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Grupo encontra um dos maiores tesouros da humanidade: após séculos sob o Mediterrâneo, arqueólogos içam blocos de até 80 toneladas a quase 10 metros de profundidade e iniciam uma reconstrução digital inédita

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 13/09/2026 às 18:48 Atualizado em 13/09/2026 às 20:08
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O projeto PHAROS combina arqueologia subaquática, fotogrametria e modelagem tridimensional para estudar as ruínas do Farol de Alexandria. A reconstrução é virtual e permite testar a posição de elementos monumentais sem submeter peças de dezenas de toneladas a movimentações sucessivas.

Vinte e dois grandes blocos associados ao Farol de Alexandria, no Egito, foram retirados do Mediterrâneo em uma campanha arqueológica realizada em 2025. Coordenada pela arqueóloga e arquiteta Isabelle Hairy, a operação alcançou peças que permaneciam em uma área submersa entre 5 e 10 metros de profundidade.

O trabalho faz parte do projeto PHAROS, do Centre d’Études Alexandrines (CEAlex), desenvolvido com apoio da Fundação Dassault Systèmes. A iniciativa reúne vestígios arqueológicos, registros históricos e modelos digitais para investigar como a estrutura foi concebida e organizada.

As ruínas submersas não foram localizadas pela primeira vez nessa campanha. O CEAlex estuda o conjunto desde 1994 e incorporou ferramentas digitais ao trabalho a partir de 2009, criando uma base de documentação que agora recebe os grandes elementos retirados do fundo do mar.

Peças de até 80 toneladas ajudam a reconstruir a entrada

Entre os componentes recuperados estão lintéis, montantes da porta monumental, o limiar da entrada e grandes lajes relacionadas à base. Partes desse conjunto chegam à faixa de 70 a 80 toneladas, o que exigiu manobras específicas para içar as pedras e preservar suas superfícies para análise.

Projeto PHAROS retira 22 blocos do Farol de Alexandria do Mediterrâneo e usa reconstrução digital para estudar ruínas de até 80 toneladas.
Projeto PHAROS retira 22 blocos do Farol de Alexandria do Mediterrâneo e usa reconstrução digital para estudar ruínas de até 80 toneladas.

A campanha também retirou componentes de um monumento que ainda não havia sido identificado no conjunto arqueológico: um pilono com porta de estilo egípcio e técnica helenística. As peças acrescentam elementos materiais para investigar a configuração da entrada e de estruturas associadas ao farol.

Dimensões, superfícies e pontos de contato dessas pedras fornecem referências que podem ser comparadas aos demais vestígios. Em vez de depender apenas de representações históricas, a equipe consegue trabalhar com medidas obtidas diretamente de componentes arquitetônicos preservados durante séculos sob as águas.

Depois do içamento, os blocos passam por fotogrametria, técnica baseada em fotografias feitas de diversos ângulos para gerar modelos tridimensionais mensuráveis. No ambiente digital, os pesquisadores podem examinar proporções e testar possíveis encaixes sem deslocar repetidamente peças que pesam dezenas de toneladas.

A documentação não começou com os 22 elementos recuperados em 2025. Mais de uma centena de componentes arquitetônicos já havia sido digitalizada debaixo d’água, formando um conjunto de modelos que pode ser comparado às novas peças incorporadas ao projeto.

Modelo 3D permite testar hipóteses sobre o farol

O PHAROS relaciona os levantamentos arqueológicos a descrições e representações históricas da construção. A modelagem serve para testar hipóteses sobre geometria, materiais, espaços internos, aberturas e posição dos elementos, usando os vestígios físicos como referência para avaliar diferentes configurações.

Projeto PHAROS retira 22 blocos do Farol de Alexandria do Mediterrâneo e usa reconstrução digital para estudar ruínas de até 80 toneladas.
Projeto PHAROS retira 22 blocos do Farol de Alexandria do Mediterrâneo e usa reconstrução digital para estudar ruínas de até 80 toneladas.

Esse processo é necessário porque o Farol de Alexandria não chegou preservado ao presente como uma estrutura completa. Erguido na antiga ilha de Faros, diante da cidade, o monumento orientou embarcações que navegavam pelo Mediterrâneo e acabou profundamente danificado após sucessivos eventos sísmicos na região.

O CEAlex registra danos severos no início do século XIV, quando o farol deixou de funcionar. Partes da construção foram posteriormente reaproveitadas em terra, enquanto componentes mais pesados permaneceram submersos diante da costa e passaram a integrar o sítio arqueológico estudado nas últimas décadas.

A presença dessas peças sob a água explica por que a investigação combina mergulho, levantamento arquitetônico e recursos digitais. Para propor a posição original de um bloco, os pesquisadores precisam relacionar seu formato, suas dimensões, o material empregado e o ponto em que ele foi encontrado.

No computador, diferentes possibilidades podem ser comparadas antes que uma configuração seja adotada como hipótese de trabalho. O procedimento reduz a necessidade de manipular fisicamente os elementos monumentais e permite confrontar cada proposta com outras pedras já documentadas e com os registros históricos disponíveis.

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A reconstrução virtual também ajuda a reunir peças hoje dispersas entre o fundo do Mediterrâneo e áreas em terra. Fragmentos da antiga construção foram reaproveitados ao longo dos séculos, enquanto outros permaneceram no sítio submerso, preservando informações arquitetônicas que não podem mais ser observadas em uma torre intacta.

Esse conjunto torna o projeto diferente de uma tentativa de simplesmente produzir uma imagem visualmente convincente do monumento. A equipe usa os modelos tridimensionais como instrumentos de pesquisa, nos quais posições e proporções podem ser alteradas à medida que os vestígios fornecem novas evidências.

O içamento realizado em 2025 acrescentou ao acervo digital elementos de grande porte que antes só podiam ser estudados em sua posição submersa. Agora, essas peças podem ser documentadas com mais detalhe e comparadas diretamente aos componentes que já haviam sido registrados pela equipe.

Sob coordenação de Hairy, o projeto reúne arqueologia, arquitetura, análise histórica e modelagem, além da colaboração de engenheiros ligados à Fundação Dassault Systèmes. O objetivo declarado do PHAROS é produzir um modelo científico que represente tanto a arquitetura externa quanto a organização interna do Farol de Alexandria.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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