A deficiência de vitamina B12 atinge cerca de 15% dos idosos acima de 65 anos, destrói a proteção dos nervos em silêncio e muitas vezes só é descoberta quando o formigamento já virou perda de sensibilidade permanente nas mãos e nos pés.
Todo mundo já sacudiu a mão depois de acordar com aquela dormência nos dedos. Normal, posição errada, circulação apertada, passa em dois minutos. Só que quando o formigamento aparece todo dia, em qualquer posição, de manhã e de noite, e começa a vir acompanhado de um cansaço que café nenhum resolve, o corpo não está reclamando de postura. Está reclamando de fome. De uma fome específica que a maioria das pessoas nem sabe que existe.
A vitamina B12 é a responsável por manter intacta a bainha de mielina, a camada que reveste e protege cada nervo do corpo humano. Quando ela cai, os nervos começam a se deteriorar sem dar nenhum sinal dramático. Só o formigamento. Só o cansaço. Só a memória falhando. E quando a pessoa finalmente vai investigar, o estrago pode já estar feito.
Por que a B12 é tão importante para os nervos?
A bainha de mielina funciona como a capa de borracha que envolve um fio elétrico. Sem essa proteção, o sinal que sai do cérebro e precisa chegar até a ponta dos dedos começa a se perder no caminho. O resultado é formigamento, dormência, sensação de agulhadas e até queimação nas mãos e nos pés.
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E o pior: como a B12 é armazenada em grandes quantidades no organismo, os estoques podem levar de 3 a 5 anos para acabar. Isso significa que quando o formigamento aparece, o problema já vem de longe.
E aqui é onde a coisa fica séria.
O que acontece com quem demora para investigar?
Os danos nos nervos podem se tornar irreversíveis. O Manual MSD alerta que a deficiência grave de vitamina B12 causa perda de reflexos, dificuldade para andar, confusão mental e até demência.
Uma meta-análise publicada no European Journal of Neurology analisou 46 estudos observacionais e 7 estudos de intervenção e concluiu que pacientes com neuropatia periférica apresentaram níveis de B12 significativamente mais baixos.
Os pesquisadores foram diretos: qualquer pessoa com sintomas de neuropatia deve investigar a deficiência antes de qualquer outra coisa.
Mas o formigamento não é o único sinal.
Quais outros sintomas acompanham a falta de B12?
O corpo vai soltando alertas em camadas. Primeiro vem o cansaço crônico que não melhora com descanso. Depois surgem alterações de humor, dificuldade de concentração e falhas de memória que a pessoa atribui ao estresse. A pele pode escurecer em áreas como mãos e articulações. Rachaduras nos cantos da boca aparecem sem explicação. A língua fica sensível e avermelhada.
Quando tudo isso vem junto com o formigamento nas mãos, o quadro aponta com força para a deficiência de B12.
Quem corre mais risco de estar com B12 baixa?
Vegetarianos e veganos que não suplementam estão no topo da lista, porque a B12 vem quase exclusivamente de alimentos de origem animal. Idosos acima de 65 anos também, já que cerca de 15% das pessoas nessa faixa etária já apresentam evidência laboratorial de deficiência, segundo dados do Manual MSD.
Quem toma omeprazol, pantoprazol ou metformina por tempo prolongado precisa ficar atento: esses medicamentos atrapalham a absorção da vitamina. E quem passou por cirurgia bariátrica tem o sistema digestivo alterado de um jeito que dificulta ainda mais a captação da B12.
Como confirmar se o formigamento é falta de B12?
Um exame de sangue simples resolve. A dosagem de vitamina B12 no sangue mostra se os níveis estão adequados. Em alguns casos, o médico pede também a dosagem de homocisteína e ácido metilmalônico, dois marcadores que sobem quando a B12 está baixa, mesmo que o resultado principal pareça dentro da faixa normal.
O tratamento varia: pode ser ajuste na alimentação com carnes vermelhas, fígado, salmão, atum, ovos e laticínios, ou suplementação com comprimidos e injeções de metilcobalamina quando a dieta não dá conta.
O formigamento nas mãos não é frescura, não é celular demais e quase nunca é só postura. Pode ser o corpo implorando pela vitamina que mantém cada nervo funcionando, e quanto mais tempo você ignora, menos chances tem de voltar atrás.
Com informações de Tua Saúde, Manual MSD e European Journal of Neurology.
