Um Fusca com duas frentes e quatro portas chama atenção em Balneário Camboriú após adaptação feita em oficina de Poços de Caldas, com interior simétrico e comandos concentrados em um único lado, segundo os responsáveis pelo projeto.
Fusca Duas Caras em Balneário Camboriú
Um Volkswagen Fusca modificado para exibir duas frentes, quatro portas e um interior duplicado como efeito visual virou atração em Balneário Camboriú (SC).
O carro, apelidado de “Fusca Duas Caras”, pertence a um colecionador que não divulga a identidade e foi construído sob encomenda em Poços de Caldas (MG), segundo a oficina responsável.
O projeto combinou a carroceria de um Fusca 1974 com a estrutura de um segundo veículo usado como doador.
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A construção, de acordo com os responsáveis pela adaptação, levou cerca de oito meses e foi concluída em julho de 2021.
Adaptação com duas dianteiras e simetria visual
A proposta do “Duas Caras” é reproduzir, na extremidade que seria a traseira, a frente do carro, formando um conjunto simétrico visto de fora.
Com isso, o veículo apresenta para-brisa, capô e faróis em ambos os lados, o que costuma gerar dúvidas em quem passa sobre qual seria o sentido de deslocamento.
Em publicações e vídeos na internet, a expressão “Agora a Nasa vem” aparece com frequência em tom de brincadeira para comentar criações incomuns.
No caso deste Fusca, a oficina relata que a transformação exigiu mudanças estruturais e ajustes de comandos para preservar o funcionamento do modelo em apenas um sentido real de condução.
Oficina em Poços de Caldas e projeto sob encomenda
Os detalhes do trabalho foram descritos por David Junio Wiermann, 42, sócio de José de Almeida Wiermann, 72, seu pai, na Wiermann Garage.
Segundo ele, a encomenda surgiu depois que o cliente encontrou um carro semelhante no Brasil e buscou reproduzir a ideia.
“Nosso cliente viu um carro similar no Brasil e fez a encomenda conosco. Meu pai comandou a execução de todo o projeto”, afirmou David, ao explicar como a oficina organizou a construção.
Ele também relatou que a adaptação foi planejada para manter um conjunto mecânico único, sem duplicação de motor ou transmissão.
Cabine “falsa”, comandos reais e interior duplicado
Apesar da aparência de “duas frentes”, apenas um dos lados concentra os comandos necessários para dirigir.
De acordo com David, o carro “anda normalmente em um lado”, enquanto, na outra extremidade, os elementos do cockpit existem apenas como composição visual.
“O carro anda normalmente em um lado, enquanto na outra extremidade do cockpit é tudo falso”, disse ele.

Isso significa que somente a dianteira original tem pedais operacionais, enquanto a outra ponta repete painel, volante e alavanca de câmbio sem função mecânica.
O interior foi montado para reforçar a simetria observada do lado de fora.
Cada dupla de bancos fica voltada para o para-brisa mais próximo, criando a impressão de dois postos de condução.
Além disso, há limpadores em ambas as extremidades, embora a oficina informe que apenas um conjunto é funcional.
Na iluminação, os faróis instalados na extremidade que, no Fusca original, seria a traseira receberam lâmpadas vermelhas.
Segundo a descrição da adaptação, eles passaram a cumprir o papel que, em um carro convencional, seria das lanternas.
Chassi alongado e ajustes de cabos, freios e câmbio
A principal dificuldade técnica relatada pela oficina foi adaptar os sistemas de controle ao novo comprimento do veículo.
Para viabilizar o desenho com duas “dianteiras” e quatro portas, o chassi foi alongado em cerca de 90 centímetros.
Mesmo com a mudança de proporção, motor e transmissão permaneceram na região traseira do conjunto, como no Fusca de fábrica, segundo David.
Com isso, foi necessário estender itens que dependem de cabo, varão ou tubulação para funcionar corretamente.
“Cabos de acelerador, freio de mão e embreagem, além do varão do câmbio e das tubulações de freio, também tiveram de ser alongados”, relatou David ao detalhar a etapa de adaptação.
Na avaliação dele, o objetivo era manter o comportamento do carro dentro do padrão esperado para o modelo.
“Mesmo assim, fizemos o necessário para preservar a dirigibilidade normal”, afirmou, ao dizer que a equipe buscou manter a condução semelhante à de um Fusca convencional no lado realmente operacional.
Documentação, circulação e uso em exposições
Segundo a oficina, a documentação do veículo não foi alterada após as modificações.
David também informou que a adaptação foi feita com foco em exibições, o que, na prática, significa que o projeto não foi apresentado como um carro preparado para circular regularmente em vias públicas com registro atualizado para refletir mudanças estruturais.
Por esse motivo, o “Fusca Duas Caras” tem sido associado a eventos e exposições, onde veículos customizados e clássicos modificados costumam ser apresentados ao público.
A identificação do proprietário, de acordo com o que foi informado pelos envolvidos, permanece em sigilo.
Ainda assim, o carro segue chamando atenção por reunir duas frentes, cabine duplicada como efeito visual e ajustes mecânicos para manter um único sentido real de condução.


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