Uma funcionária antiga da fábrica da Butterball na Carolina do Norte avisou a empresa do diagnóstico e pediu folgas para fazer quimioterapia. O afastamento nunca foi aprovado, as faltas viraram pontos no sistema e ela acabou demitida. O caso foi parar na Justiça Federal, com o governo contra a fábrica.

Uma funcionária de longa data da Butterball, fábrica de processamento de aves em Mount Olive, na Carolina do Norte, contou à empresa que estava com câncer e precisava de folgas intermitentes para fazer quimioterapia e se recuperar, informa a EEOC, a Comissão de Igualdade de Oportunidades no Emprego dos EUA, que anunciou o acordo em setembro de 2026. A Butterball é uma das maiores marcas de peru dos Estados Unidos.
A empresa mandou a funcionária resolver o pedido de folgas para a quimioterapia com uma administradora de benefícios terceirizada, mas o afastamento nunca foi concedido, informa a EEOC. As faltas por causa do tratamento geraram pontos no controle de frequência e ela foi demitida por violar a política de presença da empresa.
Quanto a Butterball vai pagar à funcionária demitida
A Butterball aceitou pagar US$ 230 mil, cerca de R$ 1,1 milhão, para encerrar o processo, anunciou a EEOC em setembro de 2026. Segundo a WRAL, emissora de Raleigh, o dinheiro vai para Marie Marc, a funcionária demitida da fábrica.
-
Havan apresenta “funcionário” que encara escala 7×0, trabalha 12 horas por dia, não tira folga e chega a 84 horas semanais enquanto Brasil debate fim da 6×1
-
Ivan Trajkovski afirmou que o direito ao home office 2 dias por semana obrigaria empresas a rever onde contratam, colocaria até 30% das vagas remotas de Victoria em risco e poderia levar empregos para países mais baratos, em alerta feito enquanto o projeto avança no Parlamento australiano
-
Motorista percebe vazamento no sistema de freios durante rota de mais de 2.500 km, avisa a empresa, afirma ter recebido ordem para seguir viagem com a carreta carregada e TST determina indenização de R$ 10 mil
-
Trabalhador bate a cabeça em empilhadeira, fica afastado por 60 dias e, após ser dispensado sem justa causa, consegue na Justiça estabilidade acidentária e indenização correspondente a até 12 meses de remuneração
A divisão é esta: cerca de US$ 18 mil em salários atrasados, US$ 135 mil de indenização por danos e US$ 77 mil para pagar os advogados dela, informa a WRAL. No acordo, porém, a Butterball não admite ter cometido nenhuma irregularidade.
As faltas da quimioterapia viraram demissão
As faltas geravam pontos no controle de frequência da fábrica, e foi pela política de presença que ela acabou demitida, segundo a EEOC. Foi assim que as ausências da quimioterapia empurraram Marie Marc para fora da empresa.
A funcionária tentou pelo caminho certo, segundo a WRAL. Ela pediu à administradora de benefícios da Butterball que as faltas fossem justificadas, mas o período de afastamento nunca foi aprovado. O tratamento virou, no sistema da fábrica, apenas faltas acumuladas.
A EEOC tentou acordo antes de ir à Justiça
A EEOC informou a Butterball sobre as conclusões da investigação em 2025 e tentou um acordo sem processo, mas as conversas fracassaram, segundo a WRAL. Então a agência entrou com a ação federal contra a empresa.

O processo, EEOC contra Butterball, número 5:26-cv-00202-FL, tramitou no Tribunal Distrital dos EUA para o Leste da Carolina do Norte, informa a EEOC. A agência acusou a fábrica de violar a Lei dos Americanos com Deficiência, a ADA.
Em julho, a fábrica negava tudo
Em julho de 2026, a Butterball respondeu à ação negando qualquer irregularidade, segundo a WRAL. Em setembro de 2026, as duas partes fecharam o acordo para evitar “o peso, o custo ou a demora” de continuar o processo.
A WRAL procurou a empresa para comentar o caso, mas não teve resposta até a publicação. A Butterball segue sem admitir culpa pela demissão na quimioterapia, mesmo pagando os US$ 230 mil.
“Uma empresa não pode terceirizar essa responsabilidade”
A EEOC deixou um recado para todas as empresas que usam administradoras de benefícios. “Os empregadores que contratam administradores terceirizados de benefícios precisam garantir que existam políticas e procedimentos eficazes”, disse Melinda C. Dugas, procuradora regional da EEOC em Charlotte.
“Um empregador não pode delegar a sua responsabilidade de cumprir a ADA”, completou Dugas, segundo a EEOC. Ou seja: jogar o pedido para uma empresa terceirizada não livrou a fábrica da culpa.
O que a lei americana exige
A ADA obriga os empregadores a oferecer adaptações razoáveis para pessoas com deficiência qualificadas para o trabalho, a não ser que isso cause um ônus excessivo, e proíbe discriminação por deficiência, explica a EEOC. No caso, a adaptação pedida eram as folgas para a quimioterapia.
“A lei federal garante às pessoas com deficiência uma oportunidade igual de trabalhar”, disse Samuel Williams, advogado da EEOC em Charlotte. A agência afirmou que vai continuar cobrando empresas que desrespeitam esses direitos.
O que muda dentro da fábrica
Além do dinheiro pelo caso da quimioterapia, a Butterball assinou um acordo judicial de dois anos, segundo a EEOC. A empresa terá que criar regras eficazes para receber e analisar pedidos de adaptação e treinar as equipes de recursos humanos e de benefícios sobre a ADA.

A fábrica também terá que entregar as regras de afastamento em inglês, espanhol e crioulo haitiano, indicar uma pessoa para ajudar os funcionários com a administradora terceirizada e mandar relatórios periódicos à EEOC. A indústria vai ficar sob vigilância do governo americano pelos próximos dois anos.
A reação nas redes: “Nunca mais compro nada deles”
O caso da funcionária demitida na quimioterapia revoltou leitores nas redes sociais. No Threads, onde o jornal Charlotte Observer publicou o caso, um usuário escreveu: “Que canalhas, Butterball! Demitir uma mulher porque ela pediu para faltar para fazer quimio contra câncer de mama!”.

Outro comentário sobre a notícia da WRAL foi direto: “Nunca mais vou comprar nada deles”. Houve também quem lembrasse que a Butterball fechou o acordo sem admitir culpa.
E no Brasil, a empresa pode demitir quem está em tratamento?
No Brasil, a Súmula 443 do Tribunal Superior do Trabalho presume discriminatória a demissão de empregado com doença grave que cause estigma ou preconceito. Quando a Justiça do Trabalho reconhece a discriminação, a demissão pode ser anulada e o trabalhador, reintegrado.
O próprio TST já condenou empresa por dispensar empregada logo depois do retorno do tratamento de câncer. Quem tem câncer também pode sacar o FGTS, direito previsto na lei do fundo para o trabalhador com neoplasia maligna.
Butterball paga R$ 1,1 milhão por demitir funcionária em quimioterapia
A Butterball vai pagar US$ 230 mil, cerca de R$ 1,1 milhão, à funcionária demitida da fábrica de Mount Olive, na Carolina do Norte, depois de faltar ao trabalho para fazer quimioterapia contra um câncer de mama, segundo a EEOC e a WRAL. A empresa não admitiu irregularidade e terá dois anos de acompanhamento do governo americano.
O Tribunal Superior do Trabalho explica se o tratamento contra o câncer dá direito a estabilidade no emprego:
Na sua opinião, a Butterball deveria ter sido obrigada a admitir a culpa, ou o acordo milionário já é punição suficiente? Deixe sua opinião nos comentários.

