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Reino Unido apresenta microscópio que enxerga estruturas de apenas 20 nanômetros, alcança resolução 10 vezes maior e pode revelar mecanismos por trás da doença de Crohn e da colite ulcerativa

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Escrito por Roberta Souza Publicado em 15/09/2026 às 15:02
Equipamento apelidado de Curie combina dois lasers, espelhos deformáveis e controle de temperatura para observar células, tecidos e mini-órgãos em detalhes antes inacessíveis; pesquisadores esperam comparar intestinos saudáveis e doentes para entender onde a barreira intestinal começa a falhar.
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Equipamento apelidado de Curie combina dois lasers, espelhos deformáveis e controle de temperatura para observar células, tecidos e mini-órgãos em detalhes antes inacessíveis; pesquisadores esperam comparar intestinos saudáveis e doentes para entender onde a barreira intestinal começa a falhar.

Um novo microscópio para estudar a doença de Crohn começou a oferecer aos pesquisadores britânicos uma visão de estruturas celulares de apenas 20 nanômetros, alcançando aproximadamente 10 vezes a resolução da microscopia óptica convencional. Instalado no Rosalind Franklin Institute, em Oxfordshire, o equipamento apelidado de Curie deverá ser usado para investigar mecanismos das doenças inflamatórias intestinais, que afetam mais de 500 mil pessoas no Reino Unido, segundo reportagem publicada pelo Guardian em 14 de setembro de 2026.

A tecnologia, entretanto, ainda não representa uma cura nem significa que cientistas tenham encontrado a causa definitiva da doença de Crohn ou da colite ulcerativa.

O objetivo é anterior a isso: enxergar estruturas celulares pequenas demais para equipamentos convencionais e descobrir o que muda quando uma barreira intestinal saudável começa a apresentar características associadas à doença.

Se os pesquisadores conseguirem identificar esses mecanismos, o conhecimento poderá ajudar futuramente no desenvolvimento de tratamentos mais direcionados.

Novo microscópio para estudar a doença de Crohn enxerga detalhes de apenas 20 nanômetros

Visualmente, o Curie não parece uma máquina capaz de alterar a maneira como cientistas observam o intestino humano.

O equipamento possui estrutura preta, mangueiras cinzentas e uma grande quantidade de cabos. Entretanto, o que acontece dentro dele permite observar estruturas muito menores do que aquelas normalmente distinguíveis por microscopia óptica convencional.

A resolução chega a aproximadamente 20 nanômetros.

Para colocar a escala em perspectiva, 1 nanômetro corresponde a um bilionésimo de metro. Portanto, 20 nanômetros equivalem a apenas 0,00002 milímetro.

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Essa capacidade permite que pesquisadores observem complexos de proteínas envolvidos na união das células que revestem órgãos internos, incluindo o intestino.

A precisão é especialmente importante porque a barreira intestinal possui uma função essencial.

Ela precisa permitir determinadas trocas com o organismo enquanto impede que microrganismos e substâncias potencialmente prejudiciais atravessem livremente o revestimento do intestino.

Quando essa estrutura deixa de funcionar adequadamente, entender exatamente o que mudou pode ajudar cientistas a investigar mecanismos associados à inflamação.

Curie usa dois lasers para superar limites da microscopia convencional

A tecnologia utilizada recebe o nome de stimulated emission depletion microscopy, ou microscopia STED.

Seu princípio foi reconhecido no Prêmio Nobel de Química de 2014 como parte dos avanços que permitiram superar limites tradicionais da microscopia óptica.

No Curie, estruturas celulares de interesse recebem marcadores fluorescentes.

Um primeiro laser fornece energia a esses marcadores, fazendo com que emitam fluorescência.

Então entra em ação um segundo laser.

Esse feixe possui formato semelhante a uma rosquinha e se sobrepõe à área iluminada pelo primeiro. Sua função é suprimir a fluorescência ao redor do centro.

Como resultado, o equipamento detecta luz proveniente de uma região extremamente pequena.

