O MSGOV, aplicativo de mensagens criado pelo Serpro e pela Universidade Federal do Ceará a pedido da ABIN, tem criptografia nacional, mensagens, áudios, arquivos e chamadas, e já foi distribuído a órgãos como Casa Civil, Itamaraty, PF e Banco Central, segundo vídeo do canal Sobreviva ao Brasil, que lista críticas.
O governo federal passou a contar com um aplicativo de mensagens próprio, o MSGOV, desenvolvido pelo Serpro e pela Universidade Federal do Ceará a pedido da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), com criptografia criada pelo próprio Estado brasileiro. A ferramenta reúne mensagens de texto, áudios, envio de arquivos e chamadas de voz e já começou a ser distribuída a órgãos como Casa Civil, GSI, Itamaraty, Polícia Federal, PRF, Banco Central, Anatel, COAF e Ibama, para comunicação institucional entre servidores e autoridades.
As informações são de vídeo do canal Sobreviva ao Brasil, no YouTube, apresentado por um servidor público que se identifica como “o sobrevivente“. O vídeo descreve o funcionamento do MSGOV, os motivos apontados para a criação e as críticas que circulam sobre custo, utilidade e confiança, além de avaliações negativas do aplicativo na Play Store.
Serpro e UFC desenvolveram o app; pedido partiu da ABIN

O MSGOV foi criado pelo Serpro em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC), segundo o vídeo. Quem pediu o desenvolvimento foi a ABIN, a agência de inteligência do governo brasileiro.
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A camada de proteção e a criptografia foram desenvolvidas pelo próprio Estado, com participação do centro de segurança das comunicações da ABIN, conforme o apresentador.
Mensagens, áudios, arquivos e chamadas: o que o MSGOV faz
O aplicativo funciona como um mensageiro convencional: envio de mensagens de texto, mensagens de áudio, compartilhamento de arquivos e chamadas de voz, além de outras configurações, de acordo com o vídeo. As conversas acontecem entre servidores públicos e autoridades “dentro de um ambiente institucional controlado”.
O apresentador resume a comparação com o concorrente: “Tem tudo mesmo”, diz, ao listar os recursos, embora ressalte que superar o WhatsApp “é muito difícil”.
Criptografia ponta a ponta em duas camadas e “pós-quântica”, segundo o vídeo
O MSGOV usa criptografia ponta a ponta em duas camadas e criptografia pós-quântica desenvolvida pela ABIN, conforme o vídeo. A criptografia pós-quântica, explica o apresentador com ajuda de um assistente virtual, é um conjunto de técnicas feito para continuar seguro mesmo diante de um futuro computador quântico capaz de quebrar os métodos atuais, apoiado em problemas matemáticos considerados difíceis de resolver.
Não é para o público comum: uso é institucional, entre servidores e autoridades
O aplicativo não foi feito para usuários comuns, e sim para funcionários públicos e comunicação institucional, segundo o vídeo. Isso explicaria, para o apresentador, as reclamações de quem baixou o app na loja e não conseguiu fazer login.
“Não é para você, sua mãe ou a sua avó baixarem e acessarem como se fosse um WhatsApp”, afirma. Ele próprio, servidor de uma prefeitura, se coloca entre “as primeiras cobaias”.
Casa Civil, GSI, Itamaraty, PF, PRF, Banco Central, Anatel, COAF e Ibama já receberam
A distribuição já começou por órgãos federais, de acordo com o vídeo: Casa Civil, GSI, Itamaraty, Polícia Federal, PRF, Banco Central, Anatel, COAF e Ibama. A lista reúne áreas de inteligência, diplomacia, segurança, regulação, controle financeiro e meio ambiente, todas com rotinas que envolvem informações sensíveis.
Motivo 1: soberania digital e menos dependência de empresas americanas e chinesas
O primeiro motivo apontado no vídeo é a soberania digital: o governo não quer depender de empresas norte-americanas ou chinesas para se comunicar. O apresentador cita a China como país que substituiu plataformas estrangeiras por redes próprias, como Weibo, WeChat e Bilibili, e diz que parte do público teme que o Brasil siga esse caminho.
