Maior PPA de geotermia avançada anunciado até agora prevê energia do Cape Station a partir de 2028. Projeto usa técnicas modernas de perfuração para alcançar calor subterrâneo e pode transformar uma fonte antes limitada pela geografia em alternativa para a enorme demanda elétrica da inteligência artificial
O Google acaba de colocar uma aposta gigantesca em uma fonte renovável que, diferentemente da solar e da eólica, pode produzir eletricidade continuamente durante o dia e a noite. Conforme anúncio publicado pela Fervo Energy, as empresas assinaram um Power Purchase Agreement (PPA) de 396 MW para energia proveniente do Cape Station GeoCluster, em Utah, nos Estados Unidos. A instalação geotérmica avançada deverá entrar em operação em 2028, e a eletricidade servirá como uma das bases para um possível novo data center do Google no estado.
Além disso, o acordo pode ficar muito maior. A Fervo concederá ao Google uma opção para contratar aproximadamente outros 600 MW até junho de 2030. Caso a expansão aconteça integralmente, o volume contratado poderá chegar a quase 1 GW. Entretanto, existe uma ressalva importante: o data center ainda não está definitivamente confirmado. A própria Fervo informa que os planos finais dependem de viabilidade de engenharia, aprovações estaduais e municipais e condições comerciais.
Ainda assim, o tamanho do contrato já chama atenção. Segundo a Fervo, trata-se do maior PPA de sistemas geotérmicos aprimorados — EGS, na sigla em inglês — anunciado até agora no mundo. Portanto, o negócio não representa apenas mais uma compra de energia renovável: ele mostra como gigantes da tecnologia estão procurando fontes firmes de eletricidade capazes de acompanhar o funcionamento ininterrupto de data centers e cargas de inteligência artificial.
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Google precisa de eletricidade dia e noite, e a resposta pode estar quilômetros abaixo da superfície
A corrida da inteligência artificial criou um problema físico que nenhuma inovação em software consegue eliminar: servidores precisam de eletricidade.
Além disso, grandes data centers funcionam continuamente.
Consequentemente, empresas de tecnologia procuram volumes cada vez maiores de geração capazes de acompanhar essa operação.

Solar e eólica desempenham um papel central nessa expansão. Entretanto, ambas dependem das condições ambientais e, por isso, precisam ser combinadas com armazenamento, transmissão, geração complementar ou outras soluções para atender cargas ininterruptas.
A geotermia apresenta uma característica diferente.
Uma usina geotérmica pode utilizar o calor existente no interior da Terra para produzir eletricidade continuamente.
Dessa forma, a fonte consegue entregar aquilo que o setor costuma chamar de energia firme, com elevada disponibilidade.
É justamente essa característica que torna o acordo com a Fervo especialmente interessante para data centers.
O problema é que a geotermia tradicional nunca conseguiu ser instalada em qualquer lugar
A geotermia não é uma tecnologia nova.
Países e regiões com condições geológicas favoráveis utilizam calor subterrâneo para produzir eletricidade há décadas.
Entretanto, existe uma limitação.
Projetos convencionais normalmente precisam encontrar, no mesmo lugar, calor, fluidos e rochas naturalmente permeáveis em condições economicamente aproveitáveis.
Consequentemente, o mapa dos projetos viáveis fica bastante restrito.
É aí que entra a tecnologia desenvolvida pela Fervo.
A empresa trabalha com Enhanced Geothermal Systems (EGS), ou sistemas geotérmicos aprimorados.
Em vez de depender exclusivamente de reservatórios geotérmicos convencionais, a tecnologia utiliza técnicas avançadas de perfuração e engenharia de reservatórios para acessar formações quentes no subsolo e criar condições adequadas à circulação de fluidos.
Assim, a geotermia começa a se aproximar de uma lógica muito mais escalável.
Tecnologia aproveita conhecimentos desenvolvidos pela indústria de petróleo e gás para abrir uma nova fronteira renovável
Existe uma ironia interessante nessa história.
Parte das técnicas que agora ajudam a expandir a energia geotérmica amadureceu justamente dentro da indústria de petróleo e gás.
