Mamíferos marinhos treinados durante a Guerra Fria voltam ao centro das tensões entre Irã e Estados Unidos após declarações no Pentágono e relatos envolvendo operações navais secretas
Uma pergunta incomum dominou parte da coletiva do Pentágono, realizada em 5 de maio de 2026, durante debates sobre o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
O questionamento surgiu após um repórter do jornal americano The Daily Wire perguntar ao secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, sobre relatos envolvendo supostos “golfinhos suicidas” utilizados pelo Irã.
Hegseth respondeu em tom descontraído. O secretário afirmou que não poderia confirmar nem negar a existência de programas semelhantes nos Estados Unidos. Ainda assim, declarou que o Irã não possuiria esse tipo de capacidade operacional.
-
R$ 5 mil espalhados pela rua, uma carteira perdida e uma decisão honesta: o caso em Goiás que emocionou até quem Só leu a história
-
Inconformado em ver gente dormindo na rua, um homem chamado Ryan Donais passou a construir pequenas casas móveis para que moradores em situação de rua escapem do frio, cada uma com cama, água corrente, eletricidade e aquecimento
-
ET no Paraná? Após vídeos intrigantes, sons misteriosos na mata e teorias que dominaram as redes sociais, FAB revela o que seus radares registraram e aumenta o mistério sobre suposto OVNI visto em Campo Largo
-
Na Coreia do Norte, moradores levam garrafas, plástico, tecido, papel e metal para lojas de reciclagem e trocam lixo por produtos enquanto sanções, fronteiras fechadas e queda de mais de 80% no comércio com a China pressionam o país a substituir importações
O assunto ganhou ainda mais repercussão após a participação do general Dan Kaine, chefe do Estado-Maior Conjunto americano. O militar comparou os rumores à famosa ideia fictícia de “tubarões equipados com raios laser”.
Reportagem do Wall Street Journal colocou o tema novamente em evidência
A discussão voltou ao cenário internacional depois de uma reportagem publicada pelo The Wall Street Journal, poucos dias antes da coletiva no Pentágono.
O jornal americano afirmou que autoridades iranianas avaliavam alternativas incomuns para tentar romper o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos no estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.
Segundo a publicação, representantes iranianos mencionaram possíveis armas ainda não utilizadas oficialmente. Entre elas estariam submarinos e golfinhos equipados com minas explosivas, capazes de atingir navios militares americanos.
A reportagem também destacou ameaças envolvendo cabos submarinos de fibra óptica instalados na região, responsáveis por parte importante do tráfego global de internet.
História dos golfinhos militares começou durante a União Soviética
O uso militar de golfinhos pode parecer improvável. Ainda assim, programas desse tipo existem há décadas e foram desenvolvidos inicialmente durante a Guerra Fria.
Reportagens publicadas pela BBC, há aproximadamente 26 anos, revelaram que o Irã havia comprado da Ucrânia diversos mamíferos marinhos treinados pela antiga marinha soviética.
Os animais saíram de Sebastopol, na Crimeia, rumo ao Golfo Pérsico após o colapso da União Soviética, oficialmente encerrada em 1991.
O grupo transportado incluía golfinhos, botos, focas, leões-marinhos e uma baleia beluga, totalizando 27 animais levados em um avião de carga.
Informações divulgadas pelo jornal russo Komsomolskaya Pravda apontavam que os mamíferos haviam sido treinados para detectar mergulhadores inimigos, patrulhar áreas marítimas e proteger instalações navais.

Treinamentos incluíam reconhecimento de submarinos e uso de minas
O principal responsável pelo treinamento era Boris Zhurid, ex-oficial de submarinos que também possuía formação em medicina.
Relatos publicados pela imprensa russa indicavam que Zhurid decidiu vender os animais porque já não conseguia manter alimentação, medicamentos e estrutura adequada após os cortes financeiros ocorridos no período pós-soviético.
Declarações atribuídas ao treinador afirmavam que os golfinhos foram ensinados a reconhecer submarinos pelo som das hélices e identificar embarcações estrangeiras.
Parte dos relatos também apontava que alguns animais podiam carregar explosivos presos ao corpo para atingir cascos de navios em missões consideradas suicidas.
O Komsomolskaya Pravda descreveu os mamíferos treinados como uma antiga “arma secreta soviética” vendida ao Irã “a preço de liquidação”.
Ex-presidente iraniano negou finalidade militar dos animais
O ex-presidente iraniano Akbar Hashemi Rafsanjani, que governou o Irã entre 1989 e 1997, rejeitou publicamente as acusações sobre uso militar dos mamíferos marinhos.
Em seu livro Reformas em Tempos de Crise, Rafsanjani relatou uma visita realizada em 1990 à ilha de Kish, onde os animais estavam instalados.
O ex-presidente descreveu apresentações realizadas por treinadores ucranianos que ensinavam iranianos a cuidar dos mamíferos recém-importados.
Trechos da obra afirmam que generais iranianos negaram informações divulgadas pela imprensa ocidental sobre operações militares envolvendo minas marítimas.
Rafsanjani também destacou características físicas dos animais, além da adaptação necessária para manter espécies vindas das águas frias do oceano Ártico.

Rússia e Estados Unidos mantêm programas militares com mamíferos marinhos
Programas militares envolvendo mamíferos marinhos continuam existindo atualmente em alguns países.
Os Estados Unidos mantêm um programa naval em San Diego, na Califórnia. A iniciativa utiliza animais treinados em operações marítimas específicas.
A Rússia, por sua vez, ampliou recentemente a presença de golfinhos militares no porto de Sebastopol, no mar Negro, após o início da guerra na Ucrânia.
Imagens de satélite também levantaram especulações sobre estruturas semelhantes na Coreia do Norte, embora não exista confirmação oficial.
A história dos golfinhos soviéticos vendidos ao Irã permanece cercada por relatos militares, disputas geopolíticas e episódios que continuam despertando curiosidade internacional décadas depois.
Até que ponto programas militares envolvendo animais ainda podem influenciar estratégias modernas em regiões de tensão global?

Seja o primeiro a reagir!