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Gigante finlandesa assina acordo para comprar megafábrica brasileira de 67 anos em Guarulhos, que produz peças de bronze para manter máquinas de mineração funcionando pelo mundo

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 27/10/2026 às 17:46 Atualizado em 27/10/2026 às 18:00
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Vista aérea de fábrica com galpões longos brancos e azuis, área de estacionamento e rua em frente, na cidade de Guarulhos
Instalações da Italbronze em Guarulhos, onde a empresa produz componentes de bronze para a indústria. Crédito: Italbronze / divulgação.
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Fundada na Mooca e instalada em Guarulhos, a Italbronze produz peças de bronze para máquinas de mineração e emprega cerca de 470 pessoas. A finlandesa Metso assinou acordo para comprá-la, mas o negócio ainda depende de aprovação.

Uma fábrica brasileira que começou como pequena oficina de bronze na Mooca, em São Paulo, atravessou décadas, mudou-se para Guarulhos e passou a fornecer peças para equipamentos de mineração usados em diferentes países. Agora, essa história industrial entrou nos planos de uma gigante finlandesa. A Metso assinou um acordo para comprar a Italbronze, fabricante que reúne cerca de 470 trabalhadores e produz componentes capazes de manter máquinas enormes funcionando longe dos grandes centros.

O anúncio foi feito em 20 de outubro de 2026. A Italbronze já fornecia peças à Metso havia mais de 30 anos. A diferença é que a empresa estrangeira pretende deixar de ser apenas uma cliente importante para assumir o controle da fabricante paulista, caso o negócio receba as aprovações necessárias. O preço não foi divulgado, e a conclusão é esperada até o final de 2026. A operação, portanto, foi anunciada e contratada, mas ainda não estava concluída na data do comunicado.

Da Mooca a uma fábrica de 45 mil metros quadrados: a história por trás da negociação

Antes de atender mineradoras de vários continentes, o negócio surgiu de uma necessidade da indústria brasileira. Em 17 de abril de 1958, os irmãos Ferdinando e Silvano Maestripieri se uniram ao amigo Paulo Bovani e criaram a Indústria Metalúrgica Bovani-Maestripieri, na Mooca. O setor automobilístico estava crescendo e precisava de peças produzidas no Brasil que pudessem competir em qualidade com componentes importados.

A manufatura ganhou espaço na indústria e, nos anos 1970, instalou uma unidade fabril em Guarulhos, na Grande São Paulo. O nome mudou para Italbronze, reunindo a referência à origem italiana de seus fundadores e ao metal que se tornou sua especialidade. A empresa descreve atualmente um complexo industrial de 45 mil metros quadrados, com mais de 16 mil metros quadrados de construções, laboratórios e máquinas de fundição e usinagem.

A empresa informa que passou a fornecer peças para cinco continentes e saiu das encomendas feitas à indústria automobilística paulista para atender mineração, energia, agricultura e outros segmentos. Ao divulgar a compra, a Metso descreveu a fabricante como uma empresa com 67 anos de trajetória. A própria Italbronze informa a data exata de fundação, em 17 de abril de 1958, anterior à mudança para Guarulhos.

Uma peça pequena pode parar uma máquina gigantesca de mineração

Caminhões de grande porte e escavadeiras dominam as imagens de uma mineração a céu aberto, mas a produção também depende de componentes que cabem nas mãos de um mecânico. Mas o minério retirado da terra precisa ser quebrado em pedaços menores antes de seguir para outras etapas. É aí que entram os britadores, máquinas construídas para trabalhar sob carga intensa e desgaste constante.

Dentro desses equipamentos existem componentes que o público quase nunca vê. Algumas peças de bronze servem como superfícies de apoio e deslizamento entre partes móveis, ajudando a suportar forças elevadas e reduzir o atrito em mecanismos específicos. Se um componente perde a especificação correta ou não há reposição disponível, a manutenção pode se prolongar e interromper o processamento do minério.

A Italbronze fabrica peças de desgaste, buchas, anéis e componentes usinados de acordo com medidas e exigências de cada aplicação. A produção envolve fundição contínua e centrífuga, seguida de usinagem de precisão em equipamentos controlados por computador. Segundo a fabricante, testes e medições de qualidade fazem parte do caminho que o material percorre antes de chegar ao cliente.

Duas peças cilíndricas e cônicas de bronze dourado, com fendas verticais, colocadas lado a lado sobre fundo branco
Buchas de bronze do catálogo da Italbronze, exemplo dos componentes de precisão fornecidos pela indústria paulista. Crédito: Italbronze.

Para a Metso, que fornece equipamentos e serviços a mineradoras e produtores de agregados, manter esse conhecimento dentro do próprio grupo pode reduzir a dependência de fornecedores externos em uma etapa específica. A intenção declarada é aumentar a disponibilidade de peças sobressalentes e dar maior segurança aos prazos de fornecimento. O anúncio não informa mudanças imediatas nas linhas de produção da fábrica brasileira.

Depois de mais de 30 anos fornecendo peças, a Italbronze pode virar parte da própria cliente

A relação comercial entre as empresas não começou agora. A Metso compra componentes da Italbronze há mais de três décadas. Nesse período, a fabricante paulista acumulou experiência em ligas de bronze para equipamentos de britagem. A aquisição levaria essa capacidade de fundição, usinagem e controle de qualidade para a rede industrial e de serviços da companhia finlandesa.

