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Funcionária antiga de uma gigante do peru avisou do diagnóstico, pediu folgas para a quimioterapia, viu as faltas virarem pontos no sistema até ser demitida, e a fábrica agora vai pagar mais de R$ 1 milhão sem admitir uma coisa

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 19/09/2026 às 00:09 Atualizado em 19/09/2026 às 00:10
Assista o vídeoA placa da Butterball em Mount Olive e os valores do acordo com a funcionária demitida.
A placa da Butterball em Mount Olive e os valores do acordo com a funcionária demitida. Foto: Reprodução/WRAL
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Uma funcionária antiga da fábrica da Butterball na Carolina do Norte avisou a empresa do diagnóstico e pediu folgas para fazer quimioterapia. O afastamento nunca foi aprovado, as faltas viraram pontos no sistema e ela acabou demitida. O caso foi parar na Justiça Federal, com o governo contra a fábrica.

A fábrica da Butterball em Mount Olive, na Carolina do Norte, onde a funcionária trabalhava.
A fábrica da Butterball em Mount Olive, na Carolina do Norte, onde a funcionária trabalhava. Foto: Reprodução/WRAL

Uma funcionária de longa data da Butterball, fábrica de processamento de aves em Mount Olive, na Carolina do Norte, contou à empresa que estava com câncer e precisava de folgas intermitentes para fazer quimioterapia e se recuperar, informa a EEOC, a Comissão de Igualdade de Oportunidades no Emprego dos EUA, que anunciou o acordo em setembro de 2026. A Butterball é uma das maiores marcas de peru dos Estados Unidos.

A empresa mandou a funcionária resolver o pedido de folgas para a quimioterapia com uma administradora de benefícios terceirizada, mas o afastamento nunca foi concedido, informa a EEOC. As faltas por causa do tratamento geraram pontos no controle de frequência e ela foi demitida por violar a política de presença da empresa.

Quanto a Butterball vai pagar à funcionária demitida

A Butterball aceitou pagar US$ 230 mil, cerca de R$ 1,1 milhão, para encerrar o processo, anunciou a EEOC em setembro de 2026. Segundo a WRAL, emissora de Raleigh, o dinheiro vai para Marie Marc, a funcionária demitida da fábrica.

A reportagem da WRAL sobre o acordo de US$ 230 mil da Butterball. Vídeo: Reprodução/WRAL

A divisão é esta: cerca de US$ 18 mil em salários atrasados, US$ 135 mil de indenização por danos e US$ 77 mil para pagar os advogados dela, informa a WRAL. No acordo, porém, a Butterball não admite ter cometido nenhuma irregularidade.

As faltas da quimioterapia viraram demissão

As faltas geravam pontos no controle de frequência da fábrica, e foi pela política de presença que ela acabou demitida, segundo a EEOC. Foi assim que as ausências da quimioterapia empurraram Marie Marc para fora da empresa.

A funcionária tentou pelo caminho certo, segundo a WRAL. Ela pediu à administradora de benefícios da Butterball que as faltas fossem justificadas, mas o período de afastamento nunca foi aprovado. O tratamento virou, no sistema da fábrica, apenas faltas acumuladas.

A EEOC tentou acordo antes de ir à Justiça

A EEOC informou a Butterball sobre as conclusões da investigação em 2025 e tentou um acordo sem processo, mas as conversas fracassaram, segundo a WRAL. Então a agência entrou com a ação federal contra a empresa.

No comunicado oficial, a EEOC diz que a funcionária informou o diagnóstico de câncer e que a Butterball vai pagar US$ 230 mil.
No comunicado oficial, a EEOC diz que a funcionária informou o diagnóstico de câncer e que a Butterball vai pagar US$ 230 mil. Foto: Reprodução/EEOC

O processo, EEOC contra Butterball, número 5:26-cv-00202-FL, tramitou no Tribunal Distrital dos EUA para o Leste da Carolina do Norte, informa a EEOC. A agência acusou a fábrica de violar a Lei dos Americanos com Deficiência, a ADA.

Em julho, a fábrica negava tudo

Em julho de 2026, a Butterball respondeu à ação negando qualquer irregularidade, segundo a WRAL. Em setembro de 2026, as duas partes fecharam o acordo para evitar “o peso, o custo ou a demora” de continuar o processo.

