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Geólogos descobrem caminho oculto do Rio Colorado que ficou perdido por 5,6 milhões de anos e pode mudar a história sobre como o Grand Canyon nasceu

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 15/05/2026 às 22:08
Atualizado em 15/05/2026 às 22:11
Acima, a vista de um afloramento da bacia de Bidahochi perto do Grand Canyon, local de um antigo leito de lago que antes era mantido cheio pelo Rio Colorado. Crédito: EUA Serviço Nacional de Parques, Domínio Público
Acima, a vista de um afloramento da bacia de Bidahochi perto do Grand Canyon, local de um antigo leito de lago que antes era mantido cheio pelo Rio Colorado. Crédito: EUA Serviço Nacional de Parques, Domínio Público
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Estudo aponta que uma versão antiga do Rio Colorado pode ter terminado na bacia de Bidahochi, onde sedimentos, zircões e fósseis ajudam geólogos a investigar uma rota perdida antes da formação do Grand Canyon atual.

Geólogos apontam que uma versão antiga do Rio Colorado pode ter terminado em um reservatório na bacia de Bidahochi, a leste-sudeste do Grand Canyon, antes de alcançar as ravinas que ajudaria a esculpir.

A hipótese, publicada na revista Science, busca preencher quase cinco milhões de anos. O Colorado já descia das Montanhas Rochosas há pelo menos 11 milhões de anos.

Evidências indicavam que o rio rompeu pelo sistema de cânions há cerca de 5,6 milhões de anos. Antes disso, o destino de suas águas permanecia sem explicação, quando a trilha geológica esfriava no norte do Arizona.

Geólogos rastreiam sedimentos até Bidahochi

John Douglass, geólogo do Paradise Valley Community College, assina o estudo como coautor. Ele trabalhou com pesquisadores do Serviço Geológico dos Estados Unidos e universidades do oeste americano.

A equipe testou as descobertas com fósseis e registros geológicos, concentrando a investigação na Formação Bidahochi. Douglass afirmou que mais de uma dúzia de hipóteses tentou explicar a formação do cânion e o caminho do Rio Colorado.

O grupo acredita que o Rio Colorado inundou a bacia de Bidahochi, hoje em terras da Nação Navajo, antes de transbordar do Planalto do Colorado. O fluxo seguiria para desfiladeiros que formariam o Grand Canyon atual.

Cristais funcionaram como rastreadores

O projeto avançou quando Douglass se encontrou com John He, geólogo da Universidade da Califórnia em Los Angeles, e Emma Heitmann, doutoranda na Universidade de Washington.

Eles estudavam restos do Lago Bidahochi. O corpo d’água nunca foi totalmente explicado, e não há consenso sobre tamanho, rios que o alimentavam ou causas de seu desaparecimento.

A análise se apoiou em zircões, cristais microscópicos e resistentes encontrados em sedimentos de Bidahochi. Como mudam pouco desde sua formação no magma, podem indicar a origem dos sedimentos.

John He comparou os zircões a abóbadas temporais. Pela idade e assinatura geoquímica desses cristais, os pesquisadores avaliaram de onde vinha o material levado pelo antigo Rio Colorado.

A técnica usada foi a geocronologia do zircão detrítico. Ela mede proporções de isótopos de urânio e chumbo em amostras, permitindo estimar idade e origens dos depósitos.

Os resultados compararam zircões Bidahochi com 6,6 milhões de anos a amostras depositadas a montante e a jusante do Rio Colorado. Para a equipe, isso reforça a ligação entre rio e bacia.

Fósseis de peixes reforçam a hipótese

O estudo também recorreu a evidências paleontológicas. Fósseis de peixes da Formação Bidahochi superior tinham características parecidas com espécies modernas adaptadas às corredeiras de rios rápidos do Colorado.

Três espécimes exibiam nadadeiras alargadas e pedúnculos caudais delgados, características observadas em espécies dos gêneros Catostomus e Gila. Esses indícios sustentam a presença de ambientes ligados ao antigo Rio Colorado.

Mesmo assim, a hipótese pode não convencer todos os geólogos. A teoria de uma “megainundação” em Bidahochi é debatida há décadas, e parte da comunidade científica manteve resistência.

John He afirmou que o ecossistema provavelmente mudou com a chegada do Rio Colorado à bacia. Para ele, o cenário pode ser entendido como o nascimento do Rio Colorado atual.

GIZMODO.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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