Estudantes da Universidade de Eindhoven criaram um carro elétrico que usa carga elétrica para recolher partículas dos pneus enquanto circula, com captura de até 42% em simulações, estrutura leve e orientações para reduzir o desgaste.
Estudantes da Universidade de Tecnologia de Eindhoven desenvolveram o carro elétrico VENTRA para recolher partículas liberadas durante a circulação. O conceito combina coleta perto das rodas, estrutura leve e orientações ao motorista para reduzir o desgaste.
Segundo a Interesting Engineering, em reportagem publicada em 30 de setembro de 2026, o projeto da equipe TU/ecomotive enfrenta uma poluição que continua existindo nos veículos elétricos, mesmo sem emitir gases por um escapamento: aquela provocada pelo desgaste de pneus, freios e pavimento.
Carga elétrica prende as partículas
O mecanismo atua no ar próximo às rodas. Em vez de recorrer a um filtro convencional, aplica carga elétrica às partículas, que passam a ser atraídas por uma superfície coletora aterrada e ficam presas nela.
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Depois da utilização, a limpeza pode ser feita com aspirador ou água. A proposta também inclui reaproveitar o material recolhido, em vez de apenas removê-lo do veículo e descartá-lo.
Na descrição técnica da TU/ecomotive, o sistema recebe o nome T.R.A.C.E. A equipe incorporou partículas capturadas a um revestimento esmaltado do interior, demonstrando uma possibilidade de reutilização com o material encapsulado.
Estrutura mais leve reduz desgaste
Outra frente está no chassi, construído principalmente com painéis termoplásticos reforçados com fibra de carbono. Conforme o comunicado da universidade, publicado em 29 de setembro, a solução reduz o peso em quase 100 quilos.
A relação é direta: um automóvel mais leve exerce menos força sobre os pneus. Com menor desgaste, também diminui a quantidade de partículas produzidas pelo contato com a pista, segundo os responsáveis pelo conceito.
O projeto acrescenta o Clean Drive, que acompanha a condução e apresenta orientações numa tela do painel. Entre elas estão acelerar gradualmente, frear com suavidade e evitar movimentos desnecessários do volante.
Segundo a universidade, esses ajustes ajudam a diminuir o desgaste dos pneus e prolongar a vida útil dos freios. A estratégia reúne prevenção das emissões e coleta do material que ainda é liberado.
Percentuais vêm de simulações
Os resultados apresentados para a captura são computacionais. Entre 50 e 80 quilômetros por hora, as simulações indicam recolhimento de aproximadamente 24% das partículas. Em velocidades menores, o percentual calculado chega a 42%.
Na circulação urbana, ventiladores ajudam a puxar o ar para o coletor, explica a equipe. Os números descrevem o desempenho simulado do sistema; não representam eliminação completa das partículas produzidas pelo automóvel durante o uso.
