Descoberta em 1940 por quatro adolescentes, Lascaux preserva milhares de figuras pré-históricas, foi fechada após danos provocados pela visitação e hoje pode ser conhecida por meio de réplicas e experiências digitais em Montignac, na França
Um buraco próximo a uma árvore caída levou quatro adolescentes franceses à caverna de Lascaux em setembro de 1940. No interior, eles encontraram aproximadamente 2.000 pinturas, com mais de 6.000 figuras, produzidas entre 17.000 e 19.000 anos atrás e preservadas durante milênios.

Cachorro levou jovem de 17 anos até a entrada da caverna de Lascaux
Em 12 de setembro de 1940, Marcel Ravidat, aprendiz de mecânico de 17 anos, seguiu seu cachorro Robot até um buraco nos arredores de Montignac, no sudoeste da França.
Ravidat já havia encontrado a abertura dias antes, mas não tinha ferramentas para explorá-la. Depois, retornou acompanhado por Jacques Marsal, Georges Agnel e Simon Coencas, ampliando a passagem para que o grupo pudesse entrar.
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Os quatro desceram por um estreito poço vertical. Com a iluminação de uma lâmpada improvisada, avançaram por uma galeria de aproximadamente 30 metros até perceberem que as paredes estavam cobertas por representações de animais.
A exploração continuou até um poço mais profundo. No dia seguinte, eles retornaram com uma corda. Ravidat desceu cerca de oito metros e encontrou uma das cenas mais conhecidas do local, mostrando um homem diante de um bisão.
O professor Léon Laval visitou a descoberta em 18 de setembro. Dois dias depois, o arqueólogo francês Henri Breuil esteve no local e confirmou a importância do sítio.
Cerca de 2 mil pinturas retratam animais, humanos e símbolos
A caverna de Lascaux reúne aproximadamente 2.000 pinturas individuais e mais de 6.000 figuras. Entre os desenhos estão auroques, veados, cavalos, ursos, íbex, símbolos abstratos e cenas envolvendo animais e humanos.
Algumas sequências pintadas ultrapassam dois metros de comprimento. Os pesquisadores atribuem as obras à cultura Magdaleniana e situam sua produção entre 17.000 e 19.000 anos atrás.
Os artistas utilizaram pigmentos pulverizados, incluindo ocre, hematita e carvão. Para chegar às regiões mais altas, provavelmente construíram andaimes, considerados no material uma das evidências mais antigas conhecidas desse tipo de estrutura.
O significado das imagens permanece indefinido. Alguns painéis ficam em áreas profundas, acessíveis somente com iluminação artificial, enquanto imagens sobrepostas e cenas remotas já foram associadas a possíveis usos simbólicos ou cerimoniais.
Uma das representações mais discutidas é o chamado Homem-Pássaro de Lascaux, que mostra um homem ao lado de um bisão eviscerado e um pássaro sobre um elemento vertical.
Interpretações incluem ritual xamânico, narrativa mítica, magia de caça, marcação territorial ou registros da vida magdaleniana.
Nenhuma dessas hipóteses, porém, possui apoio de registros escritos produzidos pelos autores das pinturas.
Visitação colocou pinturas pré-históricas em risco
A caverna permaneceu isolada da atmosfera por aproximadamente 17 mil anos. Essa condição mudou quando o local foi aberto ao público, em 1948.
No período de maior movimento, cerca de 1.200 visitantes entravam diariamente. Respiração humana, umidade e dióxido de carbono alteraram um ambiente que havia permanecido praticamente isolado durante milhares de anos.
Líquens, fungos e cristais começaram a aparecer nas paredes e no teto. A iluminação instalada para os turistas também provocou deterioração das pinturas.
Em 1963, após o aparecimento de algas verdes, o governo francês fechou definitivamente a caverna ao público.
Atualmente, somente profissionais ligados à conservação e um número reduzido de pesquisadores podem entrar.
Os problemas biológicos, porém, continuaram. Em 2001, trabalhadores responsáveis pela manutenção do sistema de ar condicionado introduziram acidentalmente um fungo do gênero Fusarium.
Segundo um relatório de 2003 citado no material, o fungo havia alcançado paredes, pisos e tetos, embora naquele momento ainda não tivesse atingido diretamente as obras de arte.
Réplicas permitem visitar Lascaux sem entrar na caverna original
O fechamento levou à criação de alternativas para mostrar as pinturas sem colocar o sítio original em risco.
Lascaux II, aberta em 1983, reproduziu parcialmente o Grande Salão dos Touros e a Galeria Pintada, utilizando técnicas e materiais naturais semelhantes aos empregados nas obras originais.
Lascaux III passou a circular pelo mundo em 2012 como exposição itinerante, com reproduções da nave e do poço.
A versão mais completa, Lascaux IV, foi inaugurada em 2016 no Centre International de l’Art Pariétal, na encosta acima de Montignac.
O espaço utiliza modelagem 3D de alta resolução, som espacial e controle de temperatura e umidade para recriar aspectos da experiência encontrada na caverna original.
Em 2024, Lascaux IV recebeu aproximadamente 300.000 visitantes. O centro também anunciou atualização de sua exposição digital para o final de 2026, utilizando digitalizações de alta resolução da Galeria Axial.
O Ministério da Cultura francês ainda disponibilizou um passeio digital pelas nove galerias, com um filme 3D renderizado de aproximadamente três minutos.
Esta matéria foi elaborada exclusivamente com base no material-base fornecido sobre a descoberta, conservação e reprodução da caverna de Lascaux, com dados, números e declarações preservados conforme o conteúdo consultado.

