Aaryan Balani desenvolveu o EYEVA após conviver com estrabismo desde a infância. O dispositivo usa viseira impressa em 3D, câmeras e inteligência artificial para alertar o usuário sobre o desalinhamento ocular
Um aluno de 14 anos de Cerritos criou um dispositivo vestível com inteligência artificial para ajudar pessoas com estrabismo, condição conhecida como olhos cruzados. Desenvolvido após a própria experiência com o problema, o EYEVA detecta o desalinhamento ocular em tempo real e alerta o usuário quando os olhos começam a se separar.
Dispositivo nasceu da experiência pessoal com o estrabismo
Aaryan Balani, aluno da oitava série, desenvolveu o EYEVA depois de conviver desde a infância com o estrabismo. Segundo ele, a condição começou aos cinco anos, após uma queda que causou uma concussão.
Balani contou que bateu a cabeça na quina da pia do banheiro. Depois do acidente, seus olhos começaram a desviar. O problema afetou não apenas sua visão, mas também sua convivência social.
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Ele lembrou comentários que ouvia de outras pessoas, como “você tem um olho quebrado”. A experiência ajudou a motivar a criação de uma solução que aumentasse a percepção do próprio usuário sobre o desalinhamento dos olhos.
A mãe de Balani explicou que, quando o filho está consciente do problema, ele consegue corrigir a posição dos olhos. Quando não percebe, porém, o desalinhamento permanece.

Como funciona o EYEVA
O EYEVA é um dispositivo em formato de viseira, feito com impressão 3D, pequenas câmeras e inteligência artificial. A função do sistema é identificar quando os olhos começam a se separar e emitir um alerta.
Segundo Balani, boa parte do que aparece no equipamento são acessórios. O funcionamento principal está na combinação entre câmeras, estrutura vestível e software treinado para detectar o desvio ocular.
Quando o desalinhamento é identificado, o dispositivo emite um aviso com som e luz. A ideia é chamar a atenção do usuário para que ele perceba o movimento dos olhos e tente corrigir a posição.
Balani explicou que o alerta faz a pessoa pensar que precisa prestar atenção no próprio rosto. O objetivo, portanto, é oferecer uma resposta imediata ao desvio, sem depender de uma correção cirúrgica.
Projeto passou por cinco protótipos e custou cerca de US$ 300
O dispositivo passou por cinco protótipos ao longo de quatro meses até chegar à versão atual. Balani investiu cerca de US$ 300 em peças e dedicou meses a testes, ajustes e cálculos.
A experiência anterior do estudante com inteligência artificial ajudou no desenvolvimento. Na sétima série, ele havia criado um sistema para detectar detritos nas ruas em tempo real, usando imagens de drones e um software próprio.
Esse projeto foi pensado após ele observar varredores de rua limpando vias que pareciam já estar limpas. O sistema treinado por Balani poderia transmitir informações aos departamentos de saneamento.
A mãe dele resumiu a ligação entre os dois projetos ao dizer que, se a tecnologia conseguia detectar folhas, também poderia detectar olhos. A mesma lógica foi adaptada para o EYEVA.
Tecnologia mira ensaios clínicos e passa por patenteamento
Balani afirma que o impacto potencial do EYEVA vai além de sua própria experiência. Segundo ele, o estrabismo não afeta apenas algumas centenas de pessoas, mas cerca de 100 milhões no mundo.
O projeto recebeu o primeiro lugar na feira de ciências. Robin Van Vorhis, da Feira de Ciências e Engenharia do Condado de Orange, afirmou que o trabalho de Balani combina ciência, engenharia e computação.
O estudante disse que profissionais experientes da indústria o incentivaram a continuar desenvolvendo a ideia, afirmando que o produto é viável e funciona bem.
Agora, Balani trabalha com médicos para explorar ensaios clínicos que possam verificar se o uso contínuo do dispositivo ajuda pacientes a corrigirem o estrabismo ao longo do tempo.
A implantação de um ensaio clínico exige etapas regulatórias, incluindo interação com a FDA, cumprimento de diretrizes rigorosas e recrutamento de participantes. O EYEVA também está em processo de patenteamento.
Apesar dos desafios, Balani diz que sua idade não foi um obstáculo. Para outros interessados em inovação, ele afirma que o primeiro passo é começar a trabalhar na ideia, testar sua viabilidade e continuar desenvolvendo o projeto.
Esta matéria foi elaborada com base nas informações fornecidas no material-base sobre Aaryan Balani e o dispositivo EYEVA, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