Ele lembra, porém, uma postagem que circulou sobre o tema: o MSGOV “é destinado somente ao uso entre órgãos da administração federal”, e por isso o autor do post não via problema no projeto, “mas é bom ficar de olho”.
Motivo 2: reduzir o uso do WhatsApp no serviço público
O segundo motivo é diminuir a dependência do próprio WhatsApp, muito usado por servidores. O apresentador conta que resolve “praticamente tudo” do trabalho na prefeitura pelo aplicativo, por um número específico, e que “a maior parte das demandas à distância são resolvidas inteiramente pelo WhatsApp”.
Motivo 3: proteger dados sensíveis, de investigações à defesa nacional
O terceiro motivo é a segurança de informações sensíveis, já que servidores lidam com dados pessoais da população, protegidos pela LGPD. O vídeo destaca que não se trata apenas de CPF: há investigações e assuntos de defesa nacional cujos arquivos exigem proteção e “um certo anonimato”.
A ideia, segundo o apresentador, é que esse tipo de conversa não dependa de um aplicativo comercial como WhatsApp ou Telegram.
Na Play Store, nota 2,2 em 30 avaliações e queixas de que o app não abre
Na Play Store, o MSGOV aparecia com nota 2,2 em 5, com 30 avaliações, a maioria com uma estrela, conforme o vídeo. Entre as reclamações lidas pelo apresentador: “O aplicativo simplesmente não abre”, relato de um usuário com Poco X6 Pro, e “boa intenção, mas o app crasha ao abrir no meu dispositivo”.
Muitas queixas são de pessoas que não conseguem logar, o que o vídeo atribui ao fato de o app não ser destinado ao público geral.
Críticas: “para que existe”, dinheiro público e teoria de expansão ao público
Na visão de críticos citados pelo vídeo, o primeiro problema é a própria razão de existir do MSGOV, já que o WhatsApp funciona e tem criptografia. Alguns acreditam que o app seria só o início, começando pelos servidores até chegar a alternativas comerciais, como na China; o apresentador frisa que “a gente tá falando de uma teoria” e que, até o momento, só existe a criação do aplicativo.
O segundo problema apontado é o gasto: para muitos, dinheiro público, pessoas e a própria ABIN foram direcionados a algo que não era necessário. O apresentador dá a opinião pessoal de que os dados sensíveis “não justificam a criação disso”.
Desconfiança cita vazamentos de 2020 (243 milhões) e 2019 (2,4 milhões do SUS)
O terceiro problema é a confiança na criptografia e no governo, com a pergunta sobre a possibilidade de servidores serem monitorados por motivo político. O vídeo lembra que, em 2020, 243 milhões de brasileiros tiveram dados expostos em episódio ligado ao Ministério da Saúde, número maior que a população de 214 milhões porque incluía pessoas falecidas, e que, em 2019, 2,4 milhões de usuários do SUS tiveram informações expostas.
O apresentador pondera que aqueles sistemas eram do Ministério da Saúde e que o MSGOV “tá com selo da ABIN”, o que “em teoria passa mais confiança”. Comentários reproduzidos no vídeo, porém, vão de “prefiro confiar nas big techs” a previsões de que o “próximo passo é banir o WhatsApp”.
Obrigatoriedade para servidores e custo de manutenção completam a lista
O quarto problema é a obrigatoriedade: servidores terão de migrar grupos e rotinas para o MSGOV, e o vídeo questiona se haverá adesão suficiente para justificar o gasto, “ainda mais um app novo com possíveis bugs”. O quinto é a manutenção permanente, com atualizações para Android e iOS gerando mais despesas para um aplicativo usado “por pouquíssimas pessoas”.
Login provável pela conta gov.br; app segue restrito a órgãos federais
O acesso ao MSGOV provavelmente exige a conta gov.br, segundo o apresentador, que relata ter precisado resolver pessoalmente na Receita um problema de login na própria conta. No momento do vídeo, o aplicativo estava disponível na Play Store, restrito à comunicação institucional e em distribuição para os órgãos federais citados, sem uso obrigatório para o público comum.
Para você, um aplicativo de mensagens estatal como o MSGOV é uma medida necessária de soberania e segurança, ou um gasto desnecessário diante do WhatsApp e do histórico de vazamentos citado no vídeo? Deixe sua opinião nos comentários.
