Projetado com soluções passivas de ventilação e água, o novo estádio de futebol do Fukushima United FC será feito de madeira e erguido por moradores locais.
Sistemas de captação de água da chuva e mecanismos de ventilação totalmente natural formam a base tecnológica do novo estádio de futebol projetado para a província de Fukushima, no Japão.
Criado pelo escritório de arquitetura VUILD, o projeto foi estruturado para responder diretamente às variações climáticas da região por meio de soluções de energia passiva, dispensando os gastos energéticos abusivos das arenas convencionais.
A proposta eco-consciente foi apresentada ao mundo durante a Bienal de Arquitetura de Veneza e rapidamente chamou atenção pelo simbolismo.
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Mais do que um projeto arquitetônico, ela funciona como uma demonstração de como o Japão pretende transformar tragédias do passado em soluções sustentáveis para o futuro, após anos lidando com os impactos de tsunamis e do desastre nuclear que marcou o país.
Soluções ecológicas do novo estádio de futebol
O objetivo dos engenheiros foi criar uma estrutura que trabalhasse em harmonia com o meio ambiente, reduzindo drasticamente a pegada de carbono desde a escolha dos materiais até a manutenção pós-obra.

A engenharia do complexo baseia-se em quatro pilares sustentáveis principais:
- Autonomia hídrica: Estruturas desenhadas para coletar, filtrar e armazenar a água proveniente das chuvas.
- Climatização passiva: Aberturas estratégicas que aproveitam as correntes de ar locais para resfriar as arquibancadas.
- Matéria-prima renovável: Utilização exclusiva de madeira reciclada e de árvores extraídas de florestas nos arredores.
- Isolamento térmico: Uso de madeira laminada colada de alta tecnologia para manter o conforto interno.
Resgate histórico e inspiração nos tulou chineses
O visual do novo estádio de futebol quebra a estética fria das arenas modernas de concreto de 100 mil lugares ao adotar o desenho de uma casa de dois andares.
A volumetria foi inspirada nos tulou de Fujian, construções circulares surgidas no século XII na zona rural da China que funcionavam como anfiteatros feitos com recursos naturais.

Além disso, o telhado presta uma homenagem direta ao vilarejo isolado de Ouchi-juku, em Fukushima, reproduzindo o estilo das moradias tradicionais daquela comunidade.
Portanto, o espaço assume uma escala humana e muito mais intimista, com capacidade limitada para receber apenas 5 mil espectadores por evento.
Essa redução no tamanho permite que a edificação se misture de forma orgânica com a paisagem do entorno, valorizando o patrimônio e a memória do local.
Construção participativa e montagem comunitária
A execução do projeto também inova ao descartar o modelo tradicional de contratação de grandes empreiteiras isoladas.
O estúdio VUILD planejou uma obra onde os componentes de madeira serão encaixados e montados pelos próprios torcedores e moradores da região.
Esse processo de construção participativa resgata o conceito do trabalho coletivo ancestral japonês.

Dessa forma, o projeto consolida as seguintes metas sociais e técnicas:
- Engajamento direto da população de Fukushima na recuperação da sua própria região;
- Valorização do artesanato de madeira combinado com maquinário de corte de alta precisão;
- Criação de um sentimento de pertencimento onde a comunidade é dona real do espaço;
- Estímulo à economia circular através do uso de fornecedores de madeira locais.
Com isso, o projeto japonês acaba mudando a forma como muita gente enxerga a arquitetura esportiva.
Em vez de apostar apenas em arenas gigantescas, cheias de tecnologia e telões de 360 graus, o escritório VUILD mostra que também é possível criar espaços modernos valorizando a simplicidade, o trabalho coletivo, a história local e o uso consciente dos recursos naturais.
Com informações da Casa Vogue

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