhismo do Nepal, Fur Gelje Sherpa, classificou o caso como extraordinário. Ele também afirmou que deixar uma pessoa para trás é “irresponsável e desumano”. O dirigente defendeu a formação de um comitê de investigação para apurar responsabilidades.

Temporada movimentada reforça riscos da montanha

A temporada de escalada do Everest registrou pelo menos cinco mortes neste ano, incluindo dois alpinistas indianos e três nepaleses. Números preliminares do governo do Nepal indicam que mais de mil alpinistas chegaram ao cume nesta temporada. O período, portanto, se tornou um dos mais movimentados já registrados na montanha. O caso de Dawa Sherpa reforça os riscos enfrentados por guias e alpinistas nas regiões mais altas do Everest.

Riscos extremos continuam no centro do debate

A chamada zona da morte do Everest concentra alguns dos maiores perigos do montanhismo, especialmente pela falta de oxigênio, pelo frio severo e pelo esgotamento físico. A experiência de Dawa Sherpa expôs novamente a vulnerabilidade de quem trabalha e escala em grandes altitudes. As críticas ao resgate também ampliaram o debate sobre responsabilidade, apoio e segurança nas expedições.
Como uma pessoa consegue resistir por seis dias em uma das áreas mais letais do planeta?

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Caio Aviz

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