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Gigante americana encerra fábrica de quase 50 anos no Brasil, atinge cerca de 100 trabalhadores e, após greve de 38 dias, acordo garante R$ 35 mil extras e benefícios por 12 meses

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 08/09/2026 às 15:24 Atualizado em 08/09/2026 às 15:25
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A negociação mediada pela Justiça do Trabalho definiu compensação adicional aos dispensados, manutenção temporária de assistência médica, odontológica e vale-alimentação e regras específicas para empregados transferidos ou com estabilidade próxima da aposentadoria, sem reverter o encerramento da unidade.

A Parker Hannifin encerrou a fábrica de Jacareí, no interior de São Paulo, e a disputa trabalhista aberta após o anúncio terminou em acordo mediado pela Justiça do Trabalho, sem reverter a decisão empresarial de fechar a unidade.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região informou que, depois de 38 dias de greve, os funcionários aprovaram a negociação concluída em audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15).

Para os empregados dispensados, o acordo estabeleceu indenização social de R$ 35 mil, além das verbas rescisórias. Também ficaram assegurados plano de saúde, plano odontológico e vale-alimentação por 12 meses, nas condições definidas na mediação.

A decisão de fechar a planta havia sido comunicada em julho deste ano. Na ocasião, a Parker atribuiu a medida a um processo de “otimização operacional” e indicou que o encerramento poderia resultar em desligamentos ou transferências de trabalhadores vinculados à fábrica.

A unidade de Jacareí produzia principalmente válvulas destinadas aos setores agrícola e de máquinas. Quando o fechamento foi anunciado, a entidade sindical estimava que aproximadamente 100 pessoas trabalhavam no local.

Greve e negociação chegaram ao TRT-15

A paralisação começou poucos dias depois do anúncio do encerramento. Os trabalhadores defendiam a manutenção dos empregos e cobravam alternativas para quem seria atingido, entre elas transferências para outras operações da Parker no estado de São Paulo.

Uma das possibilidades reivindicadas envolvia a unidade de São José dos Campos, onde a multinacional mantém atividades. A permanência da empresa no Brasil tornou a transferência de parte dos empregados um dos pontos centrais das negociações conduzidas durante a greve.

O conflito se agravou em agosto deste ano, quando a Parker comunicou a demissão de trabalhadores da fábrica de Jacareí enquanto a paralisação ainda estava em andamento. O sindicato contestou os desligamentos e levou a discussão à Justiça do Trabalho.

Na primeira fase das negociações, a indenização social oferecida aos desligados era de R$ 2 mil. O valor subiu para R$ 20 mil na primeira audiência de mediação e chegou aos R$ 35 mil pactuados na sessão seguinte, conforme informou o sindicato.

A mediação também contou com participação do Ministério Público do Trabalho. O TRT da 15ª Região registrou condições específicas para grupos de trabalhadores que não se enquadravam apenas no desligamento imediato.

Empregados com estabilidade relacionada à proximidade da aposentadoria receberam tratamento próprio dentro da negociação. Também foram estabelecidas regras para funcionários que aceitaram transferência para outra unidade da Parker.

No caso dos transferidos, o acordo prevê proteção adicional se houver dispensa sem justa causa depois do período estabelecido para a transferência provisória. A medida incluiu no acerto trabalhadores que permaneceram vinculados à empresa, e não somente aqueles desligados em Jacareí.

A solução encerrou a greve sem reverter o fechamento da planta. Para os dispensados, o resultado combinou as verbas rescisórias previstas em lei com a indenização social negociada e a manutenção temporária dos três benefícios.

A mobilização também havia chegado à sede da empresa em São José dos Campos, onde trabalhadores mantiveram protestos em defesa dos empregos de Jacareí. Parte dos grevistas instalou um acampamento no local durante o movimento, ampliando a pressão por transferências ou compensações maiores.

Fábrica encerrada tinha raízes nos anos 1970

O encerramento põe fim a uma operação industrial com raízes na década de 1970. A história da fábrica passa pela Schrader Bellows do Brasil, empresa que mantinha atividades em Jacareí antes de a operação ser incorporada à estrutura da Parker.

Em 1985, a Parker adquiriu da Scovill a operação da Schrader Bellows no município e passou a controlar a fabricação de equipamentos pneumáticos. Consideradas as origens da atividade industrial no local, a unidade acumulava quase cinco décadas de presença em Jacareí quando o fechamento foi anunciado.

A Parker Hannifin atua no desenvolvimento de tecnologias de movimento e controle aplicadas a diferentes segmentos econômicos. Seu portfólio atende áreas como indústria, agricultura, transporte, máquinas, energia e setor aeroespacial.

O fechamento da fábrica de Jacareí não corresponde à saída da multinacional do Brasil. A companhia mantém outras operações no país, inclusive em São José dos Campos, circunstância que também sustentou a reivindicação sindical por transferências durante o conflito trabalhista.

Antes da reorganização, informações institucionais da companhia apontavam uma estrutura brasileira formada por centenas de empregados e diversas unidades industriais. O encerramento de Jacareí reduz essa presença fabril, mas não interrompe as atividades da Parker no mercado brasileiro.

Também não há confirmação de que a produção realizada em Jacareí tenha sido transferida integralmente para outro país. Assim, o fechamento da unidade não permite afirmar que a operação brasileira tenha sido deslocada para Estados Unidos, México ou outro mercado.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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