É justamente esse processo que permite distinguir estruturas muito próximas umas das outras, produzindo imagens com resolução muito superior à microscopia fluorescente convencional.

Avanços dessa natureza mostram como instrumentos científicos podem modificar não apenas o que pesquisadores sabem, mas aquilo que conseguem observar. Em outra fronteira tecnológica, uma startup avaliada em US$ 2 bilhões prepara uma nova geração de chips voltada à infraestrutura de inteligência artificial, mostrando como equipamentos especializados também estão redefinindo limites de processamento.

No laboratório britânico, porém, o desafio está em uma escala completamente diferente.

É preciso enxergar dentro das próprias células.

Espelhos deformáveis corrigem distorções e permitem observar tecidos mais profundos

O Curie possui ainda recursos que o tornam singular no Reino Unido.

Um deles é um conjunto de espelhos deformáveis.

Quando a luz atravessa amostras biológicas relativamente espessas, diferentes componentes do material podem gerar distorções ópticas.

Isso prejudica a nitidez da imagem.

Os espelhos do novo microscópio conseguem compensar parte dessas distorções, permitindo obter imagens mais claras em regiões mais profundas de tecidos e mini-órgãos.

Além disso, o equipamento possui uma plataforma com temperatura controlada.

Assim, células vivas e pequenos modelos de órgãos podem permanecer em condições próximas à temperatura normal do corpo enquanto são observados.

Essa combinação amplia o tipo de experimento que os cientistas podem realizar.

Em vez de analisar somente estruturas isoladas ou amostras simples, eles conseguem investigar sistemas biológicos mais complexos.

Cientistas querem observar como a barreira intestinal muda da fase fetal à vida adulta

Um dos pesquisadores utilizando o equipamento é o doutorando Dimitrios Ioannidis.

Seu trabalho tenta entender como as células que revestem órgãos internos se unem para formar barreiras protetoras.

No intestino, essa união depende de complexos específicos de proteínas.

A hipótese estudada é que a estrutura desses complexos pode mudar ao longo da vida.

Por isso, Ioannidis pretende observar como eles se comportam desde o desenvolvimento fetal até a idade adulta.

A lógica é relativamente simples: se a estrutura muda, sua função também pode mudar.

O problema era conseguir enxergar essas estruturas com detalhe suficiente.

Agora, os 20 nanômetros de resolução do Curie permitem investigar características que permaneciam além da capacidade de microscópios convencionais.

A tecnologia, portanto, não entrega automaticamente uma resposta sobre a doença.

Ela permite fazer perguntas que antes eram muito mais difíceis de investigar experimentalmente.

Comparar tecido saudável e doente pode mostrar exatamente onde algo começou a dar errado

O passo seguinte é estabelecer uma referência.

Primeiro, pesquisadores precisam compreender detalhadamente como um tecido intestinal saudável funciona.

Depois, podem comparar essa arquitetura com o que aparece em pessoas afetadas por doenças inflamatórias intestinais.

As diferenças podem revelar quais estruturas deixaram de funcionar como esperado.

A partir daí, os cientistas podem investigar mais profundamente o mecanismo responsável por essas alterações.

É nesse sentido que os pesquisadores falam em procurar a possível “causa raiz” de algumas doenças.

Isso não significa que já exista uma causa única identificada para a doença de Crohn.

Pelo contrário.

A doença inflamatória intestinal (DII) envolve mecanismos complexos, e a compreensão incompleta desses processos é justamente uma das razões pelas quais pesquisadores querem observar o tecido em escalas menores.

Um estudo científico publicado em 2026, por exemplo, encontrou evidências de que alterações relacionadas à caspase-6, morte de células epiteliais e capacidade de macrófagos eliminarem bactérias podem participar da progressão da DII. Esse é outro caminho de investigação e não um resultado produzido pelo Curie.

Além disso, pesquisadores do Weizmann Institute divulgaram em setembro evidências de que uma inflamação intestinal transitória pode deixar alterações persistentes no material entre as células mesmo depois da recuperação aparente do intestino, apontando mais uma frente de investigação sobre Crohn e colite ulcerativa.