Perfuração horizontal, caracterização de reservatórios, ferramentas para poços profundos e outras tecnologias utilizadas no desenvolvimento de hidrocarbonetos podem ser adaptadas para alcançar o calor subterrâneo.
Portanto, décadas de conhecimento acumulado no setor fóssil também podem acelerar uma fonte de eletricidade de baixo carbono.
Além disso, essa transferência tecnológica ajuda a explicar por que empresas como a Fervo acreditam ser possível reduzir custos conforme constroem projetos maiores e repetem processos.
A estratégia lembra a transformação ocorrida em outras fontes renováveis: primeiro, projetos são caros e altamente especializados; depois, padronização e escala começam a reduzir custos.
Cape Station deverá começar a entregar energia em 2028 e virou a peça central da aposta
O contrato de 396 MW está ligado ao Cape Station GeoCluster, no sudoeste de Utah.
A Fervo espera colocar o projeto em operação em 2028.
Além disso, o novo PPA faz parte da expansão de Cape Station além de sua fase inicial de 100 MW.
A estratégia da empresa envolve unidades padronizadas chamadas GeoBlocks, que podem ser repetidas à medida que o empreendimento cresce.

Na prática, a Fervo tenta transformar um projeto geotérmico em algo mais próximo de uma plataforma industrial replicável.
Em vez de desenvolver cada usina praticamente do zero, a companhia pretende repetir configurações de perfuração e geração.
Consequentemente, cada nova etapa pode aproveitar experiência acumulada nas anteriores.
Contrato começa com 396 MW, mas uma cláusula coloca quase 1 GW sobre a mesa
O número inicial já seria expressivo.
Entretanto, o acordo contém uma opção especialmente relevante.
Até junho de 2030, o Google poderá ampliar sua contratação em aproximadamente 600 MW.
Somados aos 396 MW iniciais, o volume chegaria a aproximadamente 996 MW, ou praticamente 1 GW de potência contratada.
Para efeito de escala, isso coloca o negócio na faixa de grandes projetos de geração elétrica.
Além disso, mostra que a empresa de tecnologia não está tratando a geotermia avançada apenas como uma experiência pequena.
Caso exerça integralmente a opção, o Google se tornará comprador de uma quantidade extremamente significativa de eletricidade produzida pela tecnologia.
A grande vantagem está numa palavra que aparece cada vez mais na corrida dos data centers: continuidade
Um parque solar produz grandes quantidades de eletricidade durante as horas favoráveis.
Entretanto, à noite, a geração desaparece.
A eólica também pode entregar enormes volumes, mas depende do regime dos ventos.
Por isso, baterias ganharam importância no sistema elétrico.
O próprio Google já aposta nessa combinação e prepara nos Estados Unidos projetos nos quais energia solar e centenas de MWh de armazenamento trabalham juntos para atender a expansão da infraestrutura digital.
A geotermia, porém, oferece outra possibilidade.
Como o calor subterrâneo permanece disponível independentemente de haver Sol ou vento, a geração pode funcionar 24 horas por dia.
Portanto, ela pode complementar fontes variáveis e reduzir a quantidade de energia que precisa ser deslocada de um horário para outro.
A parceria entre Google e Fervo começou bem antes desse acordo bilionário em escala energética
O relacionamento entre as duas empresas não começou em Utah.
A parceria remonta ao Project Red, projeto comercial piloto da Fervo em Nevada que entrou em operação em 2023.
A eletricidade produzida pelo projeto é entregue à rede local, que também atende instalações do Google no estado.
Posteriormente, em junho de 2024, Fervo, Google e NV Energy avançaram para um acordo de 115 MW.
Esse contrato ajudou a estruturar o chamado Clean Transition Tariff, mecanismo criado para permitir a entrada de mais geotermia na rede enquanto os custos do projeto ficam separados daqueles pagos pelos consumidores comuns, segundo a Fervo.
Agora, a parceria salta de uma escala de dezenas e centenas de megawatts para a possibilidade de chegar perto de 1 GW.
Fervo diz que novo contrato não repassará os custos aos consumidores existentes
Esse ponto aparece com destaque no anúncio.
