Investimento bilionário do Google em infraestrutura de IA na Índia promete redefinir escala global de data centers e atender crescimento acelerado da demanda por computação avançada, com impacto direto na capacidade energética, conectividade internacional e estratégia digital do país asiático.
O Google Cloud planeja erguer em Visakhapatnam, na Índia, um campus de data centers voltado à inteligência artificial com investimento de US$ 15 bilhões e capacidade prevista de até 5 gigawatts, conforme declarou o CEO Thomas Kurian em entrevista ao Economic Times.
Ao detalhar a iniciativa, o executivo explicou que o projeto reunirá múltiplos data centers e será desenvolvido ao longo de cinco anos, abrangendo o período entre 2026 e 2030, com expansão progressiva da capacidade instalada.
“E então, isso chegará a 5 GW. É um campus muito, muito grande”, afirmou Kurian ao comentar a dimensão da estrutura planejada e a ambição do investimento no país asiático.
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Chama atenção o fato de que a escala prevista ultrapassa com ampla margem a capacidade atual de data centers da Índia, estimada em cerca de 1,5 GW ao fim de 2025, segundo dados citados pela publicação.
Se o cronograma for mantido, o complexo em Visakhapatnam tende a reposicionar o país no mapa global da infraestrutura digital, ampliando sua relevância em computação em nuvem e inteligência artificial.
Google amplia investimento em IA na Índia
Considerado o maior compromisso financeiro já assumido pelo Google no mercado indiano, o projeto também se destaca como a maior iniciativa da empresa nesse segmento fora dos Estados Unidos até o momento.
Dentro da estratégia global, a companhia busca expandir sua infraestrutura para acompanhar o avanço acelerado da inteligência artificial, que exige maior capacidade computacional e redes mais robustas para sustentar novos serviços digitais.

Ainda em outubro de 2025, o Google havia anunciado o plano de investir US$ 15 bilhões na criação de seu primeiro hub de IA na Índia, escolhendo Visakhapatnam, no estado de Andhra Pradesh, como base dessa operação.
Além dos data centers em escala de gigawatts, o projeto inclui infraestrutura energética dedicada e sistemas de conectividade por fibra óptica, fundamentais para garantir desempenho e estabilidade das operações.
Somado a isso, está prevista a instalação de uma nova porta de conexão submarina internacional, que deve reforçar a integração da Índia à rede global de cabos do Google e ampliar o fluxo de dados entre continentes.
Capacidade de 5 GW supera infraestrutura atual
Com previsão de atingir até 5 GW, o campus se posiciona em uma escala pouco comum no setor, especialmente quando comparado ao estágio atual de desenvolvimento da infraestrutura digital indiana.
Para efeito de comparação, todo o parque de data centers do país somava aproximadamente 1,5 GW no fim de 2025, o que evidencia a magnitude do projeto e seu potencial impacto no mercado local.
Essa diferença ajuda a explicar por que a iniciativa é vista como estratégica para o avanço da computação de IA na Índia, que passa por um momento de expansão acelerada impulsionada por demanda interna e investimentos estrangeiros.
Operações desse porte exigem grande volume de energia, soluções avançadas de refrigeração e redes de alta capacidade, além de planejamento detalhado para garantir funcionamento contínuo e eficiente ao longo do tempo.
Integrado à rede global do Google, o hub fará parte de uma estrutura distribuída por 12 países, permitindo maior flexibilidade na gestão de cargas de trabalho e melhor resposta a variações de demanda.
Estratégia global garante resiliência operacional
Em relação à operação, Kurian destacou que o Google Cloud possui capacidade de mover cargas de trabalho entre diferentes regiões em caso de interrupções, aproveitando a arquitetura distribuída da empresa.
Como exemplo, ele mencionou episódios recentes de tensão geopolítica no Oriente Médio, quando organizações precisaram adaptar rapidamente suas operações para manter a continuidade dos serviços digitais.
Segundo o executivo, governos têm demonstrado maior flexibilidade em situações emergenciais, permitindo que empresas ajustem a localização de dados conforme a necessidade operacional.
“Se você observar o Oriente Médio durante as crises, o governo deu às empresas a liberdade de mover suas informações e armazená-las em vários locais”, declarou.
No contexto indiano, a companhia já opera regiões de nuvem em Mumbai e Delhi, que podem ser utilizadas para replicação de dados e manutenção de serviços em cenários críticos.
“Em uma crise, você pode replicar qualquer uma dessas soluções em qualquer outra na Índia”, acrescentou Kurian ao explicar a estratégia de redundância adotada pela empresa.
Essa abordagem combina expansão física com mecanismos de resiliência, aspecto considerado essencial por clientes corporativos e governos que dependem de alta disponibilidade.
Nova lei de dados influencia estratégia do Google
Enquanto o projeto avança, a Índia implementa a Lei de Proteção de Dados Pessoais Digitais de 2023, que estabelece diretrizes para o tratamento e a transferência de informações pessoais.
Embora a legislação permita fluxos internacionais de dados, ela também concede ao governo poder para restringir transferências a determinadas jurisdições, o que impacta diretamente o setor de computação em nuvem.
Diante desse cenário, decisões sobre armazenamento e processamento de dados passam a envolver não apenas aspectos técnicos, mas também exigências regulatórias e contratuais cada vez mais complexas.
A existência de infraestrutura robusta dentro do território indiano tende a reduzir parte dessas limitações, oferecendo alternativas mais seguras para empresas que operam no país.
Além disso, a possibilidade de replicação interna fortalece a oferta do Google Cloud para clientes que buscam baixa latência, maior confiabilidade e conformidade com regras locais.
Demanda por IA cresce em ritmo acelerado
Ao justificar o investimento, Kurian destacou o crescimento expressivo da demanda por computação voltada à inteligência artificial, impulsionado pela popularização de modelos generativos e aplicações corporativas.
De acordo com o executivo, a taxa de transferência de APIs saltou de 10 bilhões para 16 bilhões de tokens por minuto entre dezembro e março, indicando um avanço significativo no uso desses serviços.
Esse aumento corresponde a uma alta de 50% em apenas três meses, o que pressiona a capacidade global de infraestrutura e evidencia a necessidade de expansão acelerada dos data centers.
Diante desse cenário, a disponibilidade de chips, energia e redes tornou-se um dos principais desafios para empresas que operam em larga escala no setor de inteligência artificial.
Reconhecendo essas limitações, Kurian afirmou que o Google mantém locais dedicados à demanda e realiza monitoramento constante para equilibrar oferta e consumo de recursos.
“Temos locais dedicados à demanda e estamos constantemente medindo e tentando atendê-la”, disse o CEO ao comentar a gestão da capacidade instalada.
Visakhapatnam entra na rota global da IA
Com a escolha de Visakhapatnam, o estado de Andhra Pradesh busca se consolidar como um polo relevante de infraestrutura digital, atraindo investimentos e fortalecendo sua posição no cenário tecnológico internacional.
O projeto reúne data centers, sistemas de energia, cabos submarinos e parcerias estratégicas, formando um ecossistema capaz de sustentar operações de grande escala e alta complexidade.
Para viabilizar a iniciativa, o Google tem atuado em conjunto com empresas indianas de infraestrutura e telecomunicações, acelerando a implementação e ampliando a conectividade regional.
Embora o valor de US$ 15 bilhões tenha sido oficialmente confirmado pela companhia, a capacidade de até 5 GW foi mencionada por Thomas Kurian em entrevista, podendo variar conforme o avanço das etapas de construção.
A definição final dependerá de fatores como disponibilidade energética, evolução da demanda e cumprimento do cronograma previsto até 2030.


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