Para o trabalhador que atua na fundição ou nas máquinas de usinagem, a notícia envolve uma mudança possível de controle empresarial, não um anúncio de encerramento da fábrica. A própria Metso informou que aproximadamente 470 colaboradores deverão passar a integrar seu grupo quando a transação for concluída. O anúncio trata da integração dos atuais colaboradores após o fechamento do negócio, e não apresenta plano de demissões ou de transferência da produção para o exterior.

O diretor estatutário da Italbronze, Jaime Ortiz Jimenez, afirmou no anúncio que o acordo prevê continuidade para empregados, clientes e parceiros e que a integração poderia trazer oportunidades dentro de uma rede internacional. São compromissos e expectativas apresentados pelos executivos, ainda sujeitos à conclusão da compra e às decisões que serão tomadas depois dela.

Os clientes que já utilizam as peças também aparecem na negociação. A Metso informa que o atendimento e o fornecimento da Italbronze continuarão durante o processo. Para uma empresa de mineração que precisa de um componente sob medida, o fator mais imediato costuma ser conseguir a peça correta dentro do prazo de manutenção planejado.

Por que uma multinacional quer controlar uma fundição brasileira?

A Metso é conhecida por fabricar tecnologias de britagem, moagem e processamento de minerais, mas uma parte relevante de sua atividade acontece depois da venda das máquinas. Equipamentos industriais exigem substituição de peças, revisão e assistência ao longo de anos. Esse mercado de manutenção e reposição é chamado de pós-venda, ou aftermarket, e depende da disponibilidade de componentes adequados.

Em seu relatório referente ao terceiro trimestre de 2026, a Metso informou que o pós-venda respondeu por 57% das vendas do grupo naquele período. O dado ajuda a dimensionar por que o fornecimento de peças é uma atividade central para a multinacional, e não um detalhe pequeno diante da venda de máquinas novas. A companhia também anunciou investimentos em serviços e atendimento aos clientes de mineração no Brasil.

A compra da Italbronze atende a essa necessidade industrial. A fundição paulista possui máquinas de usinagem de precisão, laboratório e conhecimento acumulado na fabricação de componentes que precisam trabalhar sob atrito, pressão e desgaste. Incorporar essa estrutura permitiria à Metso coordenar diretamente uma parte da produção que hoje recebe de uma fornecedora tradicional.

O alcance da fábrica vai além da mineração. A Italbronze descreve atuação em áreas como indústria automobilística, agricultura, siderurgia, geração de energia e petróleo e gás. A compra foi anunciada com ênfase nos equipamentos de britagem, mas a empresa brasileira também atende outras linhas industriais. O comunicado não detalha se haverá mudanças específicas nesses contratos.

Os 470 empregados serão incorporados, mas a compra ainda precisa passar pelas autoridades

O acordo divulgado em outubro prevê que os colaboradores da Italbronze se juntem à Metso após o fechamento da transação. Esse passo ainda depende de aprovação das autoridades de defesa da concorrência. O prazo indicado pelas empresas é até o final de 2026, e não há confirmação pública de que o negócio tenha sido concluído em outubro.

Os grupos decidiram manter em sigilo o valor negociado. Também não divulgaram metas de produção adicionais, número de novas contratações ou investimentos específicos para ampliar a unidade de Guarulhos. A informação oficial é que a aquisição não deverá ter impacto material no desempenho financeiro da Metso, avaliação feita pela compradora.

A análise concorrencial ainda precisa avaliar a operação nas instâncias competentes. Até a conclusão do procedimento, a Italbronze e a Metso continuam seguindo as condições aplicáveis ao acordo. A formalização da transferência de controle dependerá desse encerramento da operação.

Uma indústria nascida para substituir importações agora abastece uma rede mundial

A fundação de 1958 tinha como ponto de partida fornecer ao Brasil peças que, naquele momento, a indústria automobilística precisava importar. Quase sete décadas depois, a mesma tradição de trabalhar o bronze passou a interessar a um grupo com presença em dezenas de países. A fábrica de Guarulhos se tornou fornecedora de um mercado em que uma peça de reposição pode determinar quanto tempo uma máquina continuará operando.

Se a aquisição for aprovada, a operação terá uma consequência concreta: uma indústria brasileira com história própria passará a integrar a cadeia global de serviços de uma fabricante finlandesa de equipamentos de mineração. Para os funcionários e clientes, o próximo marco será a confirmação do fechamento e as informações que as empresas divulgarem sobre a integração.

A história que começou numa pequena manufatura da Mooca ainda está em movimento em Guarulhos. O acordo está assinado. O próximo passo é a avaliação concorrencial e, depois dela, a definição de como a Metso integrará a fábrica, os clientes e o conhecimento técnico de sua equipe brasileira.

Você já tinha ouvido falar de uma fábrica brasileira de peças de bronze que atende máquinas de mineração pelo mundo? Compartilhe esta reportagem com quem se interessa pela indústria nacional e pelas histórias por trás de grandes equipamentos.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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