Segundo a empresa, o acordo abre nova capacidade de eletricidade contínua sem custo para os consumidores já existentes.
A afirmação é relevante porque a expansão dos data centers abriu um debate nos Estados Unidos sobre quem deve pagar pela infraestrutura necessária para atender cargas gigantescas.
Novas linhas de transmissão, subestações e usinas custam bilhões.
Consequentemente, reguladores e comunidades querem evitar que investimentos destinados a grandes consumidores tecnológicos acabem elevando as tarifas residenciais.
No modelo apresentado pela Fervo, o objetivo é justamente associar a nova geração ao crescimento dessa demanda.
Utah criou uma rota para grandes consumidores contratarem energia de maneira diferente
O projeto também se conecta a mudanças regulatórias em Utah.
Segundo a Fervo, seu modelo GeoCluster poderá utilizar caminhos previstos pela legislação estadual SB132.
Sujeito às aprovações regulatórias necessárias, esse ambiente pode permitir diferentes formas de entrega de energia e até opções de contratação direta para a carga.
Isso é importante porque data centers gigantes possuem características diferentes de consumidores comuns.
Eles concentram enorme demanda em poucos pontos.
Além disso, podem precisar de centenas de megawatts adicionais em prazos relativamente curtos.
Portanto, aproximar geração e consumo pode reduzir alguns gargalos associados ao crescimento dessas instalações.
IA transforma disponibilidade de energia em uma das decisões mais importantes para escolher onde construir data centers
Durante anos, fatores como conectividade, disponibilidade de terrenos, impostos e proximidade de usuários pesavam fortemente na escolha de locais para data centers.
Agora, outro fator ganhou importância enorme:
energia disponível.
Não basta encontrar eletricidade barata.
Empresas precisam encontrar grandes quantidades de potência que possam ser contratadas e entregues dentro do cronograma de expansão.
Consequentemente, fontes que podem funcionar continuamente ganharam valor estratégico.
É justamente nesse cenário que geotermia avançada, nuclear, gás natural com diferentes configurações, armazenamento de longa duração e grandes projetos renováveis passaram a disputar espaço.
A corrida já faz antigas áreas de carvão receberem baterias gigantes
Essa transformação não acontece apenas em Utah.
Sistemas elétricos de diferentes países estão reutilizando infraestrutura existente e construindo armazenamento em escala cada vez maior.
Na Alemanha, por exemplo, projetos recentes mostram como baterias de 1,6 GWh começam a ocupar antigas áreas de usinas a carvão, sinalizando que a transição energética está deixando de depender apenas da instalação de novos painéis solares e turbinas eólicas.
Além disso, grandes consumidores passaram a procurar combinações próprias.
Uma empresa pode contratar solar durante o dia, armazenamento para deslocar energia, eólica para outros períodos e geração firme para cobrir as horas restantes.
Nesse quebra-cabeça, a geotermia pode ocupar justamente a posição de fonte renovável despachável e contínua.
Mas 396 MW de potência não significam automaticamente 396 MW consumidos em cada segundo pelo data center
Existe uma distinção importante para evitar exageros.
Um PPA de 396 MW representa a capacidade contratada nos termos do acordo.
Isso não significa que um data center necessariamente consumirá exatamente 396 MW de maneira constante desde o primeiro dia.
Além disso, a própria instalação planejada pelo Google em Utah continua sujeita a aprovações e condições comerciais.
Portanto, não seria correto afirmar que o Google “já construiu um data center de 396 MW”.
O que existe hoje é um contrato de compra de energia destinado a apoiar um possível empreendimento futuro.
Da mesma forma, os aproximadamente 600 MW adicionais representam uma opção, e não uma contratação já exercida.
Também seria errado dizer que o Google já contratou 1 GW
Esse cuidado é ainda mais importante no título.
O compromisso anunciado é de 396 MW.
Os quase 1.000 MW representam o potencial total caso o Google exerça a opção de expansão.
Consequentemente, a formulação correta é:
396 MW contratados + opção de aproximadamente 600 MW.
Não:
1 GW já contratado.
Essa diferença parece pequena, mas muda completamente o significado financeiro e energético do negócio.