A WRAL procurou a empresa para comentar o caso, mas não teve resposta até a publicação. A Butterball segue sem admitir culpa pela demissão na quimioterapia, mesmo pagando os US$ 230 mil.

“Uma empresa não pode terceirizar essa responsabilidade”

A EEOC deixou um recado para todas as empresas que usam administradoras de benefícios. “Os empregadores que contratam administradores terceirizados de benefícios precisam garantir que existam políticas e procedimentos eficazes”, disse Melinda C. Dugas, procuradora regional da EEOC em Charlotte.

“Um empregador não pode delegar a sua responsabilidade de cumprir a ADA”, completou Dugas, segundo a EEOC. Ou seja: jogar o pedido para uma empresa terceirizada não livrou a fábrica da culpa.

O que a lei americana exige

A ADA obriga os empregadores a oferecer adaptações razoáveis para pessoas com deficiência qualificadas para o trabalho, a não ser que isso cause um ônus excessivo, e proíbe discriminação por deficiência, explica a EEOC. No caso, a adaptação pedida eram as folgas para a quimioterapia.

“A lei federal garante às pessoas com deficiência uma oportunidade igual de trabalhar”, disse Samuel Williams, advogado da EEOC em Charlotte. A agência afirmou que vai continuar cobrando empresas que desrespeitam esses direitos.

O que muda dentro da fábrica

Além do dinheiro pelo caso da quimioterapia, a Butterball assinou um acordo judicial de dois anos, segundo a EEOC. A empresa terá que criar regras eficazes para receber e analisar pedidos de adaptação e treinar as equipes de recursos humanos e de benefícios sobre a ADA.

Entrada da fábrica da Butterball, que terá dois anos de acompanhamento do governo americano.
Entrada da fábrica da Butterball, que terá dois anos de acompanhamento do governo americano. Foto: Reprodução/WRAL

A fábrica também terá que entregar as regras de afastamento em inglês, espanhol e crioulo haitiano, indicar uma pessoa para ajudar os funcionários com a administradora terceirizada e mandar relatórios periódicos à EEOC. A indústria vai ficar sob vigilância do governo americano pelos próximos dois anos.

A reação nas redes: “Nunca mais compro nada deles”

O caso da funcionária demitida na quimioterapia revoltou leitores nas redes sociais. No Threads, onde o jornal Charlotte Observer publicou o caso, um usuário escreveu: “Que canalhas, Butterball! Demitir uma mulher porque ela pediu para faltar para fazer quimio contra câncer de mama!”.

Comentário no Threads chama a Butterball de canalha por demitir a funcionária em quimioterapia.
Comentário no Threads chama a Butterball de canalha por demitir a funcionária em quimioterapia. Foto: Reprodução/Threads

Outro comentário sobre a notícia da WRAL foi direto: “Nunca mais vou comprar nada deles”. Houve também quem lembrasse que a Butterball fechou o acordo sem admitir culpa.

E no Brasil, a empresa pode demitir quem está em tratamento?

No Brasil, a Súmula 443 do Tribunal Superior do Trabalho presume discriminatória a demissão de empregado com doença grave que cause estigma ou preconceito. Quando a Justiça do Trabalho reconhece a discriminação, a demissão pode ser anulada e o trabalhador, reintegrado.

O próprio TST já condenou empresa por dispensar empregada logo depois do retorno do tratamento de câncer. Quem tem câncer também pode sacar o FGTS, direito previsto na lei do fundo para o trabalhador com neoplasia maligna.

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Butterball paga R$ 1,1 milhão por demitir funcionária em quimioterapia

A Butterball vai pagar US$ 230 mil, cerca de R$ 1,1 milhão, à funcionária demitida da fábrica de Mount Olive, na Carolina do Norte, depois de faltar ao trabalho para fazer quimioterapia contra um câncer de mama, segundo a EEOC e a WRAL. A empresa não admitiu irregularidade e terá dois anos de acompanhamento do governo americano.

O Tribunal Superior do Trabalho explica se o tratamento contra o câncer dá direito a estabilidade no emprego:

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Na sua opinião, a Butterball deveria ter sido obrigada a admitir a culpa, ou o acordo milionário já é punição suficiente? Deixe sua opinião nos comentários.

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Bruno Teles

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