Celebrado em 20 de janeiro, o Dia Nacional do Fusca destaca duas despedidas industriais, a longa produção brasileira, decisões políticas, impacto cultural e o encerramento definitivo do ícone automobilístico mundial
O Dia Nacional do Fusca, celebrado em 20 de janeiro, marca 30 e 40 anos das duas despedidas do modelo no Brasil, encerradas em 1986 e 1996, datas que ajudam a explicar a dimensão histórica do carro no país.
Produzido em São Bernardo do Campo, em São Paulo, entre 1959 e 1986, o Fusca teve a trajetória mais longa da indústria nacional, atravessando décadas e mudanças profundas no mercado automotivo brasileiro.
Antes disso, as primeiras unidades começaram a ser montadas em regime CKD a partir de 1953, em um galpão no bairro do Ipiranga, na Rua do Manifesto, abrindo caminho para sua consolidação.
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Ascensão e liderança de mercado
Foi nesse período inicial que o Fusca se firmou como o carro mais vendido do Brasil, mantendo desempenho comercial expressivo mesmo com a chegada de modelos mais modernos.
Nem o lançamento do Gol, em 1980, conseguiu reduzir o fôlego das vendas do Fusca, apesar do projeto já ser considerado tecnicamente antiquado.
Ainda assim, a própria Volkswagen decidiu encerrar sua produção nacional em 1986, encerrando a primeira e mais duradoura fase do modelo no país.
Retorno incentivado pelo governo
Sete anos depois, em 1993, o então presidente Itamar Franco defendeu a necessidade de carros econômicos e compactos para o grande público brasileiro.
A política incluiu isenção de impostos para veículos com motores 1.0 e refrigeração a ar, criando o ambiente para o retorno do Fusca.
A Volkswagen retomou a produção do modelo, que permaneceu em linha até 1996, ganhando o apelido “Itamar” em referência direta ao ex-presidente.
Duas despedidas oficiais no Brasil
Com isso, o Fusca se tornou um caso raro, com duas datas oficiais de encerramento de produção no país, em 31 de outubro de 1986 e 10 de julho de 1996.
Em 2026, essas datas completam 40 e 30 anos, respectivamente, reforçando o caráter simbólico do modelo para diferentes gerações de brasileiros.
A segunda despedida, no entanto, não representou o fim definitivo da história do carro no mundo.
Produção mexicana e edição final
No México, o Fusca seguia sendo produzido de forma ininterrupta desde 1967, onde ficou conhecido como Vocho ou Escarabajo.
A despedida definitiva ocorreu apenas em 30 de julho de 2003, com o lançamento da “Última Edición”, limitada a apenas 3 mil unidades.
Desse total, 1,5 mil foram pintadas na cor Harvestmoonbeige e outras 1,5 mil na tonalidade Aquariusblue, tornando-se itens altamente cobiçados.
Hoje, esses exemplares são disputados no mercado internacional de colecionadores, embora várias unidades ainda permaneçam em território mexicano.
Novos capítulos e legado recente
A trajetória do Fusca teve novos desdobramentos em 1997, com o lançamento global do New Beetle, baseado na plataforma do Golf de quarta geração.
O modelo, com proposta mais descolada, permaneceu em linha até 2010, abrindo caminho para o Beetle lançado em 2011, chamado de Novo Fusca no Brasil.
Com motor 2.0 TSI de 211 cv, o modelo acelerava de 0 a 100 km/h em 6,9 segundos, desempenho surpreendente para um carro de visual retrô.
O Novo Fusca saiu de linha em 2019 e não teve substituto, mantendo vivo o legado de um modelo que atravessou décadas, mercados e transformações da indústria.
Com informações de Auto Esporte.

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