Ou seja, diferentes equipes estão atacando o mesmo problema por ângulos distintos.

Mais de 500 mil pessoas vivem com doenças inflamatórias intestinais no Reino Unido

A necessidade de compreender esses mecanismos ganha peso quando aparece a dimensão humana da doença.

Segundo dados citados pelo Guardian a partir da British Society of Gastroenterology, mais de 500 mil pessoas no Reino Unido vivem com doenças inflamatórias intestinais.

As duas principais formas são doença de Crohn e colite ulcerativa.

Essas condições podem surgir em diferentes idades. Contudo, especialistas apontam que o diagnóstico ocorre com frequência entre os 15 e 40 anos.

Isso significa que os sintomas podem aparecer justamente durante fases importantes de formação educacional, entrada no mercado de trabalho e construção de relacionamentos.

Além disso, são doenças crônicas.

Existem tratamentos capazes de controlar sintomas e inflamação em muitos pacientes, mas as condições permanecem sem uma cura definitiva.

A pesquisadora Karina Pombo-Garcia, líder de grupo no Rosalind Franklin Institute, explica que parte da dificuldade para desenvolver terapias mais direcionadas está justamente no fato de que os mecanismos fundamentais da doença ainda não são totalmente compreendidos.

Por isso, aumentar a resolução do que cientistas conseguem enxergar pode ter consequências que vão além de produzir imagens mais bonitas.

Entender o mecanismo pode abrir caminho para tratamentos mais direcionados

Hoje, pacientes com DII dispõem de diferentes estratégias terapêuticas.

Entretanto, o Curie não foi apresentado como um equipamento que irá produzir diretamente um medicamento.

Sua função está na etapa anterior.

Compreender melhor o mecanismo da doença.

Se pesquisadores identificarem exatamente quais estruturas celulares mudam, em qual momento isso ocorre e como essas alterações afetam a função da barreira intestinal, novas hipóteses terapêuticas poderão surgir.

Nesse cenário, tratamentos poderiam futuramente mirar mecanismos mais específicos.

Ainda assim, não existe no anúncio um prazo para que as pesquisas realizadas com o microscópio resultem em um medicamento ou tratamento clínico.

Também não há garantia de que a investigação encontrará uma causa única.

Portanto, transformar o lançamento do Curie em uma promessa de cura seria antecipar resultados que a ciência ainda precisa produzir.

A história é relevante justamente porque a tecnologia amplia a capacidade de investigação, não porque já tenha resolvido o problema.

Equipamento chega enquanto Reino Unido anuncia £67 milhões para instituto de pesquisa

A apresentação do microscópio aconteceu junto a um anúncio financeiro de grande escala.

O governo britânico anunciou £67 milhões para financiar o Rosalind Franklin Institute durante cinco anos, a partir de abril de 2027.

Também foram anunciados £95 milhões para o Henry Royce Institute, especializado em pesquisa de materiais, durante o mesmo período.

Os recursos vêm do Engineering and Physical Sciences Research Council por meio do orçamento do UK Research and Innovation (UKRI) definido na revisão de gastos de 2025.

O investimento chega enquanto grandes instalações científicas britânicas enfrentam pressão financeira.

O Science and Technology Facilities Council precisa encontrar £162 milhões em economias até 2030, segundo o Guardian.

Entre os fatores estão aumento dos custos energéticos, despesas com pessoal, ampliação das atividades e movimentos desfavoráveis das taxas de câmbio.

Portanto, o lançamento do Curie ocorre em um cenário aparentemente contraditório.

De um lado, novas ferramentas recebem investimentos expressivos.

Do outro, instituições científicas precisam controlar despesas e priorizar projetos.

A disputa por recursos também aparece em setores completamente diferentes. Recentemente, por exemplo, US$ 760 milhões foram direcionados à aquisição de 810 MW solares nos Estados Unidos, ilustrando como infraestrutura tecnológica de grande escala depende tanto de capacidade técnica quanto de financiamento.

