A negociação mediada pela Justiça do Trabalho definiu compensação adicional aos dispensados, manutenção temporária de assistência médica, odontológica e vale-alimentação e regras específicas para empregados transferidos ou com estabilidade próxima da aposentadoria, sem reverter o encerramento da unidade.
A Parker Hannifin encerrou a fábrica de Jacareí, no interior de São Paulo, e a disputa trabalhista aberta após o anúncio terminou em acordo mediado pela Justiça do Trabalho, sem reverter a decisão empresarial de fechar a unidade.
O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região informou que, depois de 38 dias de greve, os funcionários aprovaram a negociação concluída em audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15).
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Para os empregados dispensados, o acordo estabeleceu indenização social de R$ 35 mil, além das verbas rescisórias. Também ficaram assegurados plano de saúde, plano odontológico e vale-alimentação por 12 meses, nas condições definidas na mediação.
A decisão de fechar a planta havia sido comunicada em julho deste ano. Na ocasião, a Parker atribuiu a medida a um processo de “otimização operacional” e indicou que o encerramento poderia resultar em desligamentos ou transferências de trabalhadores vinculados à fábrica.
A unidade de Jacareí produzia principalmente válvulas destinadas aos setores agrícola e de máquinas. Quando o fechamento foi anunciado, a entidade sindical estimava que aproximadamente 100 pessoas trabalhavam no local.
Greve e negociação chegaram ao TRT-15
A paralisação começou poucos dias depois do anúncio do encerramento. Os trabalhadores defendiam a manutenção dos empregos e cobravam alternativas para quem seria atingido, entre elas transferências para outras operações da Parker no estado de São Paulo.
Uma das possibilidades reivindicadas envolvia a unidade de São José dos Campos, onde a multinacional mantém atividades. A permanência da empresa no Brasil tornou a transferência de parte dos empregados um dos pontos centrais das negociações conduzidas durante a greve.
O conflito se agravou em agosto deste ano, quando a Parker comunicou a demissão de trabalhadores da fábrica de Jacareí enquanto a paralisação ainda estava em andamento. O sindicato contestou os desligamentos e levou a discussão à Justiça do Trabalho.
Na primeira fase das negociações, a indenização social oferecida aos desligados era de R$ 2 mil. O valor subiu para R$ 20 mil na primeira audiência de mediação e chegou aos R$ 35 mil pactuados na sessão seguinte, conforme informou o sindicato.
A mediação também contou com participação do Ministério Público do Trabalho. O TRT da 15ª Região registrou condições específicas para grupos de trabalhadores que não se enquadravam apenas no desligamento imediato.
Empregados com estabilidade relacionada à proximidade da aposentadoria receberam tratamento próprio dentro da negociação. Também foram estabelecidas regras para funcionários que aceitaram transferência para outra unidade da Parker.
No caso dos transferidos, o acordo prevê proteção adicional se houver dispensa sem justa causa depois do período estabelecido para a transferência provisória. A medida incluiu no acerto trabalhadores que permaneceram vinculados à empresa, e não somente aqueles desligados em Jacareí.
A solução encerrou a greve sem reverter o fechamento da planta. Para os dispensados, o resultado combinou as verbas rescisórias previstas em lei com a indenização social negociada e a manutenção temporária dos três benefícios.
A mobilização também havia chegado à sede da empresa em São José dos Campos, onde trabalhadores mantiveram protestos em defesa dos empregos de Jacareí. Parte dos grevistas instalou um acampamento no local durante o movimento, ampliando a pressão por transferências ou compensações maiores.
Fábrica encerrada tinha raízes nos anos 1970
O encerramento põe fim a uma operação industrial com raízes na década de 1970. A história da fábrica passa pela Schrader Bellows do Brasil, empresa que mantinha atividades em Jacareí antes de a operação ser incorporada à estrutura da Parker.
Em 1985, a Parker adquiriu da Scovill a operação da Schrader Bellows no município e passou a controlar a fabricação de equipamentos pneumáticos. Consideradas as origens da atividade industrial no local, a unidade acumulava quase cinco décadas de presença em Jacareí quando o fechamento foi anunciado.
A Parker Hannifin atua no desenvolvimento de tecnologias de movimento e controle aplicadas a diferentes segmentos econômicos. Seu portfólio atende áreas como indústria, agricultura, transporte, máquinas, energia e setor aeroespacial.
O fechamento da fábrica de Jacareí não corresponde à saída da multinacional do Brasil. A companhia mantém outras operações no país, inclusive em São José dos Campos, circunstância que também sustentou a reivindicação sindical por transferências durante o conflito trabalhista.
Antes da reorganização, informações institucionais da companhia apontavam uma estrutura brasileira formada por centenas de empregados e diversas unidades industriais. O encerramento de Jacareí reduz essa presença fabril, mas não interrompe as atividades da Parker no mercado brasileiro.
Também não há confirmação de que a produção realizada em Jacareí tenha sido transferida integralmente para outro país. Assim, o fechamento da unidade não permite afirmar que a operação brasileira tenha sido deslocada para Estados Unidos, México ou outro mercado.
