Dawa Sherpa enfrentou falta de oxigênio, desidratação grave e congelamento em uma das áreas mais perigosas da montanha mais alta do mundo
Uma história extrema de sobrevivência no Everest chamou atenção internacional após um guia nepalês ser encontrado vivo depois de seis dias desaparecido. Dawa Sherpa, de 57 anos, ficou preso nas encostas superiores da montanha em 30 de maio, durante uma das últimas subidas da temporada de primavera. O guia relatou, já no hospital, que ficou sem oxigênio, perdeu força para caminhar e precisou mastigar gelo para tentar resistir. A sobrevivência impressionou companheiros de montanhismo e reacendeu críticas sobre segurança e resgate nas áreas mais perigosas do Everest.
Sobrevivência extrema chama atenção no Everest
Dawa Sherpa afirmou que não se perdeu na montanha e explicou que ficou para trás quando o oxigênio acabou. A situação ocorreu perto da chamada zona da morte do Everest, onde os níveis de oxigênio são criticamente baixos. O frio intenso, a falta de comida e a desidratação agravaram rapidamente o quadro do guia. Mesmo debilitado, ele caminhou dia e noite em direção ao campo-base, tentando escapar das encostas superiores da montanha.
Gelo, chocolates e lanches ajudaram na resistência
O guia disse que passou os dois primeiros dias sem comer nada. Depois disso, começou a mastigar gelo para tentar se manter vivo, mesmo sentindo fortes dores nos dentes. Dawa também contou que usou chocolates e pequenos lanches que carregava nos bolsos. Para conseguir ingerir os alimentos, ele molhava os itens antes de comer.
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Resgate ocorreu após seis dias desaparecido
Dawa Sherpa foi encontrado em 4 de junho, se arrastando em direção ao campo-base. Logo depois, foi transportado de avião para Katmandu, onde recebeu atendimento médico. Segundo os médicos, ele apresentava congelamento, desidratação grave e fratura no fêmur. Seu filho, Mendo Lhamu Sherpa, afirmou à AFP que o pai estava bem e conversava.

Caso gera críticas à operação de resgate
A sobrevivência provocou alívio entre familiares e companheiros de montanhismo, mas também gerou indignação. O presidente da Associação de Montanhismo do Nepal, Fur Gelje Sherpa, classificou o caso como extraordinário. Ele também afirmou que deixar uma pessoa para trás é “irresponsável e desumano”. O dirigente defendeu a formação de um comitê de investigação para apurar responsabilidades.
Temporada movimentada reforça riscos da montanha
A temporada de escalada do Everest registrou pelo menos cinco mortes neste ano, incluindo dois alpinistas indianos e três nepaleses. Números preliminares do governo do Nepal indicam que mais de mil alpinistas chegaram ao cume nesta temporada. O período, portanto, se tornou um dos mais movimentados já registrados na montanha. O caso de Dawa Sherpa reforça os riscos enfrentados por guias e alpinistas nas regiões mais altas do Everest.
Riscos extremos continuam no centro do debate
A chamada zona da morte do Everest concentra alguns dos maiores perigos do montanhismo, especialmente pela falta de oxigênio, pelo frio severo e pelo esgotamento físico. A experiência de Dawa Sherpa expôs novamente a vulnerabilidade de quem trabalha e escala em grandes altitudes. As críticas ao resgate também ampliaram o debate sobre responsabilidade, apoio e segurança nas expedições.
Como uma pessoa consegue resistir por seis dias em uma das áreas mais letais do planeta?

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