TIM reforça avanço no agro com foco no B2B, aposta em grandes produtores, expande cobertura 4G e conectividade em áreas extensas e mostra que conectar fazendas menores ainda depende de associações ou poder público.
A TIM ampliou sua atuação no agronegócio ao concentrar os principais contratos do segmento em grandes produtores rurais, dentro de uma estratégia voltada ao mercado corporativo, o B2B. O movimento ganha força após a aquisição da V8 Tech, concluída em janeiro, que ampliou o portfólio de soluções digitais da operadora para o campo.
O avanço chama atenção porque mostra duas realidades ao mesmo tempo. De um lado, a TIM acelera a oferta de conectividade e tecnologia para grandes propriedades, como no acordo com a Cerradão para atender 55 mil hectares com cobertura 4G. De outro, a própria operadora admite que instalar torres em áreas com menos de 7 mil hectares é praticamente inviável, o que expõe o tamanho do desafio para levar internet a propriedades menores no Brasil rural.
O que a estratégia da TIM no agro quer conquistar
A TIM vem direcionando sua expansão no agronegócio para contratos com grandes produtores, apostando no segmento B2B como motor de crescimento. Segundo Alexandre Dal Forno, diretor de negócios e soluções B2B da companhia, as principais vitórias da operadora no agro ocorreram justamente com grandes produtores rurais.
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Essa estratégia mostra que a empresa busca clientes com escala suficiente para sustentar projetos mais robustos de conectividade e tecnologia. Na prática, isso significa priorizar operações agrícolas de grande porte, nas quais o investimento em infraestrutura e serviços digitais tende a encontrar maior viabilidade econômica.
Por que as fazendas menores continuam fora do centro dessa expansão

Um dos pontos mais relevantes dessa ofensiva é a limitação imposta pelo tamanho das propriedades. Segundo a TIM, a instalação de torres de telecomunicações é praticamente inviável em fazendas com área inferior a 7 mil hectares.
Esse dado ajuda a explicar por que a conectividade no campo ainda avança de forma desigual. Enquanto grandes grupos conseguem fechar contratos e receber cobertura dedicada, propriedades menores dependem de outros arranjos para ter acesso à infraestrutura. De acordo com a operadora, esse processo exigiria participação de associações ou do poder público para se tornar viável em várias regiões.
Os números que explicam o movimento da TIM no campo
O exemplo mais concreto apresentado pela companhia é a parceria com a Cerradão, no Triângulo Mineiro. O acordo prevê cobertura 4G para 55 mil hectares de produção de açúcar, etanol e bioenergia da empresa.
O tamanho da área mostra o perfil de operação que a TIM tem conseguido atender no agronegócio. Trata-se de um projeto voltado a uma estrutura de grande escala, capaz de absorver soluções de conectividade em um espaço extenso e com atividade produtiva intensa, o que reforça a concentração dos contratos entre grandes produtores.
Como a compra da V8 Tech mudou o jogo para a TIM

A aquisição da V8 Tech, concluída em janeiro, passou a impulsionar a ampliação da presença da TIM no agro. A incorporação da empresa foi integrada à estratégia de expansão de serviços digitais, fortalecendo o portfólio da operadora em um momento de avanço da digitalização no campo.
Com esse movimento, a TIM amplia não apenas sua oferta de rede, mas também o conjunto de ferramentas tecnológicas que pode levar ao agronegócio. Isso dá à empresa mais capacidade para atuar além da conectividade tradicional e entrar em áreas ligadas a monitoramento, análise de dados e gestão operacional.
As soluções digitais que a TIM está levando para o agronegócio
Entre as soluções apresentadas pela TIM na Agrishow estão sistemas de monitoramento de incêndios com uso de câmeras e análise de dados, ferramentas para previsão de pragas e plataformas voltadas à gestão integrada de informações agrícolas.
Essas soluções se apoiam em dados, computação em nuvem e inteligência artificial. Na prática, a TIM busca se posicionar não apenas como operadora de telecomunicações, mas como fornecedora de serviços digitais capazes de apoiar decisões, ampliar controle operacional e tornar a gestão agrícola mais integrada.
O que muda na prática para o produtor rural
Para os grandes produtores, a estratégia da TIM pode significar acesso mais rápido a conectividade e a ferramentas digitais voltadas à operação agrícola. Isso inclui cobertura 4G em áreas extensas, monitoramento de riscos, previsão de pragas e plataformas que ajudam a concentrar informações em um único ambiente de gestão.
Para os menores produtores, porém, o cenário ainda é mais difícil. A própria empresa reconhece que o modelo atual não fecha conta com facilidade em propriedades menores, o que mantém a conectividade dependente de soluções coletivas ou apoio externo. Esse contraste ajuda a mostrar que a digitalização do campo avança, mas ainda não chega de forma homogênea.
Por que as cooperativas ainda não destravaram esse mercado
Outro ponto destacado pela TIM é que as negociações com cooperativas não têm avançado. Isso é importante porque as cooperativas poderiam funcionar como ponte para ampliar o alcance da conectividade entre produtores que individualmente não conseguem viabilizar a instalação de infraestrutura.
Sem esse avanço, a expansão tende a continuar mais concentrada em grandes operações privadas. Isso reforça o desenho atual do mercado, em que os ganhos mais rápidos aparecem nas propriedades com escala maior, enquanto parte relevante do campo segue à espera de um modelo econômico que permita ampliar o acesso.
O que essa ofensiva da TIM revela sobre o futuro da conectividade no agro
O movimento da TIM mostra que o agronegócio se consolidou como uma frente estratégica para telecomunicações, dados e serviços digitais. Ao ampliar sua atuação no B2B e incorporar a V8 Tech, a operadora reforça que vê espaço para crescer em um setor cada vez mais dependente de conectividade e tecnologia.
Ao mesmo tempo, a ofensiva revela um limite importante. Se a conectividade continuar concentrada apenas em grandes propriedades, uma parcela expressiva do campo pode ficar para trás. O avanço da TIM, portanto, expõe tanto a velocidade da transformação digital no agro quanto o tamanho do desafio para que ela alcance de forma mais ampla as fazendas menores.
Você acha que a expansão digital no campo vai continuar concentrada nos grandes produtores ou o Brasil conseguirá criar um modelo para conectar também as propriedades menores?

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