Geotermia avançada tenta fazer com o calor subterrâneo aquilo que o shale fez com petróleo e gás
A comparação ajuda a entender a ambição da tecnologia EGS.
Durante muito tempo, grandes quantidades de petróleo e gás existiam em formações conhecidas, mas não podiam ser produzidas economicamente.
Depois, perfuração horizontal e técnicas de estimulação transformaram a equação.
Agora, empresas geotérmicas tentam adaptar parte dessa experiência.
Em vez de buscar hidrocarbonetos, o objetivo é acessar calor.
A tecnologia cria ou melhora caminhos para circulação de fluidos em rochas quentes no subsolo.
Depois, o calor recuperado pode ser utilizado para gerar eletricidade.
Portanto, a lógica muda de “encontrar um reservatório geotérmico perfeito” para “engenheirar condições capazes de aproveitar um recurso térmico muito mais abundante”.
Se a tecnologia funcionar em escala, o mapa mundial da geotermia pode mudar
Esse talvez seja o ponto mais importante além do acordo com o Google.
A geotermia convencional depende fortemente da geologia local.
Por isso, lugares como Islândia e determinadas regiões vulcânicas possuem vantagens naturais evidentes.
Entretanto, sistemas EGS pretendem ampliar enormemente a quantidade de locais economicamente aproveitáveis.
Se conseguirem reduzir custos de perfuração, controlar reservatórios e repetir projetos em escala, regiões que nunca seriam candidatas tradicionais à geração geotérmica poderão entrar no mapa.
Dessa maneira, a tecnologia poderia adicionar uma fonte firme de baixo carbono aos sistemas elétricos.
O desafio é que perfurar quilômetros de rocha continua sendo caro e tecnicamente complexo
Naturalmente, não existe energia fácil.
Poços profundos custam caro.
Além disso, projetos geotérmicos precisam lidar com temperatura, pressão, comportamento das rochas, equipamentos, licenciamento e riscos geológicos.
Sistemas aprimorados também exigem atenção a questões como sismicidade induzida, um problema conhecido em projetos que alteram condições de reservatórios subterrâneos.
Portanto, a expansão dependerá tanto da engenharia quanto da capacidade de demonstrar segurança e reduzir custos.
A Fervo aposta justamente na repetição industrial para superar parte dessas barreiras.
A empresa acredita que padronizar os poços pode fazer o custo cair projeto após projeto
Cape Station utiliza uma estratégia modular.
Em vez de tratar cada poço como uma obra completamente diferente, a Fervo busca repetir padrões.
Isso permite que equipes aprendam com cada perfuração.
Consequentemente, tempos podem diminuir e processos podem ficar mais previsíveis.
É uma lógica semelhante à encontrada na manufatura.
Quanto maior o número de unidades construídas seguindo uma arquitetura comum, maior a oportunidade de identificar gargalos e reduzir custos.
A própria Fervo afirma que a expansão do Cape Station busca justamente reduzir custos por meio da execução padronizada e repetível dos GeoBlocks.
A aposta acontece enquanto todo o setor elétrico procura maneiras de armazenar ou produzir energia quando Sol e vento não estão disponíveis
O desafio da continuidade não pertence apenas às empresas de tecnologia.
À medida que sistemas elétricos recebem volumes maiores de fontes variáveis, cresce também a busca por geração firme, redes mais robustas e armazenamento de longa duração.
Por isso, cientistas investigam inclusive rochas porosas entre 1.000 e 2.500 metros de profundidade para armazenar energia em escala de até 1 TWh.
Embora essa tecnologia seja completamente diferente da geotermia da Fervo, as duas iniciativas revelam uma mudança semelhante: o subsolo está entrando novamente no centro da discussão energética, agora não apenas por causa do petróleo e do gás.
Calor, armazenamento e infraestrutura subterrânea podem ganhar funções cada vez maiores na transição energética.
Google procura energia limpa, mas sua expansão também mostra como a IA está pressionando a rede elétrica
Existe ainda uma contradição importante.
A inteligência artificial pode ajudar empresas a otimizar processos e desenvolver tecnologias.
Entretanto, a infraestrutura necessária para treiná-la e operá-la consome grandes quantidades de eletricidade.
