Análise de mais de 100 fósseis da Spriggina floundersi indica que o pequeno animal marinho possuía preferência pelo lado direito há mais de meio bilhão de anos.
Uma descoberta paleontológica revelou que a preferência por um lado do corpo pode ser muito mais antiga do que se imaginava.
A Spriggina floundersi, criatura marinha que viveu há aproximadamente 550 milhões de anos, apresentava uma tendência de se curvar para a direita.
Pesquisadores apontam que essa característica pode representar o registro mais antigo conhecido de lateralidade comportamental entre animais.
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A conclusão foi apresentada em um estudo publicado em 9 de julho de 2026, na revista científica Scientific Reports.
Mais de 100 fósseis foram analisados durante a pesquisa, que identificou padrões relacionados ao movimento da espécie.
Criatura viveu durante o Período Ediacarano
A Spriggina habitou os oceanos durante o Período Ediacarano, ocorrido entre aproximadamente 635 milhões e 538 milhões de anos atrás.
Esse intervalo antecedeu o surgimento de diversos grupos animais mais complexos conhecidos atualmente.
Os fósseis da espécie foram encontrados no sul da Austrália, em antigas camadas que preservaram organismos marinhos.
A criatura possuía corpo achatado, alongado e dividido em vários segmentos.
Os exemplares encontrados mediam, geralmente, entre dois e três centímetros.
Alguns fósseis, porém, indicam que a espécie poderia alcançar aproximadamente dez centímetros.
Uma das extremidades apresentava formato curvo e foi interpretada como uma possível estrutura semelhante a uma cabeça primitiva.
Mais de 100 fósseis foram examinados
A pesquisa foi liderada por Scott Evans, do Museu Americano de História Natural.
Os cientistas examinaram mais de 100 exemplares preservados em rochas e coleções paleontológicas.
Alguns fósseis apresentavam corpos retos. Outros estavam curvados em diferentes direções.
A análise revelou aproximadamente duas vezes mais impressões voltadas para a esquerda nas rochas.
Esse detalhe precisa ser interpretado de maneira invertida.
A fossilização preservou a impressão do organismo, indicando que o corpo provavelmente estava dobrado para a direita.
Os pesquisadores concluíram, dessa forma, que a Spriggina possuía uma preferência recorrente pelo lado direito.
Cientistas descartaram ação de ondas e tempestades
A equipe precisou confirmar que a curvatura não havia sido provocada pelo ambiente.
Ondas, tempestades ou correntes marinhas poderiam ter deslocado os corpos antes da fossilização.
Os pesquisadores examinaram camadas que cobriam dezenas de metros quadrados.
Centenas de fósseis estavam distribuídos nessas áreas e apontavam para direções variadas.
Uma ação provocada pela água provavelmente teria orientado os corpos de maneira semelhante.
Os exemplares, no entanto, apresentavam diferentes sentidos e níveis de curvatura.
O resultado indicou que os fósseis registraram momentos distintos do movimento dos animais enquanto estavam vivos.
Preferência pelo lado direito sugere controle muscular
A lateralidade está relacionada à preferência por determinado lado do corpo.
O exemplo mais conhecido entre os seres humanos envolve o uso predominante da mão direita ou esquerda.
Esse comportamento também pode ser observado em primatas, ratos, sapos e insetos.
A tendência apresentada pela Spriggina sugere que o animal possuía músculos controlados de maneira coordenada.
Os cientistas acreditam que algum tipo de sistema nervoso estaria envolvido nesse movimento.
A espécie não tinha mãos ou pés. A expressão “destro”, portanto, funciona apenas como uma comparação.
Descoberta amplia conhecimento sobre os primeiros animais
Durante décadas, cientistas discutiram se a Spriggina realmente conseguia se movimentar.
Parte das dúvidas envolvia a possibilidade de os fósseis terem sido deformados após a morte.
A nova análise reforça que a espécie era capaz de controlar o próprio corpo.
O comportamento demonstra que formas primitivas de lateralidade já existiam há mais de meio bilhão de anos.
Uma simples marca preservada na rocha revelou informações sobre movimento, musculatura e evolução do sistema nervoso.
A pequena criatura marinha pode representar, assim, o primeiro animal conhecido com um lado favorito para se movimentar.
Você imaginava que a preferência por um lado do corpo poderia existir há 550 milhões de anos? Deixe sua opinião!
