Faesp, Abag, Aprosoja-MT e CropLife apresentam suas prioridades para o próximo governo e expõem preocupações com os custos de produção, a estabilidade econômica e o futuro do campo.
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República em 2026 provocou manifestações de importantes entidades do agronegócio brasileiro. Representantes dos produtores rurais e da agroindústria apresentaram propostas para o próximo mandato, com destaque para redução dos juros, responsabilidade fiscal, segurança jurídica e investimentos em infraestrutura. As reivindicações refletem preocupações com os custos da atividade agrícola e as condições necessárias para manter a competitividade do setor.
As manifestações partiram da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), da Aprosoja-MT e da CropLife Brasil. Embora apresentem prioridades diferentes, as organizações defendem diálogo com o governo federal e políticas que favoreçam os investimentos. A modernização tecnológica, a previsibilidade das regras e o fortalecimento da produção nacional também aparecem entre as demandas.
Faesp reage à reeleição de Lula e defende mudanças na política econômica para reduzir custos no campo
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo reconheceu o resultado das eleições presidenciais de 2026, mas cobrou mudanças na condução econômica do país. A entidade afirmou que o respeito à decisão dos eleitores é fundamental para a democracia. Também destacou que aproximadamente 49% dos votos foram destinados à candidatura adversária, resultado que considera importante para orientar as decisões do próximo governo.
-
Nova regra muda o plantio de tomate para indústria no Brasil, cria faixas de risco de até 40% e pode interferir no acesso dos produtores a crédito rural, seguro e Proagro
-
Embrapa coloca árvore nativa e eucalipto à prova por seis anos e encontra no solo uma diferença que pode mudar a escolha de espécies nas pastagens brasileiras, com efeitos que chegam a cinco metros do tronco
-
Brasil fecha US$ 452 milhões em negócios na SIAL Paris 2026 e projeta mais de US$ 1 bilhão em exportações
-
Após chuva arrastar 7.500 m³ de solo no Paraná, drones ajudam Embrapa e Itaipu a trocar 43 terraços por 29 e a capacidade de conter enxurradas mais que triplica
O presidente da Faesp, Tirso Meirelles, apoiou formalmente a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) durante a campanha eleitoral. Em manifestação após a votação, defendeu que o processo democrático exige diálogo permanente e respeito às diferentes posições políticas. Para a federação, o governo precisa considerar as demandas da sociedade e buscar condições mais favoráveis à atividade produtiva.
Entre as prioridades apresentadas estão a simplificação tributária sem aumento da carga de impostos, a redução sustentável dos juros e o controle dos gastos públicos. A Faesp também cobrou maior eficiência do Estado, proteção ao direito de propriedade e previsibilidade jurídica. Segundo a entidade, essas condições são fundamentais para reduzir incertezas e estimular investimentos na agropecuária brasileira.
Abag propõe planejamento de longo prazo e políticas para ampliar investimentos na agroindústria brasileira
A Associação Brasileira do Agronegócio cumprimentou Lula pela reeleição e defendeu a pacificação política como condição para fortalecer o ambiente econômico. A organização considera necessário estabelecer políticas públicas duradouras, capazes de orientar investimentos independentemente das mudanças de governo. O fortalecimento das instituições e a melhoria da eficiência administrativa também aparecem entre suas prioridades.
Na avaliação da Abag, o desenvolvimento da agroindústria depende de maior previsibilidade para investimentos em infraestrutura, logística, financiamento e seguros agrícolas. A associação defendeu uma estratégia plurianual que integre essas áreas e amplie a participação da iniciativa privada. Essas medidas, segundo a entidade, podem fortalecer a segurança alimentar, a produção energética e a presença brasileira no comércio internacional.
A organização colocou à disposição do presidente reeleito a Agenda Estratégica da Agroindústria Brasileira, documento que reúne propostas para orientar políticas de Estado. O material apresenta uma visão de longo prazo para o setor produtivo, com foco em reformas estruturais, competitividade e desenvolvimento econômico.
Aprosoja-MT cobra estabilidade econômica e aposta nos biocombustíveis para agregar valor à produção agrícola
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso destacou a responsabilidade fiscal, a segurança jurídica e a redução dos juros como prioridades. A entidade também defendeu maior integração entre agricultura, indústria e energia, considerando o potencial dos biocombustíveis para ampliar o aproveitamento da produção nacional.
O presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, afirmou que o resultado das eleições deve ser respeitado e pediu esforços para superar as disputas políticas. Segundo ele, a recuperação da confiança econômica é necessária para estimular investimentos e favorecer o crescimento do país. A situação financeira dos produtores rurais também foi apresentada como uma preocupação central da associação.
Entre as propostas estão incentivos ao etanol, biodiesel e combustível sustentável de aviação (SAF), com o objetivo de agregar valor aos produtos agrícolas. A Aprosoja-MT também defendeu relações comerciais pragmáticas com China e Estados Unidos. Para a entidade, o fortalecimento dos produtores deve acompanhar a expansão das oportunidades econômicas.
CropLife Brasil defende pesquisa científica, inovação tecnológica e regras estáveis para fortalecer a agricultura
A CropLife Brasil, organização que reúne 53 empresas dos segmentos de sementes, biotecnologia, defensivos químicos e bioinsumos, cumprimentou Lula pela reeleição. A entidade destacou que a continuidade dos investimentos em ciência, pesquisa e desenvolvimento tecnológico é fundamental para preservar a competitividade da agricultura brasileira no mercado global.
A organização também defendeu um ambiente de negócios capaz de atrair investimentos e fortalecer financeiramente os produtores rurais. A modernização da infraestrutura produtiva aparece entre as medidas consideradas necessárias para ampliar a capacidade de desenvolvimento do setor. No campo regulatório, a CropLife pediu regras transparentes, estabilidade normativa e decisões fundamentadas em critérios científicos.
A cooperação técnica internacional e a aproximação regulatória com parceiros comerciais também fazem parte das propostas. A entidade manifestou disposição para colaborar com o governo federal, o Congresso Nacional e outras instituições públicas na formulação de políticas voltadas à inovação agrícola.
Demandas das entidades revelam prioridades econômicas e produtivas para o próximo mandato de Lula
As manifestações de Faesp, Abag, Aprosoja-MT e CropLife mostram que diferentes segmentos do agronegócio compartilham preocupações sobre o ambiente econômico brasileiro. A redução dos custos financeiros, a estabilidade das regras e a criação de condições favoráveis aos investimentos aparecem como pontos de aproximação entre as organizações.
Cada entidade, porém, apresentou prioridades próprias. A Faesp concentrou suas cobranças na condução econômica, enquanto a Abag destacou o planejamento estrutural. A Aprosoja-MT deu atenção aos biocombustíveis e à situação financeira dos agricultores. Já a CropLife priorizou pesquisa, inovação e aperfeiçoamento regulatório.
O conjunto das propostas indica que responsabilidade fiscal, crédito, segurança jurídica e competitividade agrícola estarão entre os temas defendidos pelas entidades no próximo mandato. As organizações também demonstraram interesse em manter canais de diálogo com o governo para discutir medidas voltadas ao desenvolvimento do agronegócio brasileiro.

