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Funcionário de banco cria conta online em nome de cliente que havia morrido meses antes, desvia mais de R$ 385 mil em transferências eletrônicas e acaba condenado a 15 anos de prisão em San Salvador após descoberta do esquema iniciado em agosto de 2021

Publicado em 09/03/2026 às 11:14
Banco, Funcionário
Imagem: Ilustração
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Funcionário de banco é condenado a 15 anos por desviar mais de US$ 73 mil de conta de cliente falecida em esquema de crimes informáticos em El Salvador

O Quarto Tribunal de Sentenciamento de San Salvador condenou a 15 anos de prisão um ex-funcionário bancário que desviou mais de US$ 73 mil da conta de uma cliente falecida por meio de crimes informáticos, esquema descoberto após transferências irregulares realizadas em agosto de 2021.

O Quarto Tribunal de Sentenciamento de San Salvador determinou a condenação de Rony Johansen Caishpal Núñez a 15 anos de prisão após reconhecer sua participação em um esquema de crimes informáticos que resultou no desvio de mais de US$ 73 mil, equivalente a cerca de R$ 385 mil.

A sentença foi divulgada na sexta-feira (27). Segundo o processo, o então funcionário do banco acessou de forma irregular a conta de uma cliente que havia morrido meses antes e transferiu valores para contas vinculadas a ele e à esposa.

Esquema de crimes informáticos utilizou conta de cliente morta

As investigações indicam que o esquema começou em 2 de agosto de 2021. Na ocasião, Caishpal Núñez criou uma conta bancária online em nome de uma cliente que havia falecido em abril daquele mesmo ano.

Com o acesso ao sistema, ele configurou um perfil de transações digitais e passou a transferir valores que estavam aplicados em depósitos a prazo. As operações incluíram o capital e os juros acumulados.

Ao todo, mais de US$ 73 mil foram movimentados por meio das transferências eletrônicas. O dinheiro foi distribuído entre sete contas bancárias diferentes ligadas ao casal.

Valores desviados foram sacados perto da residência do casal

Parte dos recursos desviados foi retirada em caixas eletrônicos localizados nas proximidades da residência dos investigados.

O tribunal considerou as transações e os saques como elementos centrais para comprovar o esquema de crimes informáticos.

Pelos delitos, Caishpal Núñez recebeu penas que totalizam 15 anos de prisão. A condenação inclui oito anos por furto mediante computador, quatro anos por roubo de identidade e três anos por acesso não autorizado a dados informáticos.

A esposa dele, Amalia Doménica Gutiérrez de Caishpal, também foi condenada. Ela recebeu pena de quatro anos de prisão por participação no desvio.

Justiça determina devolução de valores ao banco

Além das penas criminais, a decisão judicial determinou reparações civis relacionadas ao caso. Caishpal Núñez deverá devolver US$ 47.851,58 à instituição financeira afetada.

Já Amalia Doménica Gutiérrez de Caishpal foi responsabilizada pelo pagamento de US$ 25.281. As determinações fazem parte das medidas de restituição ligadas aos crimes informáticos analisados no processo.

Investigação maior apura organização transnacional

O caso ocorre em meio a uma investigação mais ampla conduzida pela Procuradoria-Geral da República de El Salvador sobre crimes informáticos e lavagem de dinheiro.

Em outubro, o órgão informou que 124 integrantes de uma organização transnacional permanecem em prisão preventiva enquanto o processo segue em andamento. Outros 32 suspeitos continuam foragidos.

De acordo com decisão do Segundo Tribunal de Combate ao Crime Organizado de San Salvador, todos os processos relacionados ao grupo serão reunidos em um único caso. A investigação começou em maio de 2025.

As autoridades identificaram o uso de contas bancárias, transferências internacionais e plataformas de criptomoedas para lavar recursos. O volume total movimentado chega a cerca de US$ 6 milhões.

Segundo as autoridades, a rede criminosa reunia 549 pessoas de países como Colômbia, Equador, Venezuela, Guatemala e Honduras. Os suspeitos utilizavam redes sociais e meios digitais para aplicar fraudes e ocultar recursos.

A fase investigativa segue sob sigilo e pode durar até dois anos. A legislação salvadorenha prevê penas de até seis anos de prisão para crimes informáticos que afetem sistemas públicos ou serviços essenciais.

Com informações de O Globo.

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Romário Pereira de Carvalho

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