Novo PAC seleciona propostas bilionárias para renovar frotas urbanas em oito estados, com ônibus elétricos e modelos menos poluentes no centro de uma política federal voltada ao transporte coletivo.
O governo federal selecionou novas propostas do Novo PAC – Mobilidade Urbana que somam cerca de R$ 1,16 bilhão para a compra de 727 ônibus urbanos em oito estados.
A medida, divulgada pelo Ministério das Cidades em 18 de maio de 2026, integra o eixo de Renovação de Frota voltado a operadores privados do transporte coletivo e será financiada com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, o FGTS.
A nova etapa prevê a substituição e a ampliação de frotas usadas no transporte público coletivo urbano.
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De acordo com o Ministério das Cidades, os projetos contemplam empresas que atuam em municípios de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Ceará e Paraná.
O pacote reúne ônibus elétricos e modelos com tecnologia Euro 6, padrão usado em veículos com controle mais restrito de emissões.
Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, os veículos Euro 6 reduzem a emissão de gases poluentes e aumentam a eficiência energética das frotas urbanas.
São José dos Campos lidera investimento em ônibus elétricos
A maior fatia da seleção foi destinada a São José dos Campos, no interior paulista.
O município teve proposta de R$ 879,4 milhões selecionada para a aquisição de 400 ônibus elétricos, o maior volume de veículos previsto entre os projetos divulgados pelo Ministério das Cidades.
A capital paulista também entrou na nova rodada do Novo PAC.
Em São Paulo, foram selecionados R$ 41 milhões para a compra de 30 ônibus elétricos destinados ao transporte coletivo urbano.
As duas propostas paulistas concentram, juntas, a maior parte dos recursos anunciados nesta etapa.
No caso dos ônibus elétricos, entidades técnicas do setor de mobilidade associam a tecnologia à redução de emissões locais durante a operação e à diminuição de ruídos nas vias.
O impacto ambiental final, porém, depende de fatores como matriz elétrica, infraestrutura de recarga, manutenção da frota e planejamento operacional.
Pernambuco terá novos ônibus Euro 6 no transporte coletivo
No Nordeste, Pernambuco aparece com um dos maiores blocos de veículos selecionados.
A proposta contempla Recife, Olinda, Paulista, Abreu e Lima, Igarassu, Araçoiaba, Itapissuma e Itamaracá, com mais de R$ 102 milhões para a compra de 126 ônibus Euro 6.
A lista original divulgada nas informações consultadas repetia o município de Igarassu.
Nesta versão, a duplicidade textual foi retirada para evitar repetição, sem alterar o conjunto de cidades informado nas fontes oficiais e setoriais.
As operações em Pernambuco envolvem empresas privadas que atuam no sistema metropolitano.
Segundo publicação do Diário do Transporte, com base nas portarias do Ministério das Cidades, a Transportadora Itamaracá teve financiamento aprovado de R$ 52,9 milhões, enquanto a Cidade Alta Transportes e Turismo obteve autorização para R$ 49,1 milhões.
A adoção de veículos Euro 6 está ligada às normas de controle de emissões aplicadas a veículos pesados.
No Brasil, o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores, o Proconve, é gerido pelo Ibama e define fases com limites progressivos para poluentes emitidos por veículos leves e pesados.
Renovação de frota chega ao Sul, Sudeste e Ceará
Em Santa Catarina, Blumenau foi incluída com R$ 38,5 milhões para a aquisição de 60 ônibus Euro 6.
No Rio Grande do Sul, Caxias do Sul teve proposta de R$ 20,3 milhões selecionada para 24 veículos do mesmo padrão.
No Paraná, Curitiba e Pinhais aparecem com R$ 6,8 milhões para oito ônibus Euro 6.
Em Minas Gerais, Belo Horizonte terá R$ 38 milhões em propostas selecionadas para 38 ônibus Euro 6.
Levantamento setorial baseado nas portarias informou que os financiamentos em Belo Horizonte envolvem três empresas que operam na capital mineira: Auto Omnibus Floramar, Salvadora Empresa de Transportes e Auto Omnibus Nova Suissa.
No Rio de Janeiro, Volta Redonda, Barra Mansa e Pinheiral foram incluídas em uma proposta de R$ 16 milhões para 21 ônibus Euro 6.
Já no Ceará, Maracanaú, Maranguape, Pacatuba, Redenção, Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha aparecem com R$ 19,1 milhões para 20 veículos.
Financiamento do FGTS será destinado a operadores privados
Apesar de integrar uma política federal do Novo PAC no governo Lula, o anúncio não foi apresentado como repasse direto às prefeituras.
As informações oficiais indicam financiamento com recursos do FGTS para propostas de operadores privados selecionadas no eixo de Renovação de Frota.
Após a seleção, as empresas precisam cumprir as etapas previstas para formalização das operações.
A entrada dos novos ônibus em circulação depende de processos posteriores, como contratação do financiamento, aquisição, fabricação ou entrega dos veículos e incorporação às linhas atendidas.
O Ministério das Cidades afirma que a renovação da frota busca modernizar os sistemas, ampliar a eficiência operacional e melhorar a qualidade do serviço oferecido à população.
A pasta também relaciona a medida à agenda ambiental das cidades, ao priorizar veículos com menor emissão de poluentes e maior eficiência no consumo de energia ou combustível.
Transporte público urbano segue em debate no país
A troca de ônibus é uma das ações discutidas dentro da política de mobilidade urbana no país.
Em diferentes cidades, temas como idade da frota, tempo de espera, lotação, custo da tarifa, integração entre modais e queda no número de passageiros aparecem em debates sobre o transporte coletivo.
Especialistas em mobilidade urbana costumam apontar que a renovação dos veículos pode melhorar aspectos como conforto, acessibilidade e regularidade operacional.
A avaliação do setor, no entanto, também considera que a qualidade do serviço depende de frequência das linhas, prioridade ao ônibus no trânsito, financiamento permanente, fiscalização dos contratos e planejamento das redes.
A seleção de 727 ônibus coloca a renovação de frota entre as frentes de investimento do governo federal para o transporte público coletivo.
Os ônibus elétricos concentram a maior parte dos recursos, principalmente por causa dos projetos previstos em São José dos Campos e São Paulo.
Os modelos Euro 6, por sua vez, aparecem como alternativa de atualização tecnológica em cidades que ainda operam majoritariamente com ônibus a diesel.
Pelas regras ambientais em vigor, esse padrão segue limites mais rígidos de emissão em comparação a gerações anteriores de veículos pesados.
A execução dos projetos ainda depende das etapas financeiras e operacionais posteriores à seleção.
Para os usuários, os efeitos concretos só poderão ser medidos após a chegada dos veículos aos sistemas locais e a integração deles à operação diária das linhas.

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