No caso da ciência britânica, o financiamento determinará também quanto pesquisadores conseguirão explorar equipamentos como o Curie nos próximos anos.

Tecnologia premiada com Nobel ganha nova função na busca pelas origens da doença

A microscopia STED não nasceu em 2026.

Os princípios de super-resolução que sustentam a tecnologia foram reconhecidos pelo Nobel de Química de 2014.

A novidade está na maneira como o equipamento britânico combina diferentes recursos e será utilizado para investigar questões biológicas específicas.

Assim, uma tecnologia desenvolvida para enxergar além das limitações tradicionais da microscopia passa a mirar estruturas ligadas à barreira intestinal.

O processo lembra uma característica recorrente da inovação científica.

Uma descoberta ou tecnologia desenvolvida em determinado momento pode encontrar aplicações mais avançadas anos depois, quando novos equipamentos, técnicas e perguntas científicas se combinam.

Em outras áreas, tecnologias experimentais também dependem desse intervalo entre capacidade técnica e aplicação concreta. Uma instalação australiana acompanhada pelo CPG, por exemplo, mantém sete corpos preservados a -196 °C enquanto reconhece que atualmente não existe tecnologia capaz de reanimá-los.

No Curie, a situação é muito diferente: a tecnologia de microscopia já funciona.

O que ainda não existe é a resposta biológica que os pesquisadores procuram.

Novo microscópio para estudar a doença de Crohn pode mostrar o que antes permanecia invisível

O maior avanço do Curie está, portanto, em ampliar a fronteira do que os cientistas conseguem observar.

Aproximadamente 10 vezes mais resolução do que a microscopia óptica convencional.

Detalhes de apenas 20 nanômetros.

Dois lasers trabalhando em conjunto.

Espelhos capazes de compensar distorções.

Uma plataforma que mantém células e mini-órgãos em condições próximas da temperatura corporal.

Esses recursos agora serão aplicados a uma pergunta que continua sem resposta completa: o que exatamente acontece dentro da barreira intestinal quando doenças como Crohn e colite ulcerativa se desenvolvem?

Os pesquisadores pretendem primeiro compreender como as estruturas saudáveis se formam e mudam desde o desenvolvimento fetal até a idade adulta.

Depois, diferenças encontradas em tecidos afetados poderão indicar onde mecanismos importantes começaram a falhar.

Se essas alterações revelarem alvos biológicos específicos, a descoberta poderá futuramente orientar tratamentos mais precisos.

Mas essa etapa ainda está à frente.

Hoje, o Curie não oferece uma cura para as mais de 500 mil pessoas com DII no Reino Unido.

Ele oferece algo mais fundamental para a ciência: a possibilidade de enxergar detalhes que antes permaneciam escondidos.

E, em doenças cujos mecanismos ainda não são totalmente compreendidos, conseguir ver o que estava invisível pode ser o primeiro passo para descobrir onde procurar a resposta.

Se um microscópio consegue enxergar estruturas de apenas 20 nanômetros, você acredita que compreender exatamente onde a barreira intestinal começa a falhar poderá acelerar a chegada de tratamentos mais direcionados para Crohn e colite ulcerativa?

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Autora no portal Click Petróleo e Gás desde 2019, responsável pela publicação de mais de 8.000 matérias que somam milhões de acessos, unindo técnica, clareza e engajamento para informar e conectar leitores. Engenheira de Petróleo e pós-graduada em Comissionamento de Unidades Industriais, também trago experiência prática e vivência no setor do agronegócio, o que amplia minha visão e versatilidade na produção de conteúdo especializado. Desenvolvo pautas, divulgo oportunidades de emprego e crio materiais publicitários direcionados para o público do setor. Para sugestões de pauta, divulgação de vagas ou propostas de publicidade, entre em contato pelo e-mail: santizatagpc@gmail.com. Não recebemos currículos

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