Consequentemente, o crescimento dos data centers está obrigando gigantes tecnológicos a procurar fontes que alguns anos atrás dificilmente apareceriam no centro de sua estratégia energética.
O acordo com a Fervo é um exemplo.
Além disso, o Google não aposta exclusivamente em uma tecnologia.
A empresa também firma contratos envolvendo solar, eólica, armazenamento, nuclear e outras formas de geração em diferentes mercados.
A lógica é construir um portfólio capaz de acompanhar uma demanda elétrica crescente sem depender de uma única fonte.
Para Fervo, acordo com uma das maiores empresas de tecnologia funciona como teste comercial de sua promessa de escala
Tim Latimer, CEO e cofundador da Fervo, afirmou que o acordo reforça a ideia de que os sistemas EGS estão prontos para atender a próxima geração de infraestrutura computacional.
Segundo ele, clientes como o Google precisam de recursos capazes de operar continuamente, crescer em escala e entregar eletricidade onde a demanda aparece.
Naturalmente, essa é a posição da própria empresa interessada no projeto.
Por isso, o verdadeiro teste acontecerá nos próximos anos.
Cape Station precisará avançar dentro do cronograma, entregar capacidade e demonstrar desempenho econômico em escala muito maior do que os primeiros projetos da companhia.
A parceria saiu de um piloto em Nevada e agora coloca quase 1 GW como possibilidade
A trajetória ajuda a mostrar a velocidade da expansão.
Primeiro veio o Project Red, que entrou em operação em 2023.
Depois apareceu o acordo de 115 MW, em 2024.
Agora chegam 396 MW contratados.
E, finalmente, existe uma opção que pode adicionar aproximadamente 600 MW até 2030.
Portanto, em poucos anos, uma tecnologia tratada inicialmente como projeto piloto passou a negociar volumes associados a grandes instalações de geração.
Essa progressão talvez seja mais importante que qualquer número isolado.
Ela mostra que grandes compradores começaram a considerar a geotermia avançada não apenas como demonstração tecnológica, mas como possível componente de sua infraestrutura energética.
O acordo pode transformar Utah em um dos maiores laboratórios do mundo para energia geotérmica avançada e data centers
Se Cape Station entrar em operação conforme planejado e o possível data center avançar, Utah reunirá dois setores que raramente apareciam juntos há poucos anos:
geotermia profunda e inteligência artificial.
De um lado, equipamentos perfuram rochas para acessar calor armazenado no subsolo.
Do outro, milhares de chips precisam de eletricidade continuamente para processar dados.
Entre eles está uma infraestrutura elétrica que precisa transformar calor geológico em energia disponível para computação.
É uma conexão curiosa.
Uma das tecnologias mais modernas da economia pode acabar dependendo de uma das fontes de energia mais antigas do planeta:
o calor da própria Terra.
396 MW já estão no acordo; os quase 1 GW e o data center gigantesco ainda dependem dos próximos passos
O anúncio é significativo, mas os números precisam permanecer em suas categorias corretas.
O Google assinou um PPA de 396 MW com a Fervo.
O Cape Station deve fornecer essa energia a partir de 2028.
Além disso, o Google terá a possibilidade de acrescentar aproximadamente 600 MW até junho de 2030, levando a contratação potencial para perto de 1 GW.
Entretanto, o futuro data center em Utah ainda depende de fatores técnicos, regulatórios e comerciais.
Portanto, não existe hoje confirmação de que toda essa expansão acontecerá.
Ainda assim, a dimensão do compromisso inicial revela uma mudança importante.
A demanda dos data centers ficou tão grande que empresas de tecnologia já procuram energia não apenas em painéis solares, turbinas eólicas e baterias, mas também quilômetros abaixo da superfície terrestre.
E, se a Fervo conseguir transformar a geotermia avançada em um modelo realmente repetível, a consequência poderá ultrapassar muito o futuro data center do Google.
Na sua opinião, faz mais sentido usar geotermia capaz de gerar eletricidade 24 horas por dia para sustentar a expansão da inteligência artificial, ou o crescimento dos data centers já está exigindo energia demais dos sistemas elétricos?
