Florianópolis aparece com dezenas de hectares sob risco de deslizamento, inundações, alagamentos e enxurradas, concentra pontos críticos em bairros como José Mendes e João Paulo e acende alerta para soluções urgentes de adaptação urbana e contenção de riscos climáticos.
Florianópolis tem quase 54 hectares de áreas com risco de deslizamento, extensão equivalente a 14 vezes o tamanho do Parque da Luz, segundo levantamento da plataforma Natureza ON. O estudo também identificou mais de 28 hectares da capital catarinense sujeitos a inundações, alagamentos e enxurradas, o que amplia o sinal de alerta sobre a vulnerabilidade urbana da cidade diante de eventos climáticos extremos.
O dado chama atenção pelo tamanho da área exposta e pelo grau de criticidade apontado na análise. Do total de 53,88 hectares com probabilidade de deslizamento em Florianópolis, 56% estão classificados como de risco muito alto, 39% como alto e 5% como médio. O levantamento ainda mostra que o bairro José Mendes aparece como o local mais afetado pelo risco de deslizamento, enquanto o João Paulo surge entre os pontos com mais focos de risco para inundações, alagamentos e enxurradas.
O que o levantamento revela sobre as áreas de risco em Florianópolis
A análise mostra que Florianópolis convive com duas frentes importantes de vulnerabilidade. A primeira envolve os deslizamentos, que atingem quase 54 hectares da cidade. A segunda reúne mais de 28 hectares suscetíveis a eventos como inundações, alagamentos e enxurradas.
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Esse retrato ganha ainda mais peso porque parte expressiva da área mapeada para deslizamento está nos níveis mais graves de classificação. Na prática, isso significa que Florianópolis não enfrenta apenas ocorrências pontuais, mas uma concentração relevante de territórios com risco elevado ou muito elevado.
Os números que explicam o tamanho do problema

Os 53,88 hectares com probabilidade de deslizamento representam cerca de 4,5% do território continental de Florianópolis. Quando essa dimensão é comparada ao Parque da Luz, o resultado se torna mais visual e impactante: a área vulnerável equivale a 14 parques do mesmo porte.
A classificação de risco também ajuda a entender a gravidade do cenário. Mais da metade da área mapeada, 56%, está em nível muito alto. Outros 39% aparecem como risco alto, enquanto 5% foram enquadrados como risco médio. Além disso, o levantamento aponta mais de 28 hectares suscetíveis a inundações, alagamentos e enxurradas na capital.
Quais bairros aparecem entre os pontos mais afetados
O estudo aponta o José Mendes como o bairro mais afetado pelo risco de deslizamento em Florianópolis. Esse dado destaca uma área específica da cidade dentro de um mapa mais amplo de vulnerabilidade, ajudando a localizar onde o problema se mostra mais intenso.
No caso dos eventos ligados à água, como inundações, alagamentos e enxurradas, a análise identificou o João Paulo como um dos pontos com mais focos de risco. Isso mostra que Florianópolis enfrenta ameaças diferentes em regiões distintas, com impactos que exigem leitura territorial mais precisa.
Quais soluções são apontadas para reduzir os riscos
Entre as estratégias recomendadas para reduzir os impactos, a bióloga Juliana Baladelli Ribeiro, gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário, destaca a implantação de lagoas pluviais e bacias de retenção. Essas estruturas têm a função de armazenar temporariamente a água da chuva para diminuir o volume escoado de uma só vez.
Segundo a especialista, essas soluções conseguem receber, armazenar e liberar lentamente a água, reduzindo picos de vazão, alagamentos e ainda melhorando a qualidade da água. Em uma cidade como Florianópolis, onde o levantamento aponta áreas vulneráveis a diferentes tipos de desastre, esse tipo de medida aparece como resposta prática para diminuir a pressão sobre o território urbano.
O que pode ajudar Florianópolis a ficar mais resiliente
Além das estruturas voltadas ao manejo da água da chuva, o estudo aponta outras medidas para tornar Florianópolis mais resiliente. Entre elas estão restauração de encostas, arborização urbana, jardins de chuva, corredores ecológicos, parques lineares e ampliação de áreas verdes multifuncionais.
No caso específico dos deslizamentos, a principal recomendação é a recuperação vegetal das encostas associada a técnicas geotécnicas. A explicação é que a vegetação nativa, junto com intervenções seguras no solo e nas rochas, pode ajudar na estabilização do terreno, reduzir deslizamentos e regular o fluxo das águas da chuva.
Por que a cobertura natural ainda é um trunfo importante
Apesar dos riscos mapeados, Florianópolis ainda preserva cobertura natural significativa. Segundo os dados da plataforma, 34% do território é composto por formação florestal e outros 32% por rios, lagos e oceano. Já a área urbanizada representa 22% do município.
Esse equilíbrio é tratado como um ponto estratégico porque a preservação e a ampliação da cobertura vegetal não servem apenas para conter desastres. Também ajudam a manter a segurança hídrica, a qualidade de vida e a atratividade turística de Florianópolis, fatores que influenciam diretamente a dinâmica urbana e a imagem da capital.
Como foi feita a análise das áreas de risco
Os dados foram divulgados a partir da ferramenta gratuita desenvolvida pela Fundação Grupo Boticário em parceria com o MapBiomas e com tecnologia da Google Cloud. A proposta da plataforma é mapear áreas vulneráveis a eventos climáticos extremos e indicar soluções ambientais para adaptação urbana.
A ferramenta cruza mapas, estatísticas oficiais e dados ambientais para identificar regiões mais suscetíveis a desastres naturais e ajudar tanto gestores públicos quanto a população na adoção de medidas preventivas. Com isso, Florianópolis passa a ter um retrato mais detalhado das áreas que exigem maior atenção.
O que isso significa para a cidade na prática
Na prática, o levantamento reforça que Florianópolis precisa olhar para a adaptação climática como uma necessidade urbana concreta. O cenário descrito não envolve apenas risco ambiental, mas também impactos diretos sobre moradia, mobilidade, segurança e planejamento do uso do solo.
A avaliação apresentada pela especialista é que enfrentar esse novo contexto exige ir além das obras de engenharia convencional. Para Florianópolis, isso significa combinar infraestrutura, soluções baseadas na natureza e preservação ambiental para reduzir danos, proteger áreas vulneráveis e manter a cidade mais segura para moradores e visitantes.
Você acha que Florianópolis está preparada para enfrentar áreas tão amplas sob risco de deslizamento, alagamentos e enxurradas?

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