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Após reeleição de Lula, entidades do agronegócio cobram juros menores, responsabilidade fiscal e segurança jurídica, enquanto produtores defendem investimentos e mudanças na economia brasileira

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Escrito por Viviane Alves Publicado em 27/10/2026 às 19:17 Atualizado em 27/10/2026 às 19:23
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Assista o vídeoProdutor rural e empresário apertam as mãos em plantação com colheitadeira e silos ao fundo, ilustrando as demandas do agronegócio após reeleição de Lula.
Em meio às cobranças por mudanças econômicas, entidades do agro defendem melhores condições de crédito, estabilidade jurídica e investimentos para fortalecer a produção rural brasileira. Imagem ilustrativa.
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Faesp, Abag, Aprosoja-MT e CropLife apresentam suas prioridades para o próximo governo e expõem preocupações com os custos de produção, a estabilidade econômica e o futuro do campo.

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República em 2026 provocou manifestações de importantes entidades do agronegócio brasileiro. Representantes dos produtores rurais e da agroindústria apresentaram propostas para o próximo mandato, com destaque para redução dos juros, responsabilidade fiscal, segurança jurídica e investimentos em infraestrutura. As reivindicações refletem preocupações com os custos da atividade agrícola e as condições necessárias para manter a competitividade do setor.

As manifestações partiram da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), da Aprosoja-MT e da CropLife Brasil. Embora apresentem prioridades diferentes, as organizações defendem diálogo com o governo federal e políticas que favoreçam os investimentos. A modernização tecnológica, a previsibilidade das regras e o fortalecimento da produção nacional também aparecem entre as demandas.

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Faesp reage à reeleição de Lula e defende mudanças na política econômica para reduzir custos no campo

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo reconheceu o resultado das eleições presidenciais de 2026, mas cobrou mudanças na condução econômica do país. A entidade afirmou que o respeito à decisão dos eleitores é fundamental para a democracia. Também destacou que aproximadamente 49% dos votos foram destinados à candidatura adversária, resultado que considera importante para orientar as decisões do próximo governo.

O presidente da Faesp, Tirso Meirelles, apoiou formalmente a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) durante a campanha eleitoral. Em manifestação após a votação, defendeu que o processo democrático exige diálogo permanente e respeito às diferentes posições políticas. Para a federação, o governo precisa considerar as demandas da sociedade e buscar condições mais favoráveis à atividade produtiva.

Entre as prioridades apresentadas estão a simplificação tributária sem aumento da carga de impostos, a redução sustentável dos juros e o controle dos gastos públicos. A Faesp também cobrou maior eficiência do Estado, proteção ao direito de propriedade e previsibilidade jurídica. Segundo a entidade, essas condições são fundamentais para reduzir incertezas e estimular investimentos na agropecuária brasileira.

Abag propõe planejamento de longo prazo e políticas para ampliar investimentos na agroindústria brasileira

A Associação Brasileira do Agronegócio cumprimentou Lula pela reeleição e defendeu a pacificação política como condição para fortalecer o ambiente econômico. A organização considera necessário estabelecer políticas públicas duradouras, capazes de orientar investimentos independentemente das mudanças de governo. O fortalecimento das instituições e a melhoria da eficiência administrativa também aparecem entre suas prioridades.

Na avaliação da Abag, o desenvolvimento da agroindústria depende de maior previsibilidade para investimentos em infraestrutura, logística, financiamento e seguros agrícolas. A associação defendeu uma estratégia plurianual que integre essas áreas e amplie a participação da iniciativa privada. Essas medidas, segundo a entidade, podem fortalecer a segurança alimentar, a produção energética e a presença brasileira no comércio internacional.

A organização colocou à disposição do presidente reeleito a Agenda Estratégica da Agroindústria Brasileira, documento que reúne propostas para orientar políticas de Estado. O material apresenta uma visão de longo prazo para o setor produtivo, com foco em reformas estruturais, competitividade e desenvolvimento econômico.

Aprosoja-MT cobra estabilidade econômica e aposta nos biocombustíveis para agregar valor à produção agrícola

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso destacou a responsabilidade fiscal, a segurança jurídica e a redução dos juros como prioridades. A entidade também defendeu maior integração entre agricultura, indústria e energia, considerando o potencial dos biocombustíveis para ampliar o aproveitamento da produção nacional.

O presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, afirmou que o resultado das eleições deve ser respeitado e pediu esforços para superar as disputas políticas. Segundo ele, a recuperação da confiança econômica é necessária para estimular investimentos e favorecer o crescimento do país. A situação financeira dos produtores rurais também foi apresentada como uma preocupação central da associação.

Entre as propostas estão incentivos ao etanol, biodiesel e combustível sustentável de aviação (SAF), com o objetivo de agregar valor aos produtos agrícolas. A Aprosoja-MT também defendeu relações comerciais pragmáticas com China e Estados Unidos. Para a entidade, o fortalecimento dos produtores deve acompanhar a expansão das oportunidades econômicas.

CropLife Brasil defende pesquisa científica, inovação tecnológica e regras estáveis para fortalecer a agricultura

A CropLife Brasil, organização que reúne 53 empresas dos segmentos de sementes, biotecnologia, defensivos químicos e bioinsumos, cumprimentou Lula pela reeleição. A entidade destacou que a continuidade dos investimentos em ciência, pesquisa e desenvolvimento tecnológico é fundamental para preservar a competitividade da agricultura brasileira no mercado global.

A organização também defendeu um ambiente de negócios capaz de atrair investimentos e fortalecer financeiramente os produtores rurais. A modernização da infraestrutura produtiva aparece entre as medidas consideradas necessárias para ampliar a capacidade de desenvolvimento do setor. No campo regulatório, a CropLife pediu regras transparentes, estabilidade normativa e decisões fundamentadas em critérios científicos.

A cooperação técnica internacional e a aproximação regulatória com parceiros comerciais também fazem parte das propostas. A entidade manifestou disposição para colaborar com o governo federal, o Congresso Nacional e outras instituições públicas na formulação de políticas voltadas à inovação agrícola.

Demandas das entidades revelam prioridades econômicas e produtivas para o próximo mandato de Lula

As manifestações de Faesp, Abag, Aprosoja-MT e CropLife mostram que diferentes segmentos do agronegócio compartilham preocupações sobre o ambiente econômico brasileiro. A redução dos custos financeiros, a estabilidade das regras e a criação de condições favoráveis aos investimentos aparecem como pontos de aproximação entre as organizações.

Cada entidade, porém, apresentou prioridades próprias. A Faesp concentrou suas cobranças na condução econômica, enquanto a Abag destacou o planejamento estrutural. A Aprosoja-MT deu atenção aos biocombustíveis e à situação financeira dos agricultores. Já a CropLife priorizou pesquisa, inovação e aperfeiçoamento regulatório.

O conjunto das propostas indica que responsabilidade fiscal, crédito, segurança jurídica e competitividade agrícola estarão entre os temas defendidos pelas entidades no próximo mandato. As organizações também demonstraram interesse em manter canais de diálogo com o governo para discutir medidas voltadas ao desenvolvimento do agronegócio brasileiro.

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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