O presidente Lula assinou na terça-feira (19) a medida provisória que cria o programa Move Brasil, um financiamento especial para motoristas de aplicativo e taxistas comprarem veículos novos com juros de 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres, ambos abaixo da taxa Selic de 14,5%. Segundo o NSC, o BNDES vai destinar R$ 30 bilhões para a linha de crédito, com parcelas em até 72 meses e seis meses de carência.
O governo federal lançou o programa Move Brasil, que cria uma linha de financiamento especial para que motoristas de aplicativo e taxistas comprem veículos novos com juros significativamente abaixo do mercado. A medida provisória 1.359/2026 foi assinada pelo presidente Lula em evento realizado em São Paulo nesta terça-feira (19) e prevê R$ 30 bilhões em recursos do BNDES para atender cerca de 250 mil profissionais. Os veículos financiáveis podem custar até R$ 150 mil, faixa que cobre seis em cada dez carros vendidos no país e que inclui modelos elétricos de entrada.
O financiamento terá juros de 12,6% ao ano para motoristas homens e 11,5% para mulheres — taxas que ficam abaixo da Selic atual de 14,5% e representam condições bem mais vantajosas do que as praticadas pelo mercado convencional. Lula afirmou que as parcelas do financiamento devem ser menores do que os valores que muitos motoristas pagam hoje para rodar com carros alugados, prática que cresceu nos últimos anos com locadoras segmentadas e até aluguel informal. O cadastro pode ser feito a partir de agora no site gov.br/movebrasil, com resposta em até cinco dias úteis e liberação do crédito prevista para 19 de junho.
Quem pode acessar o financiamento e quais são as regras
O programa Move Brasil atende dois públicos: motoristas de aplicativo de qualquer plataforma Uber, 99, InDrive, iFood e taxistas com registro ativo. Para motoristas de aplicativo, a exigência é ter realizado pelo menos 100 corridas nos últimos 12 meses na mesma plataforma. Para taxistas, a validação será feita pela Receita Federal a partir dos dados cadastrais no gov.br.
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Os veículos financiáveis devem ser zero-quilômetro, de montadoras habilitadas no Programa Mover do governo federal, e atender critérios ambientais: modelos flex, híbridos flex, elétricos ou movidos exclusivamente a etanol. O financiamento pode ser parcelado em até 72 meses, com seis meses de carência para início do pagamento. As montadoras participantes são obrigadas a oferecer pelo menos 5% de desconto para motoristas que tiverem o crédito aprovado.
Juros menores para mulheres e equipamentos de segurança
Um dos diferenciais do programa é a condição especial para mulheres. A medida provisória autoriza o Conselho Monetário Nacional a conceder juros ainda menores, prazos maiores e a inclusão de equipamentos adicionais de segurança no financiamento feminino. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, adiantou que a taxa para mulheres será de 0,91% ao mês (11,5% ao ano), contra 0,99% ao mês (12,6% ao ano) para homens.
A diferença de taxas por gênero no financiamento reflete, segundo o governo, o objetivo de ampliar a participação feminina no transporte por aplicativo e compensar desigualdades estruturais. A medida provisória permite que motoristas mulheres financiem, junto com o veículo, itens como câmeras internas e dispositivos de segurança — equipamentos que não entrariam em linhas de crédito convencionais.
Negativados podem participar do financiamento
Uma das dúvidas mais frequentes sobre o programa é se motoristas com o nome negativado terão acesso ao financiamento. A resposta do governo é que não haverá restrição formal. O Move Brasil utiliza o FGI-PEAC, fundo garantidor operado pelo BNDES, que pode cobrir até 80% do risco de crédito, funcionando como garantia para o pagamento da dívida e facilitando a aprovação para profissionais que teriam dificuldade em obter crédito pelo sistema tradicional.
Na prática, porém, a análise de crédito será feita pelos bancos comerciais que operarem o financiamento, e cada instituição pode aplicar seus próprios critérios. O governo aposta que a competição entre bancos credenciados vai resultar em ao menos uma instituição disposta a aceitar motoristas com restrições. A intenção é que o fundo garantidor derrube a principal barreira que impede motoristas endividados de trocar o aluguel de carro pela compra do próprio veículo.
Como o financiamento se compara ao aluguel de carros
O mercado de aluguel de carros para motoristas de aplicativo cresceu fortemente nos últimos anos. Locadoras segmentadas cobram valores semanais que, somados ao longo de meses, superam facilmente o custo de um financiamento. Muitos motoristas pagam entre R$ 400 e R$ 600 por semana para rodar com um veículo alugado — valor que pode ultrapassar R$ 2 mil mensais.
Com juros de 12,6% ao ano, um financiamento de R$ 80 mil em 72 parcelas resultaria em prestações significativamente abaixo desse patamar, além de deixar o motorista com um patrimônio ao final do contrato. Lula usou exatamente esse argumento ao lançar o programa: disse que a parcela do financiamento será menor do que o valor do aluguel, e que o motorista sairá da condição de locatário para a de proprietário. O Move Brasil atende um público estimado pelo IBGE em 1,9 milhão de profissionais que trabalham com transporte por aplicativo.
Os próximos passos do programa Move Brasil
O cadastro no site gov.br/movebrasil já está aberto. Motoristas que atenderem aos pré-requisitos receberão resposta em até cinco dias úteis, e os aprovados poderão procurar concessionárias e bancos credenciados a partir de 19 de junho. O financiamento será operado por instituições financeiras comerciais utilizando recursos repassados pelo BNDES, em um modelo que combina verba pública com execução privada.
O governo informou que a lista de veículos financiáveis será publicada em breve e que as condições definitivas de juros e prazo dependem da regulamentação do CMN, prevista para esta semana. O programa também foi desenhado para estimular a indústria automotiva nacional: ao exigir veículos produzidos por montadoras habilitadas no Mover, o Move Brasil direciona a demanda para fábricas instaladas no país. Com R$ 30 bilhões em crédito e 250 mil potenciais beneficiários, o financiamento pode movimentar significativamente o mercado de veículos novos nos próximos meses.
Você é motorista de aplicativo ou taxista e pretende usar o Move Brasil para trocar de carro? Acha que os juros são realmente vantajosos ou faltou alguma coisa no programa? Conta nos comentários a sua situação e o que pensa sobre essa linha de crédito.

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